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ANS deixa 1,1 milhão de pessoas sem plano de saúde

Roberto Lacerda Barricelli*

ANSSSempre há mais de uma maneira de enxergar os fatos, sendo as mais recorrentes: a lógica e a manipulada. Normalmente, veremos mais a manipulada, infelizmente.

Se pesquisarem na mídia, verão como notícia: “ANS suspende a venda de 123 planos de saúde”, isso naqueles veículos que se dizem “imparciais” e tentam passar essa imagem, em outros, verão: “Operadoras prestam serviço ruim e tem seus planos suspensos” e naqueles realmente ideológicos: “Grandes corporações da planos de saúde desrespeitam clientes e são punidas pela ANS (ou”pelo Governo”)”.

Contudo, a realidade é uma só. A ANS prejudicou os consumidores, como já vem prejudicando desde o dia de sua criação. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) coloca tantas regulamentações sobre o setor de saúde, que os planos das operadoras que atendem pessoas físicas são 75% mais caros que aquelas que atendem pessoas jurídicas e de planos por adesão, onde a regulamentação é pouca. Isso já serve para demonstrar o custo que a agência gera àqueles consumidores que mais necessitam do serviço: o cidadão “comum”.

Por cidadão “comum” entenda-se que me refiro àqueles que não possuem planos de saúde via empresas, mas que pagam planos individuais e/ou familiares via pessoa física. Acima disso tudo, me refiro aos que não possuem plano de saúde algum, ou seja, os mais pobres e que recorrem ao esquizofrênico Sistema Único de Saúde (SUS).

É simples, a ANS promove um custo de 75% a mais para os consumidores de planos de saúde individuais e, assim, acaba por excluir do acesso ao serviço justamente os consumidores mais pobres e que poderiam ter acesso a um plano de saúde privado, que mesmo não sendo uma maravilha (também com muita culpa da ANS novamente) consegue ser bem melhor que o SUS.

Ao mesmo tempo em que promove o encarecimento, a ANS também promove o sucateamento dos planos de saúde, pois as operadoras, para não falirem, se veem obrigadas a cortas custos e criar regras mais rígidas para seus clientes, assim como diminuir a qualidade do serviço oferecido. Então, o que faz a ANS? Coloca-se como a única capaz de resolver “falhas do mercado” (causadas por ela) e aumenta a quantidade de regulamentações, levando a mais corte de custos, fechamento de operadoras, suspensão de planos, encarecimento do produto/serviço e sucateamento do mesmo. E fica nesse ciclo vicioso!

Com o fim da ANS, o livre mercado promoverá o aumento considerável da concorrência, e como sempre ocorre, a livre concorrência obrigará os prestadores de serviços a melhorar o que oferecem e baixar preços, para não perderem clientes ao concorrente e não irem à bancarrota. A extinção dos custos gerados pela ANS permitirão uma “folga”  ampla para que as operadoras façam os ajustes necessários.

Mas e o consumidor? Ora, ele terá acesso a planos melhores e mais baratos. Não só isso, os consumidores de baixa renda terão acesso também, o que hoje é raro e quando ocorre são serviços quase tão ruins quanto o SUS. E quanto aos contratos e coberturas? Bem, os consumidores terão que se atentar a eles e aprenderem a negociar com os prestadores de serviços. Dizer que essa tarefa deve ser do Estado é o mesmo que afirmar que um bando de burocratas, isolados em Brasília, sem contato algum com os cidadãos, são capazes de decidir o que é melhor para cada indivíduo, que não conhecem, melhor do que o próprio indivíduo.

Chega de contratar mais do que precisamos, usamos ou queremos. Nosso direito de escolha deve ser respeitado e nosso bolso poupado.

O que a ANS fez recentemente não foi benéfico aos clientes dos planos de saúde suspensos. Ora, você tem 13.009 reclamações e tenta arrumar tudo deixando 1,1 milhão sem o serviço? Como isso ajudou? Os que reclamaram ficaram de vez sem os atendimentos e os que não reclamaram (ou estavam satisfeitos), que são mais de 98%, ficaram sem o serviço também. No fim, qual o resultado positivo? Ah, esperam que as operadoras melhores o serviços para recuperarem seus planos? E enquanto isso, o que fazem os 1,1 milhão de consumidores prejudicados com a atitude da ANS? Vão para o SUS? Estarão mais bem atendidos no sistema de saúde mais esquizofrênico existente?

Se a situação já estava ruim , tudo que a ANS conseguiu foi piorá-la.

*Jornalista, Assessor de Imprensa do Instituto Liberal e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça – roberto@institutoliberal.org.br

Fonte:

A Cara de Vitória – http://www.acaradevitoria.com.br/2014/08/saude-ans-suspende-venda-de-123-planos.html

Plano de saúde fica 71% mais caro – Diário de SP 15/10/2013 – Dados Fundação Procon e ANS http://diariosp.com.br/noticia/detalhe/58770/Plano+de+saude+individual+fica+71%25+mais+caro

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Voucher para medicamentos é mais eficiente e barato que o SUS (II)

Roberto Lacerda Barricelli*

Foi criado em 2004 o programa “Aqui Tem Farmácia Popular”, no qual farmácias privadas distribuem medicamentos para doenças específicas aos usuários do SUS que comparecerem com receita médica do atendimento público e documento de identidade.

Entre 2004 e 2012 houve aumento do acesso a medicamentos para diabetes em 303%, hipertensão em 417% e para asma em 94%. São 28.970 mil farmácias populares privadas atualmente, contra 545 da Rede Própria do governo (eram 557; o que mostra que está diminuindo). Porém, há uma falha, pois pelas farmácias conveniadas são permitidos apenas 20 (sendo que eram permitidos 25).

farmaciapopular

 

Enquanto os repasses para compra de medicamentos em 2011 foram de R$763 milhões e de R$1.855.464.058 (R$1.8 bilhão) em 2013 e R$909.971.053 em 2014 (até o momento), apenas para construir e mobiliar a mesma quantidade de unidades próprias custaria aproximadamente R$2,4 bilhões aos cofres públicos (custos de 2013, em 2014 seriam maiores devido à correção monetária por causa da inflação e aumento de preços). Em um sistema público de farmácias, além do custo de construção e mobiliário, o Governo tem o custo para aquisição e distribuição dos medicamentos, que mesmo se continuasse igual ao custo do Aqui tem Farmácia Popular, seria acrescido de custos administrativos. A grande vantagem do programa é que evita os custos com pessoal, encargos, distribuição, administração de estoque, manutenção de estrutura e medicamentos, transporte, mobiliário, telefone, licitação, etc, concentrando os custos apenas no pagamento dos medicamentos.

Aqui-Tem-F-P-Dados

No momento, há apenas as farmácias conveniadas podendo distribuir e só 20 medicamentos autorizados. Porém, lembremos que há 33,9% de impostos nos medicamentos, o que significa que ao desonerarmos os impostos sobre os medicamentos poderemos reduzir em 33,9% o seu custo, logo, gastar-se-á ainda menos, podendo expandir o sistema. Pode-se argumentar que o SUS distribui exponencialmente mais medicamentos, contudo, os custos com saúde pública são diminuídos com o programa de farmácias populares. Por exemplo, a quantidade de internações por asma diminuiu 16% em 2013.

Também é necessário que os pacientes possam usar receitas de médicos privados, pois ao obrigar que as receitas tenham que ser obtidas no sistema público (pensando em médicos públicos que receitarão remédios mais baratos) aumenta-se a demanda por este serviço, aumentando também sua escassez e elevando o custo. A estratégia de receitar remédios mais baratos também é falha, pois se o médico do SUS se recusar a receitar um remédio mais caro e este for melhor, o cidadão irá ao particular e obterá a receita, para depois processar o Estado e obter o medicamento, o que não evita o custo como era a intenção e ainda gera um custo adicional ao sistema judiciário. Houve em 2013 um gasto de R$2.798.005.706,87 (R$2.7 bilhões) com “medicamentos excepcionais”, a maioria com decisões judiciais obtidas por cidadãos.

Pelo sistema de voucher para medicamentos e a desburocratização da saúde (inclusive permitindo as receitas do setor privado) e das farmácias, qualquer cidadão carente pode escolher a farmácia na qual comprará o(s) medicamento(s), aumentando a concorrência por esse tipo de consumidor e obrigando as farmácias a investirem em promoções, qualidade e preços menores, para atraí-los, e ir ao médico privado (inclusive em clínicas populares, que já existem e a tendência é se expandirem, que cobram de R$40 a R$60 por consultas, permitindo o acesso ao serviço a diversas pessoas de baixa renda), diminuindo também o custo estatal com atendimentos. Isso significa que o custo de R$2.7 bi com medicamentos excepcionais via decisões judiciais não existirá (pois não será necessário processar para conseguir tais medicamentos). Menos pessoas precisarão de ajuda do Estado para adquirir remédios, pois estes ficam mais baratos, o que diminui o custo do próprio programa até que seja desnecessário no longo prazo.

Contudo, o que vemos é o Governo Federal prestes impor uma nova lei de regulamentação do setor farmacêutico, que aumentará seus custos, logo, afetará toda a estrutura das próprias farmácias populares, podendo ver algumas fecharem as portas, o que promoverá maior escassez, menor concorrência e aumento de preços, diminuindo o acesso aos cidadãos, principalmente os de baixa renda.

Se adotarmos o sistema de voucher, com desoneração e desregulamentação, o número de medicamentos ofertados aumentará e o custo diminuirá, permitindo maior equilíbrio das finanças públicas e estendendo o acesso a mais pessoas. Basta verificar que no sistema do Aqui Tem Farmácia Popular são atendidos 4.141 municípios, contra 441 da Rede Própria estatal. Contudo, há 5.570 municípios no Brasil, o que significa que em 1.429 municípios ainda há difícil acesso aos medicamentos para pessoas carentes que não sejam atendidas pela Rede Própria.

O Brasil deu um passo importante em 2004, agora falta evoluir para o sistema que melhor atenderá a população, com menos custo e maior qualidade, evitando um retrocesso que é a expansão da regulamentação ao setor farmacêutico.

*Jornalista, Assessor de Imprensa do Instituto Liberal/RJ e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça (IPJ)

Fontes:

Aqui Tem Farmácia Popular – Portal da Transparência do Ministério da Saúde – http://sage.saude.gov.br/paineis/aqt/corpao.php?uf_origem=BR-5570-201062789&cidade_origem=&uf_cidade=BR%20-%20BRASIL&no_estado=BRASIL

Blog do Ministério da Saúde – http://www.blog.saude.gov.br/

Portal do Ministério da Saúde – http://portalsaude.saude.gov.br

Estudo feito pela Organização da Farmácia Comunitária (Brasília, setembro/2011)- http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/132/encarte_farmAcia_comunitAria.pdf

Portal Brasil – http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2013/06/cresce-numero-de-municipios-no-brasil-em-2013

Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação – https://www.ibpt.org.br/

Portal de Transparência do Ministério da Saúde – Municípios atendidos: http://189.28.128.178/sage/paineis/aqt/tabelaFP.php?ufcidade=Brasil&ufs=&ibges=&cg=&tc=&re_giao=&rm=&ufcidade=Brasil&qt=5570%20munic%C3%ADpios&pop=201062789&cor=005984&output=html&title=

Portal de Transparência do Ministério da Saúde – Lista de medicamentos – http://189.28.128.178/sage/paineis/aqt/Aqui_Tem_FP_Medicamentos.pdf

Portal de Transparência do Ministério da Saúde – Rede de Farmácias próprias – http://189.28.128.178/sage/index.php?tp=3&pr=9

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Guido Mantega e a falácia da divisão de custos do setor elétrico

Mantega

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo dividirá com os consumidores os custos do setor de energia elétrica. Como essa divisão é possível, ministro, se o dinheiro utilizado pelo governo foi obtido mediante arrecadação tributária? Ou o Ministro não possui nenhuma noção de raciocínio lógico, ou está tentando ludibriar os cidadãos.

O dinheiro utilizado pelo governo já saiu dos nossos bolsos, como então podem dizer que dividirão a conta conosco? É o mesmo que morar com os pais, dizer que dividirá as contas da casa e para isso utilizar dinheiro que você pegou nas carteiras deles. Não faz o menor sentido. Essa divisão é irreal.

Inclusive, o próprio ministro admite que dos R$12 bilhões de custos do setor, os R$4 bilhões que serão “investidos” pelo governo para “dividir” os custos com os consumidores, que arcariam “apenas” com R$8 bilhões, serão compensados através de “aumentos programados de alguns tributos”. Ou seja, os cidadãos arcarão com os R$12 bilhões, sendo R$8 bilhões diretamente e indiretamente com R$4 bilhões já recolhidos pelo governo (com o dinheiro de nossos impostos) e ainda terá que pagar ao governo os R$4 bilhões (já pagos com impostos anteriores) que este utilizará

Vejamos, imagina que lhe dou R$4 para você investir em algo de meu interesse, então você resolve investir em um setor onde terei que colocar mais R$8 em cima, totalizando R$12 (os R$4 iniciais + os R$8 finais). E, no entanto, eu terei que te dar mais R$4 para “ressarcir” o que você investiu, sendo que esse dinheiro eu já lhe tinha pagado no começo.

Resumindo, o Governo utilizará R$4 bilhões que já lhe pagamos através de impostos anteriores e depois aumentará impostos para que paguemos de volta esses R$4 bilhões. No final, pagamos os R$4 bilhões ao governo e arcamos com os R$12 bilhões do setor elétrico, uma conta de R$16 bilhões.

Agora, se o governo não interferisse? Então, pagaríamos R$12 bilhões e ao invés de aumento de impostos, o governo teria que desregulamentar e desonerar os impostos, para que inexistisse a interferência. Essas ações permitiriam o fomento ao livre mercado, com mais empresas entrando no setor e obrigando as anteriores a concorrerem pelos consumidores. A livre concorrência leva à necessidade de prestar bons serviços e oferecer preços menores que dos concorrentes.

Mas o governo prefere sempre o intervencionismo, que impossibilita a entrada de novas empresas no setor e o mantém nas mãos de poucas, às quais subsidia com o nosso dinheiro e garante o lucro, ou no mínimo os custos fixos. Ora, se a empresa já tem o custo e/ou os lucros garantidos e não há concorrência, por que prestará bons serviços e oferecerá preços menores?

O intervencionismo leva ao sucateamento dos serviços e cobrança de valores maiores do que realmente valem.

Então aparece o senhor ministro da Fazenda, Guido Mantega, e nos diz que “o Governo dividirá a conta”. Que maravilha, não?

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Folha de São Paulo – http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/03/1425079-tesouro-e-consumidores-dividirao-conta-de-r-12-bi-do-setor-eletrico.shtml

Estadão – http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,governo-dara-mais-r-4-bi-ao-setor-eletrico-conta-de-luz-deve-subir-em-2015,179591,0.htm

G1 – http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/03/cidadaos-brasileiros-vao-pagar-conta-dos-subsidios-ao-setor-eletrico.html

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Taxa alfandegária, Protecionismo e Livre Mercado

protecionismo

No Brasil pratica-se taxa alfandegária de 60% para produtos acima de US$50 (incluindo custos de remessa no cálculo e que sejam enviados de pessoa física para pessoa física). São isentos de impostos livros, jornais e periódicos impressos em papel.

Até US$500 paga-se o imposto no momento da retirada do bem, na unidade de serviço postal, de maneira bem mais simples. Ultrapassando esse valor, o destinatário é obrigado a apresentar Declaração Simplificada de Importação (DSI).

As desculpas utilizadas para legitimar essa taxa alfandegária tão alta são: proteger a indústria nacional e evitar a fuga excessiva de dólares do país. Contudo, esse protecionismo prejudica os próprios consumidores.

Ao proteger a indústria nacional da concorrência, o Governo brasileiro elimina a principal motivação dessa para investir em qualidade e preços baixos/acessíveis. Ora, se não preciso me preocupar com concorrência de empresas com produtos de qualidade e preços menores, então, não há necessidade de desenvolver meus produtos para que tenham o máximo de qualidade e preços menores. Inclusive, como esse pensamento é o predominante, a concorrência nacional praticamente inexiste, pois as demais indústrias passam a produzir também produtos inferiores e praticar preços parecidos, com diferença mínima de valores e ofertas ou promoções apenas quando estritamente necessário ou em épocas de estoque alto e pouca demanda.

A taxa alfandegária passou de tributação para confiscatória e inibe o acesso de diversos indivíduos a produtos melhores e mais baratos para obrigá-los a consumir produtos mais caros e inferiores produzidos no Brasil. Acompanham a taxa alfandegária: o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

Pegando como exemplo o Estado de São Paulo, o ICMS varia de 7% para certos alimentos básicos (arroz e feijão, por exemplo) até 25% para supérfluos como perfumes e cosméticos, sendo o percentual dos demais produtos que não se encaixam nessas categorias fixado em 18%, segundo o site da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. O IPI na importação pode chegar a até 55% (como no caso de veículos importados). Pessoas físicas que comprem os bens para uso próprio podem solicitar isenção ou restituição de IPI.

Mas que o leitor não se iluda e pense que é graças aos impostos de importação que temos montadoras multinacionais instaladas no território brasileiro. Claro, os impostos de importação são muito altos e deveria compensar consideravelmente produzir os veículos no país. Mas se assim fosse, a GM não levaria sua operação da linha de veículos de passageiros de São José dos Campos/SP para Rosário (na Argentina).

Ocorre que ao mesmo tempo em que a importação de produtos pelas empresas está abarrotada de impostos e em três etapas (importação, distribuição e comércio), os impostos internos também são altos e às vezes acabam por compensar a produção em países com acordos comerciais com o Brasil (como participantes do MERCOSUL) ou que ofereçam benefícios fiscais que diminuam o custo o suficiente para compensar a o comércio no país via importadoras.

Os custos sobre folha de pagamento, impostos diretos e indiretos, logística (inflados pela má estrutura de transportes no país) e outros, afastam do Brasil muitas empresas e investidores internacionais, que preferem trabalhar com importadoras, principalmente quando são os únicos fabricantes de determinados produtos. Por qual motivo montarei uma indústria no Brasil se sou o único fabricante do produto e se os brasileiros quiserem consumi-lo terão que comprá-lo de mim de qualquer jeito? Melhor economizar o dinheiro que seria gasto para me instalar no pais e comercializar através de importadoras e distribuidoras.

Temos então dois cenários: o protecionismo contra produtos importados e contra as próprias empresas estrangeiras que carecem de incentivos para se instalarem no Brasil. Há casos raros de empresas que se instalam aqui mesmo sendo as únicas fabricantes de determinados produtos. No entanto, o preço praticado continua alto, ou o mesmo da importação, devido à falta de concorrência em território nacional. É o caso da Apple, por exemplo, cuja instalação de uma indústria nacional para fabricação do iPhone ocorreu em Jundiaí/SP e o preço deste continuou o mesmo. Só a Apple possui o aparelho, então, quem quiser consumi-lo terá que comprar dela e ponto. No máximo, quem não tiver condições comprará um genérico desses de barraquinha por R$200,00 e que durará algum tempo. Sem garantia, qualidade muito inferior e sem possibilidade de ressarcimento caso haja algum defeito. Como quem faz isso é o pobre, adivinhem quem é mais prejudicado?

O protecionismo inibe o desenvolvimento da indústria nacional e possibilita o controle do mercado por oligopólios formados pelo Estado, monopólios e cartéis. O fim do protecionismo seguido por desregulamentação do setor industrial e corte dos impostos proporciona um ambiente de Livre Mercado, onde há concorrência. A concorrência obriga as empresas a investirem em qualificação, treinamento e valorização dos trabalhadores para diminuir custos com erros administrativos e operacionais, na qualidade dos produtos e serviços e em desenvolvimento de técnicas que permitam oferecer estes a preços menores que os concorrentes.

No Livre Mercado, mesmo empresas como a Apple são obrigadas a agirem como uma concorrentes entre várias outras, pois há mais opções no mercado, o perigo de outras empresas produzirem aparelhos similares e nesse ambiente pequenas alterações nos preços resulta em diminuição (se aumentar o preço) ou aumento (se diminuir o preço) da demanda significativamente. A isso chamamos de concorrência de substitutos, concorrência potencial e elasticidade da demanda e já tratei desse assunto em outros artigos, mas tornarei a fazer isto neste.

A concorrência de substitutos consiste no indivíduo consumir um produto mais barato e que atenda a sua demanda que o oferecido pela empresa monopolística. Por exemplo, o iPhone está muito caro, ou os serviços da Apple o estão, logo, comprarei um aparelho de outra marca que atenda ao que desejo e seja mais barato, com funções parecidas.

A concorrência potencial significa que se a Apple não atender a demanda com qualidade e oferecendo preços baixos ou compatíveis, a qualquer momento outra empresa pode entrar no mercado de iPhone, mudando apenas o nome do aparelho, mas fabricando e comercializando um produto muito parecido (similar), com igual qualidade (ou maior) e preços menores. A Apple perderá fatia importante do mercado.

Por fim, a elasticidade da demanda consiste no fato de que pequenos aumentos nos preços de produtos e serviços resultam em diminuição do consumo destes. Se a Apple aumentar o preço do iPhone ou dos serviços prestados, os consumidores podem diminuir o próprio consumo desses serviços e pelo produto, afetando os lucros da empresa.

Bem, fica claro que nos três casos a empresa monopolística é obrigada a investir em qualidade e preços menores para não perder clientes e ter seu lucro consideravelmente afetado. No entanto, isso não ocorre em um ambiente de protecionismo estatal. Primeiro, porque são pouquíssimas as empresas estrangeiras que se instalarão no país (preferindo os custos da importação aos de instalação e operação no país), segundo, porque serão poucas as empresas nacionais que surgirão devido ao excesso de regulamentações internas e carga tributária nacional abusiva (que permite a apenas alguns empresários, normalmente amigos do Estado, abrirem e manterem empresas em diversos setores (como fabricação de telefones, telecomunicações e produção de veículos), pois só eles terão condições financeiras e políticas para isso) e por fim o protecionismo causa uma sensação de risco ínfimo e retira a motivação das empresas que estão instaladas no país, sejam nacionais ou estrangeiras, em investir na qualidade e preços menores de produtos e serviços.

Quem acaba mais prejudicado por isso é o indivíduo mais pobre que se vê obrigado a consumir produtos e serviços inferiores a preços maiores, os bons são ainda mais caros. O rico paga o valor que for e pronto.

Há diversas formas de protecionismo, neste artigo tratei da taxa alfandegária e impostos correlacionados, mas nos próximos falarei das demais.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Imagem – Guilherme Boni (Editor do liberball.blogspot.com.br)

Tecnoblog – http://tecnoblog.net/83254/iphone-em-producao-sao-paulo/

Receita Federal (TIPI) – http://www.receita.fazenda.gov.br/aliquotas/tabincidipitipi.htm

Receita Federal (IPI) – http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/ipi/conceito.htm

Receita Federal (Importação) – http://www.receita.fazenda.gov.br/aduana/rts.htm

Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo – http://www.fazenda.sp.gov.br/oquee/oq_icms.shtm

Exame – http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/noticias/carro-importado-pode-custar-ate-40-mais-barato/

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Principal prejudicado pelo aumento do IOF será o “trabalhador comum”

IOF

A irresponsabilidade fiscal dos últimos 11 anos de PT no Governo Federal uma hora teria que estourar e isso ocorreu durante o governo da presidente Dilma Rousseff. O Brasil teve sua nota de risco aumentada devido ao déficit fiscal acumulado desde 2004. Esse aumento na classificação de risco afasta novos investimentos estrangeiros no país, gerando menos riqueza, renda e postos de trabalho.

Portanto, ficou clara a necessidade do ajuste fiscal, mas como fazer isso em um país onde a dívida interna pública não para de crescer e consome mais de R$600 bilhões do orçamento anual? Para compreender a gravidade do problema segue os dados:

– O Governo Federal gasta aproximadamente R$600 bilhões ao ano com juros e amortizações da dívida, sendo que em 2013 o valor despendido para tal foi de R$706.559.628.408,00 e segundo a Lei do Orçamento Anual (LOA) da União 2014 o valor será de R$1.001.726.830.005,00 (R$1 trilhão).

– O déficit fiscal nos últimos 11 anos foi de R$1.179 trilhão, sendo R$308,1 bilhões no primeiro mandato de Lula, R$336,3 bilhões no segundo e o déficit de Dilma está previsto para fechar, em 2014, em R$534,6 bilhões.

E claro que para cobrir o rombo e cumprir as defasadas metas fiscais quem pagará a conta é o “contribuinte”. O Governo Federal efetua cortes ínfimos nas gastança e aumenta anualmente o orçamento, sendo que boa parte é destinada apenas ao pagamento de juros, encargos e amortizações da dívida interna pública.

E com essa “meta” de diminuir o déficit fiscal e evitar o risco de calote interno, ao invés de o Governo cortar gastos, diminuir custos e privatizar empresas estatais custosas e ineficientes, o que ocorre é o aumento de impostos para que o cidadão continue arcando com a farra. E como todo imposto acaba afetando os trabalhadores sempre mais do que empresários. É simples, mesmo que o Governo só aumentasse impostos sobre os empresários, quem pagaria no final são os trabalhadores que perderiam seus empregos no processo de ajuste das empresas ao aumento dos custos proporcionado pelo imposto maior. Porém, na podemos esquecer que os trabalhadores são também consumidores e como tal também pagariam pelo aumento do imposto através do repasse parcial ou total deste aos preços de serviços e produtos ao consumidor final. A geração de postos de trabalho também diminui e os poucos que são gerados oferecem remunerações e benefícios menores. Resumindo temos: mais desemprego, desvalorização do trabalhador e salários menores para pagar por produtos e serviços mais caros.

Se o imposto aumenta diretamente sobre o trabalhador/consumidor a capacidade de consumo deste diminui afetando o lucro das empresas que para manterem-se ativas ou recorrem a empréstimos estatais (com o nosso dinheiro) e/ou efetuam cortes, ou seja, o resultado é similar ao exposto no parágrafo imediatamente anterior a este.

Fica provado que aumentar os impostos pensando nos “mais ricos” sempre afeta mais aos “menos ricos” e/ou “mais pobres” que dependem dos empregos ofertados pelos primeiros para obter renda.

Não será diferente com o IOF. Muitos pensarão: “Ora, mas o IOF foi aumentado para operações com cartões e cheques de viagem (traveller checks) utilizados para compras no exterior. Logo, afetará os ricos que possuem a capacidade de gastar fora do país”. Pense de novo!

O IOF aumentou de 0,38% para 6,38% nas operações citadas, contudo, manteve-se em 0,38% para compra de moeda estrangeira no Brasil. Essa tática pode parecer um incentivo a permanência de capital no país, mas vamos analisar com calma.

Quem tem viajado mais para outros países? Que “classe” tem aumentado sua capacidade de consumo dentro e fora do país? Sim, a “classe” trabalhadora. Os trabalhadores têm viajado cada vez mais para outros países, seja para os Estados Unidos, Argentina, Chile, México, Canadá, Espanha, etc.

Então, para viabilizar tais viagens e os gastos com estadia, sobrevivência e consumo, a quais meios esses trabalhadores mais recorrem? Obviamente que cartões de crédito, débito em certos casos e traveller checks comprados através de uma “programação” financeira. Com a alíquota a 6,38% para esses meios de pagamento fica mais difícil viajar e consumir fora do país para essas pessoas, pois os ricos podem comprar a moeda estrangeira nas casas de câmbio brasileiras (e até “por fora”) em valor suficiente para garantir o consumo total ou “básico”. Também eles sentem menos os efeitos do aumento de impostos.

E se aumentarem o imposto também sobre a compra da moeda estrangeira no Brasil? Então os ricos serão um pouco mais afetados, porém continuarão sentindo menos que os “trabalhadores comuns”. Se só os impostos dessa operação aumentar e os demais permanecerem em 0,38%? Então os ricos utilizarão mais os outros meios.

Outro detalhe, os ricos têm capacidade financeira para manterem contas em outros países, pagando menos impostos utilizando os cartões e cheques dessas contas. Logo, se o imposto sobre eles fosse percentualmente maior do que sobre os demais, conseguiriam “escapar” legalmente do pagamento e também haveria incentivo para manterem mais dinheiro nessas contas fora do Brasil. Mais dinheiro fora, menos dinheiro sendo investido no país, prejudicando a geração de empregos e renda (lembra-se que são esse “mais ricos” os responsáveis pela oferta de empregos?).

As MPEs são responsáveis pela maioria dos empregos no país, sim, mas nas contas do Governo os Micro e Pequenos Empresários estão entre esses “mais ricos” quando se trata de tributação. Também são muitas as que prestam serviços para as Médias e Grandes Empresas e que dependem da saúde financeira destas para lucrar.

O ideal é que não haja aumento algum de imposto e o Governo corte gastos, privatize empresas estatais, privatize os serviços, troque o sistema atual de prestação dos serviços pelo de vouchers (desonerando e desregulamentando totalmente os setores envolvidos como Saúde, Educação e Transporte, para que ficasse mais barato e de melhor qualidade). O voucher é um “mal menor”, pois não deixa de ser assistencialismo estatal, no entanto, o sistema diminui o estado, melhor e barateia os serviços, reduz custos/gastos e leva ao fim de si mesmo no longo prazo.

Enquanto vivermos sob a sombra de um Estado babá e gigantesco, todas as “medidas” sociais, fiscais e econômicas sempre serão pagas com o nosso dinheiro, sendo que quando “der errado” o rombo será “tampado” através de mais (roubo) impostos, diminuindo o dinamismo da atividade econômica e prejudicando trabalhadores/consumidores seja com aumento do custo de vida e/ou da diminuição da própria renda.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Senado – Execução Orçamentária de Loa – http://www12.senado.gov.br/orcamento/loa

Câmara dos Deputados – Receita e Despesa do Orçamento Fiscal por Categoria Econômica – http://www.camara.gov.br/internet/comissao/index/mista/orca/orcamento/OR2014/red_final/vol1/V01_08_1A_quadro1.pdf

Correio Braziliense – Rombo no governo da Presidente Dilma será de R$534 bilhões – http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2013/11/09/internas_economia,397967/rombo-no-governo-da-presidente-dilma-sera-de-r-534-bilhoes.shtml

Estadão – http://estadao.br.msn.com/economia/governo-eleva-imposto-para-saques-e-uso-de-cart%C3%B5es-no-exterior

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Primeiros resultados do (futuro) retorno do IPI

IPI-2014

Mal o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou o retorno gradual do IPI à linha automotiva e os primeiros resultados nefastos já dão as caras.

A fábrica da General Mortors (GM) em São José dos Campos (SP) emitiu comunicado via telegrama para seus funcionários da linha de montagem de veículos de passageiros (conhecida como MVA) informando o fim de tal operação e a demissão dos mesmos. Não se sabe ainda quantos serão demitidos no total, mas pode-se chegar até 750, sendo que 304 já haviam aderido ao programa de demissão voluntária.

O aumento de impostos sobre as empresas resulta em cortes, começando por funcionários, benefícios não previstos por lei (como o “cafezinho”, bônus não contratuais, etc). Também se freia a geração de emprego, podendo haver déficit, ou seja, mais profissionais retornando ao desemprego do que a oferta de emprego disponível e futura suportará, causando problemas financeiros e sociais sérios no curto prazo às famílias que não possuem poupança e podendo piorar a situação, pela absorção desses desempregados pelo mercado só no longo prazo. (O aumento de impostos sobre os trabalhadores resulta em menos atividade econômica dos mesmos e produz resultados semelhantes ou piores dependendo também do impacto da inflação sobre os salários).

Os desempregados podem ficar nessa situação por muito tempo até que as empresas consigam reabsorver (ao menos) a “maioria”. Por enquanto, “apenas” entre 304 e 750 postos de trabalho foram extintos (pelas informações atuais). Medidas eficientes são: cortar a burocracia estatal, diminuir a intervenção do Estado na economia e conceder isenções fiscais (como cortar a alíquota do IPI a 0% e impostos sobre as folhas de pagamento).

O Governo brasileiro há anos gasta mais do que tem a capacidade de pagar e gasta mal. Não há responsabilidade com o dinheiro do “contribuinte”, gastando-o em: projetos que custam bilhões e nunca ficam prontos (como a transposição do Rio São Francisco), benefícios absurdos aos burocratas que elegemos (cartões corporativos, auxílios mobília, viagens em aviões da FAB, estadia da Presidente em Hotéis luxuosos para visitas “diplomáticas”, junto com toda sua comitiva, etc), programas para distribuição de esmolas; sem a contrapartida do acesso à educação básica privada e de qualidade, nem de manutenção e/ou expansão da atividade econômica dos “assistidos”, mensalões, mensalinhos, máfia de fiscais, propinodutos, financiamento de cartéis, serviços públicos custosos e ruins, dinheiro para salvar estatais que o Governo levou à beira da falência e empresas “privadas” ruins de “amigos do Rei”, etc.

Mas qual a novidade? O Estado sempre foi um mau prestador de serviços e um péssimo produtor. Isso se deve a ineficiência da gestão estatal, mas não por simples e pura ineficiência. O Estado não possui concorrentes, sendo o maior monopólio existente, também não visa o lucro, pois o dinheiro está garantido pelo assalto aos cidadãos que chamam de impostos/tributos/taxas/tarifas, por não estar sob a predominância da lei da oferta e da procura e por tudo isso impossibilitar o cálculo de preços, sendo que os recursos são finitos.

Esses fatores impossibilitam que o Estado seja um bom gestor e provedor, mesmo se tivesse indivíduos competentes no comando; o que não é o caso.

A iniciativa privada visa o lucro e para obtê-lo precisa enfrentar a concorrência, investindo no desenvolvimento e melhoria contínuos de produtos e serviços, aumentando a qualidade e mantendo os preços acessíveis e competitivos. Não há indivíduos que se dizem “bem intencionados”, mas empresários ambiciosos que precisam obedecer às leis de mercado se quiserem manter a lucratividade. A principal lei do mercado é a da oferta e da demanda, ou seja, a necessidade de oferecer ao consumidor aquilo que ele deseja, com qualidade melhor e/ou preços mais atrativos que dos concorrentes. Essa lei leva o empresário a promover o interesses dos consumidores e dos trabalhadores (investindo na melhoria dos processos, na qualificação de seus funcionários e na motivação destes). A demanda por maior qualificação cria a oferta de maiores salários e benefícios além de melhores condições de trabalho.

A conta é simples, se o Estado aumenta os impostos sobre os empregadores, estes cortam e/ou deixam de gerar postos de trabalho, aumentando o desemprego, que por sua vez diminui a atividade econômica (principalmente o consumo), afetando os lucros desses empresários e levando a mais demissões e cortes de gastos. Se o Estado corta impostos, permite que as empresas sejam mais competitivas, obtenham lucros maiores, que possibilitam maiores investimentos em si próprias, gerando mais empregos, riqueza e distribuição de renda via trabalho. Mas para o sistema funcionar, o corte de impostos precisa estar acompanhado do corte de burocracias/regulamentações, para permitir a entrada de mais empresas nos diversos setores da economia, aumentando a concorrência, que obriga as empresas a investirem em tudo que foi mencionado nos parágrafos anteriores a este (qualidade, preços baixos, qualificação da mão de obra, motivação dos trabalhadores, etc).

No fim, o empresário, movido por um interesse pessoal (de lucrar) acaba promovendo o bem estar social melhor que o Estado, desde que não haja a intervenção deste pelo caminho, o que nos leva de volta ao retorno do IPI.

Ao aumentar o IPI de 2% para 3% em janeiro e 7% em julho (caso dos carros populares), o Governo Federal elevou o custo administrativo/operacional das montadoras. As demissões eram questão de tempo e foram mais rápidas do que provavelmente se poderia prever. Postos de trabalho serão perdidos e a “esperança” é que o mercado consiga reabsorver esses trabalhadores. No entanto, como o aumento afetará todas as montadoras, a geração de empregos corre sério risco de entrar em recesso. Logo, quem absorverá esses operários? Onde trabalharão? Ora, terão que se readaptar ao mercado e/ou buscar empregos em metalúrgicas de outros setores, mas que estejam dentro de suas capacidades/qualificações. Mas qual a capacidade dessas empresas de absorver esses profissionais? Sem desonerações e corte de burocracia, não devemos ficar otimistas.

O que parece que não passou pela cabeça de muitos é que não só as empresas e seus funcionários serão afetados, mas os consumidores também.

Alguns veículos midiáticos noticiaram que a alta dos preços será inferior ao preço de um filé mignon. Quero saber que filé mignon é esse que vale até 5% de um carro? A taxa de juros é importante? Claro, pois impacta nos financiamentos, mas qualquer aumento proporcionando pelo Estado é prejudicial e soma-se aos anteriores, com resultados semelhantes.

O Estado esquece que as financeiras, bancos e as próprias montadoras costumam oferecer condições especiais para financiamento de veículos, reduzindo juros para determinados valores e/ou automóveis específicos. Tanto que os juros oferecidos pelas montadoras costumam ser bem mais vantajosos que dos bancos e outras financeiras, chegando até a 0% ao mês para compra de carro zero, independente da taxa básica de juros (Selic) manipulável pelo Governo. Isso significa que o aumento da Selic pelo Governo Federal não resulta necessariamente no aumento dos juros dos contratos, enquanto o aumento de imposto resulta necessariamente no aumento do valor do bem a ser financiado e sobre o qual incidirão os juros. Some isso ao desestímulo ao aumento do risco de inadimplência pelo aumento no preço do bem financiado e da parcela mensal que resulta em desestímulo para a prática de juros menores ou a 0%. Teremos juros maiores sobre valores maiores.

Se o Governo eleva o IPI, o preço final também aumenta, logo, os financiamentos ficam mais caros e o setor financeiro mais rígido para conceder crédito, dificultando o acesso a tais bens a consumidores que antes conseguiriam a aprovação do crédito, restringindo-o aos consumidores com mais capacidade financeira. Logo, quem tiver condições de dar uma entrada maior conseguirá abater os juros e aliviar as prestações, facilitando a aprovação do crédito, enquanto o trabalhador comum e os mais pobres (para os quais o resultado é pior, pois o maior aumento do IPI ocorrerá sobre os veículos populares) que normalmente terão ou que esperar mais tempo para juntar mais dinheiro para a entrada, ou financiar um veículo inferior e/ou mais velho, pagando mais para obter menos, pois do contrário será muito difícil o acesso ao crédito.

Resumindo, os mais pobres terão que se contentar com carros inferiores a preços que antes eram dos modelos superiores. A classe média terá que pagar mais para ter o mesmo, ou menos. E os ricos continuam comprando o que quiserem, pois podem comprar à vista e possuem acesso a crédito “ilimitado” e mais barato.

O aumento do IPI não resulta em mais “igualdade” e “justiça social”, mas em impactos negativos aos trabalhadores/consumidores (principalmente mais pobres).

Por fora de tudo isso está o embate entre o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) com a GM, pois enquanto o primeiro pretende acionar o TRT para impedir as demissões, a empresa garante ter um acordo com o Sindicato, assinado desde o começo de 2013, onde informa ao mesmo o encerramento da MVA em 31/12/2013 e o corte dos funcionários. O Sindicato também afirma que há um acordo entre montadoras e o Ministro Guido Mantega para que essas garantissem os empregos e em troca o aumento do IPI seria gradual, contudo, se for verdade, tal acordo ocorreu muito após o acordo do começo do ano para encerramento da MVA e demissões planejadas. O acordo com Mantega se reservaria aos demais trabalhadores que não estavam nos planos de cortes das montadores previamente acordados com estes e os sindicatos aos quais estão filiados.

Mas falarei mais e melhor sobre esse embate no meu próximo artigo.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

O Globo – http://oglobo.globo.com/economia/as-vesperas-do-ano-novo-gm-demite-em-massa-11175767

Site da Revista Veja – Economia – http://veja.abril.com.br/noticia/economia/operarios-da-gm-sao-demitidos-na-vespera-do-ano-novo

O Estado de São Paulo (Estadão) – Economia – http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-aumento-do-ipi-autos-e-apenas-parte-do-problema-,1113002,0.htm

Exame – Seu Dinheiro – http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/carros/noticias/financiar-carro-na-montadora-pode-gerar-economia-de-r-7-mil

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A verdade por trás do preço do Playstation 4

PS4

Os viciados em games e fãs do Playstation 4 (PS4) ficaram abismados com o preço deste no Brasil. Imediatamente os socialistas de plantão culparam a “malvadona corporação capitalista exploradora” Sony, dizendo que a culpa é da prática de lucros exorbitantes. Na defensiva a Sony colocou a culpa nos impostos e houve quem defendesse tal tese. Porém, quais são os números reais? Vamos aos fatos.

Segundo a Sony, o PS4 chega aos portos brasileiros com o custo total de R$858,00, incluso o Valor Aduaneiro, ou seja, todos os custos necessários para que ele desembarque no porto brasileiro: frete, seguro, taxas aduaneiras, etc.

Sobre o PS4 incidirão quatro tributos: Imposto de Importação, PIS/COFINS e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), todos federais, e o Imposto sobre a Circulação de Produtos e Serviços (ICMS) que é estadual. Esses impostos incidirão em três momentos: importação, distribuição e varejo.

O primeiro a incidir é o de importação, sendo a alíquota para jogos eletrônicos de vídeo fixada em 20%. Para a incidência do imposto será considerado o Valor Aduaneiro (R$858,00) resultando em R$171,60 de imposto. Na sequência incidirá o IPI, que considerará como base de cálculo o Valor Aduaneiro somado ao Imposto de Importação (R$1.029,60). A alíquota do IPI específica para jogos eletrônicos de vídeo está fixada em 50%. Logo, teremos mais R$514,80 de imposto.

O terceiro imposto a incidir é o PIS/COFINS, considerando como base de cálculo apenas o Valor Aduaneiro (R$858,00). Sabendo que a alíquota é de 9,25% (1,65% de PIS e 7,6% de COFINS), teremos mais R$79,37 de imposto. Até este momento temos um valor total de R$1.544,40 com os impostos embutidos (80% mais caro que o valor real).

Por fim, incidirá o ICMS. Utilizando de exemplo o Estado de São Paulo, a alíquota do ICMS é de 25% e a base de cálculo é o Valor Aduaneiro mais todos os impostos que já incidiram (R$1.544,40), resultando em R$386,10 em impostos. Só para que o Playstation 4 seja retirado do porto o custo com impostos será de R$2.009,87. Haverá mais dois momentos de incidência de impostos: a distribuição para lojistas (IPI, PIS/COFINS e ICMS) e a venda aos consumidores finais.

Para calcular a partir de agora preciso saber qual a margem de lucro embutida. Como tal informação não está disponível terei que partir de cálculos por tentativa e erro baseado na seguinte lógica: o preço conhecido do varejo (R$3.999,00) e grandes lojas da internet oferecem descontos de 10% para pagamentos à vista, logo o lucro tem que ser superior a esse valor para comportar o desconto. Obtive o seguinte resultado: 20% de margem de lucro na distribuição (que inclusive é o valor mínimo de lucro de uma importadora de vídeo game, segundo a Instrução Normativa 1312/12 da Receita Federal) e 29% no varejo (margem de lucro dos varejistas + o necessário para arcar com impostos e conceder o desconto de 10% à vista).

O R$2.009,87 acrescidos dos 20% da distribuição ao custo de importação temos R$2.411,84. Incidirá sobre esse valor o ICMS de 25% (descontado do valor recolhido na importação devido ao princípio da não cumulatividade) e do PIS/COFINS de 9,25% (que segue o mesmo princípio). Logo, de ICMS temos R$602,96 subtraído dos R$386,10 pagos na importação resultando em R$216,86. O PIS/COFINS a ser recolhido será de R$143,73 após subtração do valor recolhido na importação. Ainda sobre o preço de distribuição acrescido de ICMS e PIS/CPFINS (R$2.411,84) haverá incidência de 50% de IPI (R$1.205,92) subtraído do IPI pago na importação (R$514,80). Logo, o IPI a ser pago na distribuição será de R$691,12. Nesta etapa o PS4 deveria chegar ao comércio por R$3.463,55, porém, dos 20% de lucro que caberiam a Sony, ela retira o necessário para pagar o ICMS e o PIS/COFINS (R$360,59) e repassa o console à R$3.102,96.

Acrescentemos a esse valor mais 29% de margem do lojista, necessária para custear os impostos que incidirão e oferecer os 10% de desconto no pagamento à vista como ocorre na maioria das lojas que comercializam o PS4. No comércio incidirão o ICMS (25%) e o PIS/COFINS (9,25%) dos quais serão subtraídos os impostos pagos na importação e distribuição. Sendo assim, o ICMS será 25% x R$3.102,96 – R$602,96 = R$397,04 a recolher. O PIS/COFINS será de 9,25% x R$3.102,96 – R$223,10 = R$146,90 a serem recolhidos.

No total temos R$2.747,52 em impostos sobre o PS4 e R$1.251,48 o que realmente pagamos (como consumidores finais) diretamente pelo produto.

Para refutar de vez os idiotas úteis que acusam a Sony de “lucrar demais”, saibam que o lucro de distribuição da Sony no Brasil sobre o PS4 é de R$41,38 por cada vídeo game (1,73% do total) a partir dos cálculos apresentados, enquanto o lucro bruto do lojista é de aproximadamente 8,85% do preço (R$353.91), devido à renúncia de parte desse lucro como desconto ao consumidor que pagar à vista e dos impostos incidentes. Lembrando que desse lucro bruto, pois dele o lojista retirará os recursos para pagar salários e encargos sociais de funcionários, as contas de água e eletricidade, aluguel (se não for estabelecimento próprio), comissões, etc.

Ora, mas a Sony não precisa ter um lucro mínimo de 20% segundo a Instrução Normativa 1312/12 para fins de cálculo? Sim, porém a Sony não repassa esses 20% de “lucro líquido” aos comerciantes, pois se fizesse isso o preço do PS4 ficaria em aproximadamente R$4.256,40. Como informado anteriormente, a Sony utiliza a maior parte desses 20% para pagar o ICMS e PIS/COFINS que incidem na etapa de distribuição (R$360,59), sendo que seu lucro de 20%, sobre o valor de importação com os impostos (R$2.009,87), seria de R$401,97, descontados os R$360,59 mencionados, chegamos ao valor de R$41,38 informado no parágrafo anterior.

Resta dúvida de qual é o verdadeiro vilão? As fontes estão logo abaixo. Muitas pessoas efetuam cálculos informando que “a Sony tem mais de R$2.000 de lucro”, porém, nesses cálculos, eles utilizam apenas os impostos da etapa de importação e quando se lembram do ICMS, colocam o menor possível no cálculo (há Estado com tarifa menor que a de São Paulo). Pergunto-me sarcasticamente, porque será que fazem isso?

Os cálculos foram feitos com o dólar comercial a R$2,20, valor da época de lançamento do PS4 no Brasil (sendo que o valor atual é de R$2,33). Resumo, por não alterar o preço, os lojistas e a Sony apertaram mais ainda o cinto e/ou o valor de distribuição em dólar deve estar abaixo dos US$390 anunciados à época (podem ter conseguido baixar os custos de algum modo). Sem contar que há muitos PS4 “encalhados” ainda e que foram adquiridos no câmbio à R$2,20. O que será que ocorrerá quando essas lojas tiverem que renovar os estoques?

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Regulamento Federal das operações de comércio exterior – http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Decretos/2002/dec4543.htm

PIS/COFINShttp://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/leis/2004/lei10865.htm

Regulamento para recolhimento do ICMS no Estado de São Paulo – http://info.fazenda.sp.gov.br/NXT/gateway.dll/legislacao_tributaria/Regulamento_icms/art052.htm

Infográfico Sony – http://blog.br.playstation.com/2013/10/21/gamers-brasileiros-nos-ouvimos-voces/

Dólar Comercial em 18/12/2013http://economia.uol.com.br/cotacoes/cambio/dolar-comercial-estados-unidos/

Site da Americanas – http://www.americanas.com.br/produto/116661370/console-playstation-4-500gb-importado?epar=googlepla&opn=YSMESP&WT.srch=1

Site da Ricardo Eletro – http://www.ricardoeletro.com.br/Produto/Playstation-4-com-500GB-NOVO-Controle-Sem-Fio-DualShock-4-Fone-de-Ouvido-Cabo-HDMI/47-4635-4638-385865/?utm_source=Google_Shopping&prc=4388&utm_medium=CPC_Games_Google_Shopping&utm_campaign=Playstation_4&utm_content=Playstation_4_Console&cda=FAE7-5C56-6440-9F90&gclid=CNbfxK6OursCFe3m7AodjBkAEw&gclsrc=aw.ds

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