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Eleições pós-Campos

Roberto Lacerda Barricelli*

pos-camposAlguns amigos me perguntaram sobre a situação das eleições pós-Eduardo Campos, tentarei expor minha visão.

Não acredito que Marina Silva chegue sequer ao segundo turno, tanto, que desde a morte de Eduardo Campos estou falando isso e acrescentando: “Marina aparecerá no máximo nas três primeiras pesquisas à frente de Aécio, devido à comoção pela morte de Eduardo Campos e a diminuição que ela provocará nos grupos de brancos e nulos e indecisos. Marina deve ter mais votos vindos desse pessoal do que dos demais candidatos”.

A primeira pesquisa, do Datafolha, aponta Dilma com 36% das intenções de votos, Marina com 21% e Aécio com 20% (empate técnico no segundo lugar). Há uma diminuição de 5% em cada um dos grupos que mencionei, de brancos e nulos e indecisos. Ou seja, antes havia 5% a mais em um grupo e 5% a mais em outro, Eduardo Campos aparecia com 8% das intenções de voto e o Pastor Everaldo com 4%. Eis que Marina tem exatos 13% a mais que Campos (número nada auspicioso).

Minha teoria é que praticamente todos os votos que seriam brancos e nulos e indecisos (somados significam 10% dos eleitores) e boa parte do 1% que saiu do Pastor Everaldo foram para Marina (que também é evangélica).

Agora, se Aécio permaneceu com os mesmos 20% e Dilma com seus 36% anteriores, de onde vieram os demais 2% (supondo que os 11% já citados foram todos para Marina)? Além da conta não fechar e eu na ser dos mais entusiastas quando se trata de pesquisas (lembram-se do que ocorreu com Celso Russomano na disputa da prefeitura de São Paulo em 2012?), ainda há outras situações.

Por exemplo, em um cenário onde o PSB não indicasse ninguém, Dilma teria 41%, Aécio 25% e o Pastor Everaldo 4%, com brancos e nulos somando 13% e indecisos em 12%. Dilma e Aécio sobrem exatos 5% cada um, Pastor Everaldo recupera seu 1% e os grupos de brancos e nulos e indecisos somados sobem para 25%. Novamente, minha tese de que Marina tem mais chance de obter votos dos brancos e nulos e indecisos, o que aumenta o quociente eleitoral e valoriza sua porcentagem, em detrimento dos demais (o que alguns dizem ser o motivo de a conta não fechar; o que não parece ser o caso), parece estar correta.

Também tenho a tese de que Aécio é mais conhecido (ou ao menos lembrado) pelos eleitores, do que Marina Silva. Esta tese dá indícios de estar correta também, pois na mesma pesquisa do Datafolha, em um cenário onde não foram oferecidos nomes de candidatos, Dilma aparece com 24%, Aécio com 11% e Marina com 5% (menos da metade de Aécio?).

Ainda há quem fale sobre os votos dos evangélicos. Nesta primeira pesquisa (lembrando que é só a primeira e em um momento de comoção forte, devido à ainda estar muito próximo da tragédia que vitimou Eduardo Campos) parece que realmente Marina divide os votos dos evangélicos do Pastor Everaldo. Contudo, devo lembrar que, em 2010, Marina Silva desagradou aos próprios evangélicos devido à sua falta de firmeza sobre assuntos que afetam a opinião destes eleitores, sendo o ápice, o aborto.

Uma candidata que teve 20 milhões de votos em 2010, sendo que um dos candidatos era desconhecido (Dilma) e o outro possui uma rejeição absurda (José Serra), não pode ter tal eleição usada como parâmetro absoluto para medir sua força. Ora, sequer conseguiu fundar um partido para chamar de seu. Alguns dizem que foi culpa de boicote do PT, mas discordo. Ora, se Marina fosse tão forte, com seus 20 milhões votos, por mais que fosse boicotada, conseguiria validar as 483 mil assinaturas necessárias e para isso teria apoio de outros políticos, empresariado, etc.

Falam em boicote do PT por causa de atraso nos cartórios e invalidação de assinaturas sem justificativa, ou seja, cria-se essa teoria por causa de ocorrências comuns. Como se os cartórios não atrasassem e ações arbitrárias fossem exceções, ao invés de regras, em pleno país da burocracia, que beira ao Estado Máximo.

Sabe o porquê Marina Silva realmente não conseguiu fundar seu partido? Porque é péssima articuladora, sem carisma algum e tem o péssimo hábito de queimar qualquer um que sequer a questione.

Marina não sabe efetuar a costura política que Eduardo Campos conseguiu e que agora poderia beneficiá-la nestas eleições. Mas sabendo o quão Marina é ruim não só para formar, mas para manter alianças (e sua recente passagem pelo PV, como sua história no PT comprovam isso), não me surpreenderá se houver um racha na base, mesmo havendo uma série de acordos nos Estados entre PSB e outros partidos. Sem contar a insegurança para o PSB, de ter Marina como candidata, sabendo que ela pretende fundar seu partido, do qual será a chefe suprema. Neste caso, ou o PSB se entrega nas mãos de Marina e ameaça o projeto de longo prazo do próprio partido, ou se arrisca a perdê-la após as eleições (o que seria ainda mais trágico caso ela vencesse as eleições, o que duvido que ocorra).

Por fim, diferente do que disse recentemente Diogo Mainardi, no programa Manhattan Connection, não acredito que Marina Silva tenha tudo para vencer de lavada estas eleições, pelo contrário, não acredito sequer que chegue ao segundo turno.

O que realmente definirá o destino dos candidatos será o tom que cada um dará as suas campanhas e seu desempenho em entrevistas, debates, horário eleitoral, enfim, frente à opinião pública e aos eleitores. Suas propostas e seus posicionamentos frente aos mais variados temas, desde os “menos polêmicos” até questões como drogas e aborto. E para uma candidata sem carisma, má articuladora e com histórico desfavorável em posicionamentos frente diversos assuntos, principalmente os mais polêmicos, não há muita esperança.

*Jornalista, Assessor de Imprensa do Instituto Liberal (IL) e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça (IPJ)

Fontes:

Estadão / MSN Notícias – http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/eleicoes/story.aspx?cp-documentid=264847465

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Vereadores do PT gastam em média mais verba de gabinete que a oposição em São Paulo

As despesas (verbas de gabinete gastas) dos Vereadores do PT são maiores que os de PSDB, PSD, DEM e PPS em São Paulo. Chego a essa conclusão após analisar o Custo do Mandato através do Relatório Mensal por Natureza de Despesas no site de transparência de Câmara de São Paulo. Os dados foram analisado entre 01/2013 e 08/2013 que são os únicos disponíveis por enquanto.

Tendo o PT a maior bancada da Câmara Municipal de São Paulo (10 vereadores) é natural que as o total de despesas do partido sejam superiores ao que possuem menos vereadores. Porém, a despesa individual que os vereadores do PT geram à Câmara é superior aos da oposição; especificamente do PSDB (9), PSD (8), PPS (2) e DEMOCRATAS (2).

Tabela Partidos

As despesas as quais me refiro são com produtos e serviços que cada vereador contrata com custos repassados a Câmara, como aluguel de carro, material de escritório, correio, etc.

Ocorre que individualmente os vereadores do PT na Câmara de São Paulo gastam em média R$11.893,04 ao mês, enquanto os da oposição gastam menos: PSDB (R$10.824,56), PSD (9.816,56), PPS (8.762,72), DEM (11.791,58).

E essa cena se repete quando analisamos os principais aliados do PT na Câmara: PTB, PV, PMDB e PSB. Os aliados gastam ainda mais individualmente que os vereadores do PT. Veja a tabela abaixo:

Tabela 2

Alguns podem dizer que se há menos vereadores, logo, divide-se o total gasto entre menos pessoas e isso tende a deixa a média individual acima dos partidos com mais vereadores. Porém, estamos falando de gastos individuais, logo, se os vereadores gastarem individualmente mais o custo médio será maior e se gastarem menos o custo médio será menor, não dependendo da soma de todos. Basta ver que os partidos da oposição tem menos vereadores que o PT, porém o custo de cada vereador desses partidos é menor.

O DEMOCRATAS tem apenas dois vereadores na Câmara de São Paulo e no entanto o gasto médio individual é inferior aos partidos aliados ao PT que possuem 4 vereadores cada (PTB,PMDB e PV) e ao PSB que também possui apenas dois vereadores.

Inclusive, o vereador que mais gastou verba de gabinete entre janeiro/2013 e agosto/2013 pertence ao PSB e atende por Ota. Entre 01/2013 e 08/2013, Ota gastou R$141.252,21, ou seja, em média R$17.656,53 ao mês.

No total a situação formada po PT, PTB, PMDB, PV e PSB possui 24 vereadores, enquanto a oposição formada por PSDB, PSD, PPS e DEM possui 21 vereadores. São apenas três vereadores de diferença. Agora, se contarmos as legendas “nanicas” temos PHS, Pc do B e PP que apóiam o PT e o PR que participou da coligação com a oposição, porém seus vereadores votam de acordo com os interesses do partido e também pessoais, assim como o PRB. Por fim temos o PSOL que está mais próximo ao PT ideologicamente, porém, não encontra-se aliado a este.

No total temos 29 vereadores para a situação que agora é formada por PT, PTB, PMDB, PV, PP, PSB, PC do B e PHS e 23 para a oposição cm PSDB, PSD, PPS, DEM e PR. No fim, o custo individual de cada coligação fica da seguinte maneira:

Situação

Oposição

Ao analisar as tabelas é fácil constatar que mesmo a situação tendo 29 vereadores entre os quais dividir o custo geral, o custo médio individual é maior que o da oposição que tem menos vereadores, que individualmente gastam menos. Podemos também verificar que o único partido da situação que tem custo médio individual é o PC do B que, vale ressaltar, possui apenas um vereador. Enquanto o PHS possui a média mais alta e também possui só um vereador na Câmara.

Por fim, pode-se perceber que o PT e seus aliados possuem 19% mais vereadores que a oposição (29 a 23) e no entanto gastam 31% a mais que a mesma no total (R$2.832.578,17 contra R$1.921.644,37) e 15% a mais na média individual (R$12.309,39 contra R$10.443,72).

Atente-se que haver mais indivíduos gera custo final maior, mas não afeta o que cada indivíduo consome. Se individualmente os vereadores do PT e seus aliados dão mais despesas à Câmara Municipal de São Paulo é simplesmente por que individualmente eles gastam mais do dinheiro do contribuinte em suas verbas de Gabinete, do que a oposição.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Gostou? Adquira o livro: Estatismo: O Estado Intervencionista Brasileiro”. Nele exponho falácias, erros e a demagogia do PT, aliados e as teorias comunistas/socialistas na política, economia e questões sociais, apontando soluções reais aos problemas dessas áreas.

Fontes:

Portal da Câmara Municipal de São Paulo – Custo de Mandato – http://www.camara.sp.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=472&Itemid=66

Portal da Câmara Municipal de São Paulo – Perfis dos Vereadores – http://www.camara.sp.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=329&Itemid=23

Tabelas – Criação própria através dos dados obtidos no Portal da Câmara Municipal de São Paulo entre janeiro de 2013 e agosto de 2013.

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