ANS deixa 1,1 milhão de pessoas sem plano de saúde

Roberto Lacerda Barricelli*

ANSSSempre há mais de uma maneira de enxergar os fatos, sendo as mais recorrentes: a lógica e a manipulada. Normalmente, veremos mais a manipulada, infelizmente.

Se pesquisarem na mídia, verão como notícia: “ANS suspende a venda de 123 planos de saúde”, isso naqueles veículos que se dizem “imparciais” e tentam passar essa imagem, em outros, verão: “Operadoras prestam serviço ruim e tem seus planos suspensos” e naqueles realmente ideológicos: “Grandes corporações da planos de saúde desrespeitam clientes e são punidas pela ANS (ou”pelo Governo”)”.

Contudo, a realidade é uma só. A ANS prejudicou os consumidores, como já vem prejudicando desde o dia de sua criação. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) coloca tantas regulamentações sobre o setor de saúde, que os planos das operadoras que atendem pessoas físicas são 75% mais caros que aquelas que atendem pessoas jurídicas e de planos por adesão, onde a regulamentação é pouca. Isso já serve para demonstrar o custo que a agência gera àqueles consumidores que mais necessitam do serviço: o cidadão “comum”.

Por cidadão “comum” entenda-se que me refiro àqueles que não possuem planos de saúde via empresas, mas que pagam planos individuais e/ou familiares via pessoa física. Acima disso tudo, me refiro aos que não possuem plano de saúde algum, ou seja, os mais pobres e que recorrem ao esquizofrênico Sistema Único de Saúde (SUS).

É simples, a ANS promove um custo de 75% a mais para os consumidores de planos de saúde individuais e, assim, acaba por excluir do acesso ao serviço justamente os consumidores mais pobres e que poderiam ter acesso a um plano de saúde privado, que mesmo não sendo uma maravilha (também com muita culpa da ANS novamente) consegue ser bem melhor que o SUS.

Ao mesmo tempo em que promove o encarecimento, a ANS também promove o sucateamento dos planos de saúde, pois as operadoras, para não falirem, se veem obrigadas a cortas custos e criar regras mais rígidas para seus clientes, assim como diminuir a qualidade do serviço oferecido. Então, o que faz a ANS? Coloca-se como a única capaz de resolver “falhas do mercado” (causadas por ela) e aumenta a quantidade de regulamentações, levando a mais corte de custos, fechamento de operadoras, suspensão de planos, encarecimento do produto/serviço e sucateamento do mesmo. E fica nesse ciclo vicioso!

Com o fim da ANS, o livre mercado promoverá o aumento considerável da concorrência, e como sempre ocorre, a livre concorrência obrigará os prestadores de serviços a melhorar o que oferecem e baixar preços, para não perderem clientes ao concorrente e não irem à bancarrota. A extinção dos custos gerados pela ANS permitirão uma “folga”  ampla para que as operadoras façam os ajustes necessários.

Mas e o consumidor? Ora, ele terá acesso a planos melhores e mais baratos. Não só isso, os consumidores de baixa renda terão acesso também, o que hoje é raro e quando ocorre são serviços quase tão ruins quanto o SUS. E quanto aos contratos e coberturas? Bem, os consumidores terão que se atentar a eles e aprenderem a negociar com os prestadores de serviços. Dizer que essa tarefa deve ser do Estado é o mesmo que afirmar que um bando de burocratas, isolados em Brasília, sem contato algum com os cidadãos, são capazes de decidir o que é melhor para cada indivíduo, que não conhecem, melhor do que o próprio indivíduo.

Chega de contratar mais do que precisamos, usamos ou queremos. Nosso direito de escolha deve ser respeitado e nosso bolso poupado.

O que a ANS fez recentemente não foi benéfico aos clientes dos planos de saúde suspensos. Ora, você tem 13.009 reclamações e tenta arrumar tudo deixando 1,1 milhão sem o serviço? Como isso ajudou? Os que reclamaram ficaram de vez sem os atendimentos e os que não reclamaram (ou estavam satisfeitos), que são mais de 98%, ficaram sem o serviço também. No fim, qual o resultado positivo? Ah, esperam que as operadoras melhores o serviços para recuperarem seus planos? E enquanto isso, o que fazem os 1,1 milhão de consumidores prejudicados com a atitude da ANS? Vão para o SUS? Estarão mais bem atendidos no sistema de saúde mais esquizofrênico existente?

Se a situação já estava ruim , tudo que a ANS conseguiu foi piorá-la.

*Jornalista, Assessor de Imprensa do Instituto Liberal e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça – roberto@institutoliberal.org.br

Fonte:

A Cara de Vitória – http://www.acaradevitoria.com.br/2014/08/saude-ans-suspende-venda-de-123-planos.html

Plano de saúde fica 71% mais caro – Diário de SP 15/10/2013 – Dados Fundação Procon e ANS http://diariosp.com.br/noticia/detalhe/58770/Plano+de+saude+individual+fica+71%25+mais+caro

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Eleições pós-Campos

Roberto Lacerda Barricelli*

pos-camposAlguns amigos me perguntaram sobre a situação das eleições pós-Eduardo Campos, tentarei expor minha visão.

Não acredito que Marina Silva chegue sequer ao segundo turno, tanto, que desde a morte de Eduardo Campos estou falando isso e acrescentando: “Marina aparecerá no máximo nas três primeiras pesquisas à frente de Aécio, devido à comoção pela morte de Eduardo Campos e a diminuição que ela provocará nos grupos de brancos e nulos e indecisos. Marina deve ter mais votos vindos desse pessoal do que dos demais candidatos”.

A primeira pesquisa, do Datafolha, aponta Dilma com 36% das intenções de votos, Marina com 21% e Aécio com 20% (empate técnico no segundo lugar). Há uma diminuição de 5% em cada um dos grupos que mencionei, de brancos e nulos e indecisos. Ou seja, antes havia 5% a mais em um grupo e 5% a mais em outro, Eduardo Campos aparecia com 8% das intenções de voto e o Pastor Everaldo com 4%. Eis que Marina tem exatos 13% a mais que Campos (número nada auspicioso).

Minha teoria é que praticamente todos os votos que seriam brancos e nulos e indecisos (somados significam 10% dos eleitores) e boa parte do 1% que saiu do Pastor Everaldo foram para Marina (que também é evangélica).

Agora, se Aécio permaneceu com os mesmos 20% e Dilma com seus 36% anteriores, de onde vieram os demais 2% (supondo que os 11% já citados foram todos para Marina)? Além da conta não fechar e eu na ser dos mais entusiastas quando se trata de pesquisas (lembram-se do que ocorreu com Celso Russomano na disputa da prefeitura de São Paulo em 2012?), ainda há outras situações.

Por exemplo, em um cenário onde o PSB não indicasse ninguém, Dilma teria 41%, Aécio 25% e o Pastor Everaldo 4%, com brancos e nulos somando 13% e indecisos em 12%. Dilma e Aécio sobrem exatos 5% cada um, Pastor Everaldo recupera seu 1% e os grupos de brancos e nulos e indecisos somados sobem para 25%. Novamente, minha tese de que Marina tem mais chance de obter votos dos brancos e nulos e indecisos, o que aumenta o quociente eleitoral e valoriza sua porcentagem, em detrimento dos demais (o que alguns dizem ser o motivo de a conta não fechar; o que não parece ser o caso), parece estar correta.

Também tenho a tese de que Aécio é mais conhecido (ou ao menos lembrado) pelos eleitores, do que Marina Silva. Esta tese dá indícios de estar correta também, pois na mesma pesquisa do Datafolha, em um cenário onde não foram oferecidos nomes de candidatos, Dilma aparece com 24%, Aécio com 11% e Marina com 5% (menos da metade de Aécio?).

Ainda há quem fale sobre os votos dos evangélicos. Nesta primeira pesquisa (lembrando que é só a primeira e em um momento de comoção forte, devido à ainda estar muito próximo da tragédia que vitimou Eduardo Campos) parece que realmente Marina divide os votos dos evangélicos do Pastor Everaldo. Contudo, devo lembrar que, em 2010, Marina Silva desagradou aos próprios evangélicos devido à sua falta de firmeza sobre assuntos que afetam a opinião destes eleitores, sendo o ápice, o aborto.

Uma candidata que teve 20 milhões de votos em 2010, sendo que um dos candidatos era desconhecido (Dilma) e o outro possui uma rejeição absurda (José Serra), não pode ter tal eleição usada como parâmetro absoluto para medir sua força. Ora, sequer conseguiu fundar um partido para chamar de seu. Alguns dizem que foi culpa de boicote do PT, mas discordo. Ora, se Marina fosse tão forte, com seus 20 milhões votos, por mais que fosse boicotada, conseguiria validar as 483 mil assinaturas necessárias e para isso teria apoio de outros políticos, empresariado, etc.

Falam em boicote do PT por causa de atraso nos cartórios e invalidação de assinaturas sem justificativa, ou seja, cria-se essa teoria por causa de ocorrências comuns. Como se os cartórios não atrasassem e ações arbitrárias fossem exceções, ao invés de regras, em pleno país da burocracia, que beira ao Estado Máximo.

Sabe o porquê Marina Silva realmente não conseguiu fundar seu partido? Porque é péssima articuladora, sem carisma algum e tem o péssimo hábito de queimar qualquer um que sequer a questione.

Marina não sabe efetuar a costura política que Eduardo Campos conseguiu e que agora poderia beneficiá-la nestas eleições. Mas sabendo o quão Marina é ruim não só para formar, mas para manter alianças (e sua recente passagem pelo PV, como sua história no PT comprovam isso), não me surpreenderá se houver um racha na base, mesmo havendo uma série de acordos nos Estados entre PSB e outros partidos. Sem contar a insegurança para o PSB, de ter Marina como candidata, sabendo que ela pretende fundar seu partido, do qual será a chefe suprema. Neste caso, ou o PSB se entrega nas mãos de Marina e ameaça o projeto de longo prazo do próprio partido, ou se arrisca a perdê-la após as eleições (o que seria ainda mais trágico caso ela vencesse as eleições, o que duvido que ocorra).

Por fim, diferente do que disse recentemente Diogo Mainardi, no programa Manhattan Connection, não acredito que Marina Silva tenha tudo para vencer de lavada estas eleições, pelo contrário, não acredito sequer que chegue ao segundo turno.

O que realmente definirá o destino dos candidatos será o tom que cada um dará as suas campanhas e seu desempenho em entrevistas, debates, horário eleitoral, enfim, frente à opinião pública e aos eleitores. Suas propostas e seus posicionamentos frente aos mais variados temas, desde os “menos polêmicos” até questões como drogas e aborto. E para uma candidata sem carisma, má articuladora e com histórico desfavorável em posicionamentos frente diversos assuntos, principalmente os mais polêmicos, não há muita esperança.

*Jornalista, Assessor de Imprensa do Instituto Liberal (IL) e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça (IPJ)

Fontes:

Estadão / MSN Notícias – http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/eleicoes/story.aspx?cp-documentid=264847465

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R.I.P Eduardo Campos

Por Roberto Lacerda Barricelli*

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Lamento a morte de Eduardo Campos, pois penso no ser humano, mas muito alem, lamento pelas famílias de todas as vítimas do trágico acidente.

Eduardo Campos era um socialista, coronelista e neto de uma das figuras mais emblemáticas do socialismo brasileiro, Miguel Arraes, contudo, não merecia o trágico fim que teve. Não era um Stalin, um Mussolini, nem um Hitler, esses sim mereciam explodir em pleno ar.

Incomoda-me ver alguns amigos conservadores, liberais e libertários comemorando a morte de Campos: “Um socialista a menos”, é o que dizem. Com certeza, se um conservador, liberal ou libertário influente morrer, a maioria dos esquerdistas gritarão, urrarão, de felicidade e não tenho dúvidas de que haverá até comemorações, uma cervejada, ou algo do tipo. Esse é o tipo de gente que lidamos.

Não sejamos fanáticos idiotizados como eles. Se defendermos os direitos naturais à vida, liberdade e propriedade, então, sejamos coerentes. Campos não iniciou agressão contra ninguém que merecesse o fim que teve. Entendo que só o fato de integrar o Estado possa ser considerado como iniciação de agressão, principalmente por se tratar de um socialista, mas sejamos honestos, e se fosse um conservador, um liberal ou um libertário? Se fosse Ron Paul? Ora, ele não era parte integrante do Estado, lá na mais poderosa nação do mundo? Comemoraríamos a morte de Rand Paul? Caramba, muitos ainda choram a de Roberto Campos!

O ser humano deve estar acima de tudo. É pelo indivíduo que lutamos; não que sejamos altruístas apenas, pois nos inserimos na definição de indivíduo e perseguindo nossos interesses “egoístas” de liberdade individual, beneficiamos os demais indivíduos. Eduardo Campos era um indivíduo, um pai de família, amigo de uns e considerado inimigo por outros.

Não lamento a perda do político, mas me contentaria com a mera destruição política de Campos, através de debates, manifestações, eventos variados, entre outras ações que façam avançar uma “agenda libertária” e naturalmente crie uma cultura de respeito aos direitos naturais no Brasil, o que por si tornaria Campos e demais socialistas, irrelevantes. É esta a minha luta. Não desejo a morte de seus corpos, só de suas ideologias e de seus “personagens políticos”.

Claro, se amanhã, ou depois, me atacarem, como ocorre na Venezuela, me dou ao direito de revidar com uma AK-47, no mínimo. Mas enquanto a batalha estiver no campo das ideias, da cultura, da educação, da economia, da política… Revidarei na mesma moeda, não de forma proporcional, pois não acredito em proporcionalidade, mas sempre respeitando aqueles direitos que socialistas e demais esquerdistas desejam manter para si e tirar dos demais. Sou coerente com o que defendo.

Portanto, ficam minhas condolências para a família e amigos de Eduardo Campos e dos demais vitimizados nesta tragédia aérea.

*Jornalista, Assessor de Imprensa do Instituto Liberal e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça (IPJ)

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Voucher para medicamentos é mais eficiente e barato que o SUS (II)

Roberto Lacerda Barricelli*

Foi criado em 2004 o programa “Aqui Tem Farmácia Popular”, no qual farmácias privadas distribuem medicamentos para doenças específicas aos usuários do SUS que comparecerem com receita médica do atendimento público e documento de identidade.

Entre 2004 e 2012 houve aumento do acesso a medicamentos para diabetes em 303%, hipertensão em 417% e para asma em 94%. São 28.970 mil farmácias populares privadas atualmente, contra 545 da Rede Própria do governo (eram 557; o que mostra que está diminuindo). Porém, há uma falha, pois pelas farmácias conveniadas são permitidos apenas 20 (sendo que eram permitidos 25).

farmaciapopular

 

Enquanto os repasses para compra de medicamentos em 2011 foram de R$763 milhões e de R$1.855.464.058 (R$1.8 bilhão) em 2013 e R$909.971.053 em 2014 (até o momento), apenas para construir e mobiliar a mesma quantidade de unidades próprias custaria aproximadamente R$2,4 bilhões aos cofres públicos (custos de 2013, em 2014 seriam maiores devido à correção monetária por causa da inflação e aumento de preços). Em um sistema público de farmácias, além do custo de construção e mobiliário, o Governo tem o custo para aquisição e distribuição dos medicamentos, que mesmo se continuasse igual ao custo do Aqui tem Farmácia Popular, seria acrescido de custos administrativos. A grande vantagem do programa é que evita os custos com pessoal, encargos, distribuição, administração de estoque, manutenção de estrutura e medicamentos, transporte, mobiliário, telefone, licitação, etc, concentrando os custos apenas no pagamento dos medicamentos.

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No momento, há apenas as farmácias conveniadas podendo distribuir e só 20 medicamentos autorizados. Porém, lembremos que há 33,9% de impostos nos medicamentos, o que significa que ao desonerarmos os impostos sobre os medicamentos poderemos reduzir em 33,9% o seu custo, logo, gastar-se-á ainda menos, podendo expandir o sistema. Pode-se argumentar que o SUS distribui exponencialmente mais medicamentos, contudo, os custos com saúde pública são diminuídos com o programa de farmácias populares. Por exemplo, a quantidade de internações por asma diminuiu 16% em 2013.

Também é necessário que os pacientes possam usar receitas de médicos privados, pois ao obrigar que as receitas tenham que ser obtidas no sistema público (pensando em médicos públicos que receitarão remédios mais baratos) aumenta-se a demanda por este serviço, aumentando também sua escassez e elevando o custo. A estratégia de receitar remédios mais baratos também é falha, pois se o médico do SUS se recusar a receitar um remédio mais caro e este for melhor, o cidadão irá ao particular e obterá a receita, para depois processar o Estado e obter o medicamento, o que não evita o custo como era a intenção e ainda gera um custo adicional ao sistema judiciário. Houve em 2013 um gasto de R$2.798.005.706,87 (R$2.7 bilhões) com “medicamentos excepcionais”, a maioria com decisões judiciais obtidas por cidadãos.

Pelo sistema de voucher para medicamentos e a desburocratização da saúde (inclusive permitindo as receitas do setor privado) e das farmácias, qualquer cidadão carente pode escolher a farmácia na qual comprará o(s) medicamento(s), aumentando a concorrência por esse tipo de consumidor e obrigando as farmácias a investirem em promoções, qualidade e preços menores, para atraí-los, e ir ao médico privado (inclusive em clínicas populares, que já existem e a tendência é se expandirem, que cobram de R$40 a R$60 por consultas, permitindo o acesso ao serviço a diversas pessoas de baixa renda), diminuindo também o custo estatal com atendimentos. Isso significa que o custo de R$2.7 bi com medicamentos excepcionais via decisões judiciais não existirá (pois não será necessário processar para conseguir tais medicamentos). Menos pessoas precisarão de ajuda do Estado para adquirir remédios, pois estes ficam mais baratos, o que diminui o custo do próprio programa até que seja desnecessário no longo prazo.

Contudo, o que vemos é o Governo Federal prestes impor uma nova lei de regulamentação do setor farmacêutico, que aumentará seus custos, logo, afetará toda a estrutura das próprias farmácias populares, podendo ver algumas fecharem as portas, o que promoverá maior escassez, menor concorrência e aumento de preços, diminuindo o acesso aos cidadãos, principalmente os de baixa renda.

Se adotarmos o sistema de voucher, com desoneração e desregulamentação, o número de medicamentos ofertados aumentará e o custo diminuirá, permitindo maior equilíbrio das finanças públicas e estendendo o acesso a mais pessoas. Basta verificar que no sistema do Aqui Tem Farmácia Popular são atendidos 4.141 municípios, contra 441 da Rede Própria estatal. Contudo, há 5.570 municípios no Brasil, o que significa que em 1.429 municípios ainda há difícil acesso aos medicamentos para pessoas carentes que não sejam atendidas pela Rede Própria.

O Brasil deu um passo importante em 2004, agora falta evoluir para o sistema que melhor atenderá a população, com menos custo e maior qualidade, evitando um retrocesso que é a expansão da regulamentação ao setor farmacêutico.

*Jornalista, Assessor de Imprensa do Instituto Liberal/RJ e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça (IPJ)

Fontes:

Aqui Tem Farmácia Popular – Portal da Transparência do Ministério da Saúde – http://sage.saude.gov.br/paineis/aqt/corpao.php?uf_origem=BR-5570-201062789&cidade_origem=&uf_cidade=BR%20-%20BRASIL&no_estado=BRASIL

Blog do Ministério da Saúde – http://www.blog.saude.gov.br/

Portal do Ministério da Saúde – http://portalsaude.saude.gov.br

Estudo feito pela Organização da Farmácia Comunitária (Brasília, setembro/2011)- http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/132/encarte_farmAcia_comunitAria.pdf

Portal Brasil – http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2013/06/cresce-numero-de-municipios-no-brasil-em-2013

Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação – https://www.ibpt.org.br/

Portal de Transparência do Ministério da Saúde – Municípios atendidos: http://189.28.128.178/sage/paineis/aqt/tabelaFP.php?ufcidade=Brasil&ufs=&ibges=&cg=&tc=&re_giao=&rm=&ufcidade=Brasil&qt=5570%20munic%C3%ADpios&pop=201062789&cor=005984&output=html&title=

Portal de Transparência do Ministério da Saúde – Lista de medicamentos – http://189.28.128.178/sage/paineis/aqt/Aqui_Tem_FP_Medicamentos.pdf

Portal de Transparência do Ministério da Saúde – Rede de Farmácias próprias – http://189.28.128.178/sage/index.php?tp=3&pr=9

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Porto de Mariel e o retorno da Mãe Rússia

Roberto Lacerda Barricelli*

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Quem acompanha meu trabalho desde 2013 talvez tenha lido minha série sobre o Porto de Mariel (clique aqui se não leu). Bem, eu avisei que quando o empreendimento estivesse pronto, devido se tratar de um porto embargado, sem acesso ao principal mercado mundial (Estados Unidos) devido à lei Helms-Burton que pune com 180 dias proibição de atracar nos Estados Unidos, as embarcações que tenham anteriormente atracado em Cuba.

Também avisei que mesmo a capacidade para navios muito maiores existir, tal embargo, o fato de haver mais de 65 portos na região da América Central, caribe e Golfo do México, em pleno funcionamento e com regras adequadas, e não haver nenhuma segurança jurídica em Cuba, posto que, em 1996, havia uma ZPE em Mariel e esta foi desativada do dia para a noite por Fidel Castro, que acusou todos os empreendedores de contrabandistas a serviço do “imperialismo americano”, deixando 120 fundos de investimentos e mais de 200 empreendedores literalmente a ver navios, as únicas empresas que se instalariam lá seriam aquelas bancadas pelo dinheiro dos pagadores de impostos brasileiros (e de outros países), pois prejuízos são socializados, o comércio de drogas das FARC e as indústrias bélicas de China e principalmente da Rússia.

Também avisei que utilizariam o local para trocar armas pro drogas que abasteceriam o mercado consumidor das América, principalmente Estados Unidos, Brasil e México, e o Chinês, além do contrabando de armas para a Coreia do Norte e países aliados aos ideais comunistas, o que relatório da ONU já comprovou em ambos os casos, além do fato de uma semana antes do meu primeiro artigo da série terem aprendido uma carga de armas no canal do Panamá, financiada por Venezuela e protegida por soldados cubanos, disfarçada como carga de açúcar. Isso sem contar que há cabeças das FARC vivendo bem perto do Porto e ZPE de Mariel.

Bem, na época me disseram o seguinte: “as acusações que você faz são muito graves”. Mantenho o que eu disse a época: “não são acusações, mas uma análise dos fatos que leva a prováveis consequências”. Como tudo que eu disse tem ocorrido, agora é foi a vez de Vladimir Putin visitar Cuba e conversar sobre alianças estratégicas, tais como as “fechadas” com nossa presidente, Dilma Vana Rousseff, que abrangem: comércio, tecnologia e defesa. Não me espantará se o comércio e a tal tecnologia estiverem sob a “defesa”, ou seja, ligados a indústria bélica russa que se instalaria em Mariel, onde, por acaso, foi reativada uma base militar russa, da época da crise dos mísseis,

A Rússia também reativou uma base militar no Equador e deve instalar em breve uma na Venezuela. Pergunto: que acordo de “defesa”, feito entre países que apoiam o desarmamento civil, pode beneficiar os cidadãos?  Se você ler meu artigo sobre porte de armas (clique aqui) e verificar as fontes, verá que a Rússia é um dos países mais desarmados do mundo, enquanto possui taxa de homicídios bem acima dos mais armados.

Por que instalar e/ou reativar bases militares no coração da América Latina, justamente em um momento de expansão dos governos bolivarianos? Estaremos presenciando o retorno da Mãe Rússia? A Copa do Mundo de Futebol FIFA 2018 ocorrerá na Rússia justamente no momento que tal país mais quer internacionalizar sua influência, será mera coincidência?

O que é certo é que a Rússia cansou de exercer uma influência local e agora parte com tudo para uma influência global, que em muitos pontos lembra a expansão imperialista soviética e volta seus olhos justamente (como naquela época) para a América Latina, bem cara dos “ianques”. Mas desta vez encontram um ambiente com franca expansão de projetos de governos totalitários bolivarianos e um frouxo na Casa Branca.

*Jornalista, Assessor de Imprensa do Instituto Liberal e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça. Colunista do Clube Farroupilha, do Clube Miss Rand, do Epoch Times e do Liber Blog

 

Fontes:

Alerta Total – http://www.libertar.in/2014/02/alerta-total-russia-quer-instalar-bases.html

Neste Blog: 

1 – https://robertolbarricelli1.wordpress.com/?s=Porto+de+Mariel

2 – https://robertolbarricelli1.wordpress.com/2013/10/09/porte-legal-de-armas-de-fogo-diminui-a-violencia/

Relatório da ONU – http://www.un.org/ga/search/view_doc.asp?symbol=S/2014/147

ONU – http://www.un.org/

Diário do Grande ABC – http://www.dgabc.com.br/Noticia/359151/cuba-pode-ter-tentado-introduzir-drogas-nos-eua

Ucho Info –http://ucho.info/panama-intercepta-navio-norte-coreano-com-armamento-em-meio-a-carga-de-acucar

Estadão –  http://m.estadao.com.br/noticias/internacional,russia-quer-instalar-bases-militares-em-cuba-e-na-venezuela-diz-ministro,1134910,0.htm

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Não há como enriquecer através de prejuízos

???????????????????????????????????????O Governo brasileiro gosta de jogar dinheiro pela janela com o discurso de crescimento econômico (?), algo que não faz nenhum sentido. Ora, como alguém pode enriquecer tomando calote? Se uma empresa ou indivíduo empreendedor não conseguem, como uma nação conseguiria?

Financiar exportações para outros países não aumenta a produção de riqueza, pelo contrário. Cada um real que sai do Brasil via Governo como linha de crédito para outros países pagarem pelos produtos e serviços que compram de nós, significa um real a menos nos bolsos dos pagadores de impostos brasileiros, logo, significa um real a menos para consumo interno.

Quando, então, se trata de financiar exportações para países como Cuba, Venezuela, Argentina, Angola, Moçambique e Zimbabwe, a situação é ainda mais dramática, pois o calote é praticamente uma certeza. O Governo brasileiro empresta o dinheiro tomado coercivamente dos pagadores de impostos aos países que considera “amigos” para que estes paguem aos nossos exportadores, ou seja, nós pagamos a conta das nossas vendas a eles. Não faz o menor sentido.

Claro, que as empresas que exportam e recebem esses valores são beneficiadas, no entanto, todo o restante da sociedade é prejudicado, pois fica com menos dinheiro para consumo interno e, devido aos calotes, o Governo precisa repor as perdas através da única fonte de renda fixa e garantida que possui: os cidadãos.

Isso quer dizer que nós pagamos as nossas próprias exportações com nosso próprio dinheiro e ainda temos que pagar impostos maiores depois para amenizar as perdas do Governo nessas operações. Como, então, é possível ao país enriquecer desta maneira? Como enriquecer se usamos nosso dinheiro para pagar a dívida dos outros e ainda temos que dar mais dinheiro depois para repor as perdas, ficando com menos dinheiro em nossos bolsos para nossas necessidades? Estamos com menos dinheiro, mas estamos mais ricos?

É o mesmo que um vendedor de eletrodomésticos que oferece uma máquina de lavar roupas a R$600 para um consumidor, sendo que esses R$600 serão pagos por ele através de um carnê em 10 vezes. Contudo, o custo desta máquina para a loja foi de R$400 e o consumidor paga a primeira parcela (digamos, de R$68) e não paga as demais, ou paga só as três primeiras e não paga mais. Neste caso, a loja tomou prejuízo, pois não conseguiu recuperar sequer o custo do produto. Então, obviamente, não está mais rica só porque vendeu o produto. Ora, se o custo é R$400 e recebi R$68 (ou R$204), obviamente, estou com menos capital, logo, “menos rico”. No final, a loja terá que repor a perda de algum lugar, que será dos outros consumidores, aumentando os preços e limitando o crédito a perfis de menor risco.

É a mesma lógica de nossas exportações, pois achamos que estamos mais ricos porque vendemos os produtos e serviços, mas não percebemos que estamos mais pobres, pois emprestamos o dinheiro para que essa conta seja paga e não o recebemos de volta. O produto e/ou serviço saiu, mas o capital emprestado não retornou.

Esse é o problema de permitir ao Governo financiar as exportações, pois diferente de indivíduos que emprestam seu dinheiro assumindo os riscos e tendo eles que absorver as perdas (quando muito, cortando custos e modificando preços o mínimo possível para não perder outros clientes), o Governo utiliza o nosso dinheiro.

Na iniciativa privada o empreendedor está utilizando o dinheiro dele e possíveis perdas serão de responsabilidade dele, logo, ele busca investir esse dinheiro da melhor maneira possível para evitar essas perdas, que prejudicam seus clientes com possível aumento de preços, mas prejudicam seus negócios com perda de clientes devido a esse aumento e beneficia o concorrente que investiu melhor e possui um produto ou serviço tão bom quanto a um preço menor.

Um indivíduo que utiliza o dinheiro dos demais para promover o que ele acha que será benéfico para esses demais, sem ter que arcar com as perdas de maus investimentos, não se preocupará em investir adequadamente tais recursos. Como, então, achar que o Estado, que utiliza o dinheiro dos pagadores de impostos para promover o que ele (Estado) define como de interesse desses indivíduos, sendo que não precisará arcar com os prejuízos (basta arrancar mais dinheiro dos cidadãos), se preocupará em investir tais recursos da melhor maneira possível, se ele não terá que arcar com nenhuma responsabilidade por possíveis prejuízos?

Roberto Lacerda Barricelli é Jornalista, Assessor de Imprensa do Instituto Liberal (IL) e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça (IPJ)

Fontes:

Gazeta do Povo – http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=1465410

Estadão (Opinião) – http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-socorro-do-brasil-a-maduro-imp-,1094079

BBC Brasil – O Brasil é a solução para a escassez de produtos na Venezuela? – http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/11/131122_comercio_venezuela_lk.shtml

Portal Pecuária – http://www.pecuaria.com.br/info.php?ver=15283

 

Referência:

Hazlitt, Henry, Economia numa única lição, 2ª Edição, José Olympio Editora e Instituto Liberal (RJ), Rio de Janeiro, 1986

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Desestatização do casamento já!

UNIO-E1

Não há uma desculpa minimamente “compreensível” para a intervenção do Estado nos contratos de casamento. Evitar monopólios? De quem? Garantir direitos? Ora, os contratos já o fazem e já há direitos inalienáveis (vida, propriedade e liberdade). Para garantir a possibilidade de divórcio, a partilha dos bens, etc? Isso tudo pode ser previsto em contrato. E se não for? Isso é problema das partes que fizeram o acordo e assinaram os papeis.

Ao assinar um contrato você está concordando com tudo que nele está disposto. Se não leu, tivesse lido. Se confiou nele(a), que desconfiasse. O indivíduo é o único responsável por si mesmo e pelas consequências dos próprios atos.

O Estado interfere no direito dos indivíduos de assinarem contratos de casamento entre si. Mas e se menores de idade se casarem, principalmente as crianças? Ou pais forçarem crianças a casarem, baseados em algum culto, ou religião? Primeiro, um menor de idade não está apto a assinar nada sem a orientação e consentimento de seus responsáveis, principalmente as crianças (os adolescentes podem tentar enganar, mas então o documento se torna inválido). Segundo, já há pais e mães que concedem emancipação aos seus filhos e a partir de então se quiserem casar, compete apenas a estes tal decisão. Conceder a emancipação é uma decisão que cabe aos pais e a mais ninguém. Terceiro, pais que obrigam seus filhos(as) a se casarem independente da idade por critérios religiosos o farão independentemente de permissão ou proibição do Estado, logo, a desestatização do casamento em nada afeta essa realidade.

É justamente por haver a estatização do casamento que os gays precisam lutar tanto pelo mundo pelo direito de se casarem, algo que os direitos à vida, propriedade e liberdade, por si, já lhes garantem, o Estado usurpa, para depois algum político de esquerda (a responsável pela estatização) tirar proveito e se mostrar como “grande defensor da causa gay, dos direitos individuais, das minorias, etc”, sendo que os liberais e os libertários são favoráveis aos direitos naturais desses indivíduos desde antes da estatização do casamento.

Essa estatização cria esse ambiente para tirar proveito político de uma situação criminosa gerada pelo Estado, pois atenta contra os direitos individuais.

Claro! Uma vez que o Estado se mete na questão e controla o casamento, nada mais justo que estender tal direito a todos os indivíduos, independente de gênero, etnia, credo, time de futebol, etc. Contudo, não devemos nos furtar a defender a desestatização do casamento, pois esta é a “solução final” que evita todos os problemas gerados pela estatização.

Mas e as Igrejas? As Igrejas são instituições privadas e tem o direito de escolher a quem atenderão. Se uma Igreja decidir não casar mais héteros, mas apenas gays, está em seu direito, se decidir casar só héteros, também, e se optar por efetuar casamentos de ambos, que assim seja. Ora, porque aqueles que se incomodam com tais direitos, então não fundam suas próprias Igrejas e casam a todos, ou ao público que desejarem?

Muito fácil condenar os demais por não fazerem aquilo que ti mesmo não estás disposto a fazer. Muito fácil querer impor sua opinião e moral sobre a propriedade de outros, mas não tomar uma única iniciativa através de sua propriedade para realizar tal opinião e tal moral. É a história de querer sempre obrigar outros a fazerem aquilo que achas correto, para que não tenhas o trabalho de fazê-lo por ti mesmo.

Concluo afirmando que não há o menor cabimento em manter nas mãos do Estado o direito de regulamentar e controlar o casamento, cuja decisão e suas consequências serão sempre de responsabilidade dos que se casam. Não há cabimento em manter o divórcio nas mãos do Estado, pois ele não passa de uma rescisão contratual, que no Livre Mercado seria autorregulada pelo próprio contrato e sem todas as complicações legais que hoje a intervenção estatal acarreta, como demora dos processos e entraves na vida pessoal dos envolvidos, que se veem reféns de um contrato rescindido, mas que precisa do aval de um terceiro que nada contribuiu, nem tem a ver, com tal contrato e com os direitos desses indivíduos de tomarem as próprias decisões,  efetuarem acordos entre si e assumirem as consequências já previstas pelo próprio contrato.

Roberto Lacerda Barricelli é Jornalista

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