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O nacionalismo predatório nas relações trabalhistas

Workers are seen inside a Foxconn factory in the township of Longhua in the southern Guangdong province

Da série CLT – Ruim para os empresários, pior para os trabalhadores (I)

O Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, que instituiu a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu Título III (Das normas especiais de tutela do trabalho) Capítulo II (Nacionalização do Trabalho), Seção I (Da proporcionalidade de empregados brasileiros) estabelece a proporção de empregados brasileiros que as empresas necessariamente precisam possuir, deixando “brecha” para que o pode executivo abra “exceções”, contudo, a burocracia para tal ato fica clara na redação do próprio artigo:

Art. 352 – As empresas, individuais ou coletivas, que explorem serviços públicos dados em concessão, ou que exerçam atividades industriais ou comerciais (ou seja, todas as empresas, pois até quem presta um serviço o comercializa), são obrigadas a manter, no quadro do seu pessoal, quando composto de 3 (três) ou mais empregados, uma proporção de brasileiros não inferior à estabelecida no presente Capítulo.

§ 2º – Não se acham sujeitas às obrigações da proporcionalidade as indústrias rurais, as que, em zona agrícola, se destinem ao beneficiamento ou transformação de produtos da região e as atividades industriais de natureza extrativa (único setor que escapou), salvo a mineração.

Art. 353 – Equiparam-se aos brasileiros, para os fins deste Capítulo, ressalvado o exercício de profissões reservadas aos brasileiros natos ou aos brasileiros em geral, os estrangeiros que, residindo no País há mais de dez anos, tenham cônjuge ou filho brasileiro, e os portugueses. (Redação dada pela Lei nº 6.651, de 23.5.1979)

Art. 354 – A proporcionalidade será de 2/3 (dois terços) de empregados brasileiros, podendo, entretanto, ser fixada proporcionalidade inferior, em atenção às circunstâncias especiais de cada atividade, mediante ato do Poder Executivo, e depois de devidamente apurada pelo Departamento Nacional do Trabalho e pelo Serviço de Estatística de Previdência e Trabalho a insuficiência do número de brasileiros na atividade de que se tratar.

Parágrafo único – A proporcionalidade é obrigatória não só em relação à totalidade do quadro de empregados, com as exceções desta Lei, como ainda em relação à correspondente folha de salários.

Sabendo da morosidade do Estado brasileiro (que consegue ser maior que o normal, posto que Estado, burocracia e morosidade andam de mãos dadas) imagine quanto tempo demorará a que um ato do Poder Executivo e depois de devidamente apurada pelo Departamento Nacional do Trabalho e pelo Serviço de Estatística de Previdência e Trabalho… Bem, os trabalhadores, empresários e empreendedores morrerão esperando a autorização.

Mas tal artigo continua válido? Sim! Não há nenhuma lei, nada, que o revogue. Como se resolve isso então? Ora, ou sendo “amigo do Rei”, logo, sua empresa recebe “atenção especial” do Estado e consegue tal autorização em tempo recorde, ou não contratarás estrangeiro acima do permitido, ou o faz ilegalmente. Mas onde encontraremos esses imigrantes trabalhando ilegalmente? Não sei, talvez, só talvez, por exemplo, nas confecções clandestinas do Brás (São Paulo/SP), que também estão no Bexiga, Luz, Mooca (todos em São Paulo/SP). Ou então na Rua 25 de Março? Informalidade? E por aí vai!

A atividade desses indivíduos é importante para a economia, pois gera riqueza, mesmo que “informal”, distribui renda para eles através de empregos (mesmo que com remunerações abaixo do salário mínimo) e permite que diversos outros indivíduos, mais pobres, tenham acesso a produtos e serviços que não conseguem consumir no mercado “formal”. Claro, não é a situação ideal, mas sua causa reside justamente nas dificuldades de se contratar um trabalhador cuja mão de obra seja mais barata, pagando o que ela vale, possibilitando que este adquira experiência e qualifique-se através do trabalho, valorizando sua mão de obra futura. No caso de estrangeiros, também é culpa do Estado, que limita sua contratação e cria barreiras burocráticas infindáveis e que os empurra a essa situação.

Prova do que falo é o número desses estrangeiros que procriam em território nacional e depois conseguem a cidadania brasileira. Podendo trabalhar “legalmente” e como “brasileiro”, esse imigrante utiliza a experiência adquirida para trazer outros de seu país (normalmente familiares e amigos) para trabalharem juntos em uma confecção ou outro negócio próprios e passarem pelo mesmo processo, mas com algum apoio do resto do grupo. Ou então ele utiliza tal experiência e qualificação adquiridas mediante trabalho, para arranjar um trabalho melhor, onde ganhará acima do próprio salário mínimo e obterá melhor qualidade de vida.

Vejo esse quadro repetidamente! Assim como vejo a necessidade de importação de mão de obra para setores como engenharia, que passa por alguma burocracia, mas nem tanta, pois as grandes empreiteiras são financiadoras de muitos políticos, como a própria Operação Lava Jato da Polícia Federal demonstrou recentemente. Nessa, que sai no prejuízo são os pequenos, que precisam buscar mão de obra no mercado nacional, sendo que esta se encontra em plena escassez. No fim, sobrevivem apenas os “amigos do Rei”, novamente, que agradecem ao Estado pela regulamentação que acaba com a concorrência, mas que é quebrada facilmente por sua influência junto ao próprio Estado.

Alguns dirão que o caso dos engenheiros se enquadra no artigo 357 da referida lei: Art. 357 – Não se compreendem na proporcionalidade os empregados que exerçam funções técnicas especializadas, desde que, a juízo do Ministério do Trabalho, Indústria e Comercio, haja falta de trabalhadores nacionais.

Contudo, ignoram novamente uma passagem importante: “desde que, a juízo do Ministério do Trabalho”, no fim, o Estado define isso e cria mais burocracia para uns que para outros. Se você não é “amigo do Rei”: “agora há engenheiros brasileiros suficientes, não há necessidade de importar mão de obra”, se você é “amigo do Rei”: “pode importar, pois é óbvio a falta de mão de obra nacional”. 

Com o fim da necessidade de recorrer à informalidade, as empresas que antes seriam “ilegais” agora podem concorrer no mercado e tal concorrência as obrigará a servir melhor aos consumidores que as demais, melhorando e barateando produtos e serviços. Quem servir melhor aos consumidores sobreviverá e quem servir mal, então falirá. E a questão de salários de brasileiros nunca inferiores aos de estrangeiros esmaga a concorrência entre trabalhadores, que já fora prejudicada amplamente pela obrigação de “proporcionalidade”. Pode verificar o que falo no seguinte artigo:

Art. 358 – Nenhuma empresa, ainda que não sujeita à proporcionalidade, poderá pagar a brasileiro que exerça função análoga, a juízo do Ministério do Trabalho, Indústria e Comercio, à que é exercida por estrangeiro a seu serviço, salário inferior ao deste, excetuando-se os casos seguintes:

        a) quando, nos estabelecimentos que não tenham quadros de empregados organizados em carreira, o brasileiro contar menos de 2 (dois) anos de serviço, e o estrangeiro mais de 2 (dois) anos;

        b) quando, mediante aprovação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comercio, houver quadro organizado em carreira em que seja garantido o acesso por antigüidade;

        c) quando o brasileiro for aprendiz, ajudante ou servente, e não o for o estrangeiro; (???)

        d) quando a remuneração resultar de maior produção, para os que trabalham à comissão ou por tarefa.

Mais entraves, com algumas “exceções”. O item “a)” é de chorar, ora, se o brasileiro e o estrangeiro estão em uma empresa sem organização por carreiras e em função análoga, por que os salários seriam diferentes? Só se um desempenhasse seu papel melhor que o outro, mas nesse caso cairia no item “d)”, ou se possuísse melhor qualificação, mas nesse caso, por que eu contrataria e/ou manteria o menos qualificado, a não ser que ele também se qualificasse e, então, seu salário se equipararia ao do outro (através da concorrência entre trabalhadores, sem necessidade de lei)? Essa concorrência e poder contratar os trabalhadores sem entraves são importantes e explicarei abaixo o porquê. O item “b)” já comentei, pois depende novamente de uma decisão de burocratas do Estado. Mas o item “c)”, não ficou claro. Ora, como o brasileiro seria o estrangeiro? Ou o estrangeiro não pode ser quem exerça a função? Mas neste caso ele não seria contratado. Ou se o brasileiro e o estrangeiro exercerem tais funções? Em todos os casos o item é simplesmente inútil.

O item d) coloca uma exceção interessante e que pode servir de “brecha” para muitas empresas, que então preferirão contratar autônomos e/ou profissionais liberais, que terão que se esforçar para “fazerem” os próprios salários, contudo, nesse caso, o Livre Mercado torna tal item simplesmente desnecessário e inútil, sendo que o efeito deste item no mercado atual (com forte intervenção estatal) tende a gerar mais informalidade e menos “segurança” aos trabalhadores quando as empresas optarem por contratação de mão de obra estrangeira e mais barata e para os próprios estrangeiros que se veem tendo que aceitar trabalhos “menos seguros” em um país desconhecido, o que dificulta o desenvolvimento e adaptação de parte desses indivíduos, algo que no Livre Mercado seria naturalmente melhor distribuído.

Até as demissões são prejudicadas: Parágrafo único – Nos casos de falta ou cessação de serviço, a dispensa do empregado estrangeiro deve preceder à de brasileiro que exerça função análoga.

Então, as empresas precisam primeiro demitir todos os estrangeiros, para depois demitirem os brasileiros, gerando um ônus desnecessário para atender a tal regulamentação e dificultando as próprias demissões. Quanto mais difícil for de se demitir funcionários, então os processos seletivos são mais rígidos e menos trabalhadores conseguem passar neles, colaborando com o desemprego.

No Livre Mercado, o fluxo de trabalhadores é livre, sem entraves para contratações e demissões, além dos próprios contratos, acordados e assinados por empregadores e empregados. Se for necessário trazer mão de obra estrangeira e mais barata, então poderá fazê-lo, aumentando a concorrência entre os próprios trabalhadores, que serão obrigados a buscar meios de competir, aprimorando-se, qualificando-se, etc. O resultado é a valorização da própria mão de obra do trabalhador brasileiro e diminuição, talvez fim, da necessidade de importar mão de obra. Essa valorização resulta em melhoria dos processos de fabricação, distribuição e comercialização de produtos e prestação de sérvios, aumentando a qualidade de ambos e diminuindo o custo das empresas com captação, treinamento e manutenção de mão de obra e com quantidade de erros humanos que podem acarretar prejuízos, equilibrando com o aumento das remunerações. São produtos e serviços melhores e mais baratos.

Alguns dirão que o aumento da concorrência entre os trabalhadores diminuirá as remunerações, pois há mais oferta de mão de obra do que demanda por trabalhadores, contudo, esses indivíduos não observaram que enquanto alguns trabalhadores optarão por aceitar menores remunerações, outros competirão através de qualificação para o mercado de trabalho. Os que aceitarem menores remunerações obterão mais experiência e valorizarão sua mão de obra futura, o que optarem por qualificação também valorização sua mão de obra, só que terão essa vantagem em relação aos menos qualificados, resultando em custo-benefício interessante aos empregadores.

A tendência é que a oferta de mão de obra diminua, convergindo ao equilíbrio, ou seja, retornando a escassez, porém em nível “normal” ao Livre Mercado, fazendo os empresários concorrerem novamente entre si pela mão de obra disponível, o que eleva as remunerações novamente, contudo, com uma melhoria significativa, pois os trabalhadores ou estão mais qualificados devido à experiência obtida aceitando menores salários, ou estão mais qualificados devido ao aprimoramento que buscaram para competir entre si quando a demanda por mão de obra era menor que a oferta.

De qualquer maneira, ganha o trabalhador, ganha o empregador e ganha o consumidor.

Os artigos 355 e 356 e o inciso 1 do artigo 352 não são importantes para a análise deste artigo e em nada alteram os efeitos apresentados. No caso do artigo 352, compreende-se o seguinte: § 1º – Sob a denominação geral de atividades industriais e comerciais compreende-se, além de outras que venham a ser determinadas em portaria do Ministro do Trabalho, Indústria e Comercio as exercidas: (e seguir-se-á uma lista). Por que a lista não é importante (pois poderia contar com alguma exceção que afetaria toda a construção do artigo)? Porque não há tal exceção, posto que “além de outras que venham a ser determinadas em portaria do Ministro do Trabalho, Indústria e Comercio”, logo, novamente, a decisão final cabe ao Estado, inclusive para “exceções”, que não estão previstas nesta listagem. Até as que não estão listadas, o Ministro pode considerar parte da lista e ponto, logo, as não listadas estão sempre sob “ameaça”.

Por fim, deixo o seguinte pensamento para reflexão: o Governo brasileiro mantém tal regra quanto aos estrangeiros, mas quando se trata de seus próprios interesses, faz valer as “exceções” das quais o Estado é o árbitro supremo e não se incomoda e trazer mão de obra estrangeira, barata e (em muitos casos, comprovados por receitas, imagens e relatos) menos qualificada. Uma prova disso? O programa “Mais Médicos”.

Roberto Lacerda Barricelli é Jornalista

Fontes:

Decreto-Lei 5.452 – http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm

Lei 6.651, de 23/05/1979 – http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6651.htm#art1

Referências:

Adam Smith – A Riqueza das Nações (Livro I: Das causas do aprimoramento das forças produtivas do trabalho e a ordem segundo a qual sua produção é naturalmente distribuída entre as diversas categorias do povo; Editora Juruá, 1ª Edição (2006), 4ª Reimpressão (2011), traduzido por Maria Tereza Lemos de Lima)

Ludwig von Mises – Uma crítica ao Intervencionismo (Instituto Mises Brasil (SP) e Instituto Liberal (SP), 2ª Edição, traduzido por Arlette Franco)

Ubiratan Jorge Iorio – Dez lições fundamentais de economia austríaca (Instituto Mises Brasil (SP), 1ª Edição, 2013)

Murray N. Rothbard – Governo e mercado: Economia da Intervenção Estatal (Instituto Ludwig von Mises Brasil)

Ludwig von Mises – As seis lições (Instituto Ludwig von Mises Brasil (SP) e Instituto Liberal (RJ), 7ª Edição, traduzido por Maria Luiza Borges)

The Open Mind with Milton Friedman (1975) – https://www.youtube.com/watch?v=STFJZtRmpvs

 

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Dilma e o Porto de Mariel (VI) – A ameaça bélica começou

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Como eu avisei nesta série, inicia-se o processo de tráfico de armas para a Coreia do Norte a partir do Porto de Mariel, financiado com recursos roubados do cidadão brasileiro via BNDES. Sim, financiamos uma verdadeira ameaça a nossa própria liberdade, pois não é de hoje que as ditaduras comunistas se alinham com o objetivo de levar esse nefasto regime aos demais povos.

Não é novidade para ninguém que há um plano para instalação do comunismo/socialismo na América Latina, que começou a ser posto em prática nos anos 1990 com a criação do Foro de São Paulo, com participação fundamental de Cuba, PT, Lula, as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o MIR (Chile) e tutti quanti.

Quando da reinauguração do Porto e da ZPE de Mariel com o nosso dinheiro eu avisei que um dos fins seria justamente o tráfico de armas para a Coreia do Norte e outros países aliados, como Venezuela, Bolívia. Etc, e grupos comunistas revolucionários, como as FARC, um grupo narcoguerrilheiro responsável por injetar 200 toneladas anuais de cocaína no mercado de drogas.

Agora, um relatório da ONU confirma a utilização do Porto de Mariel para o contrabando de armas à Coreia do Norte. Oras, há poucas semanas um navio venezuelano, com tripulantes armados cubanos foi apreendido no Canal do Panamá com armas em direção à Coreia do Norte. Agora que não há mais esse risco, com a rota bem mais segura proporcionada por Mariel e pelos impostos dos brasileiros, por que utilizariam o Porto de outra forma?

O primeiro passo foi dado. Também já avisei que as FARC utilizarão o Porto de Mariel como rota do narcotráfico internacional, em direção à América Latina, Rússia e China, em troca de armas com a indústria bélica pesada desses dois últimos países e dos próprios traficantes latino-americanos. Também será bem mais fácil escoar drogas até os Estados Unidos.

Outro ponto é a instalação da indústria bélica pesada no próprio Porto, no mínimo de uma logística adequada para elas. Produção? Acho difícil, mas se os componentes chegarem de outros países, com óbvia permissão da Ditadura Castrista, quem sabe a mão de obra não possa ser treinada e receba a especialização necessária. De qualquer forma, compensa, pois líderes das FARC estão logo ao lado, morando tranquilamente na Ilha Cárcere.

A primeira previsão estava certa. O que será que ocorrerá com as demais?

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Relatório da ONU –http://www.un.org/ga/search/view_doc.asp?symbol=S/2014/147

Blog –https://robertolbarricelli1.wordpress.com/2014/03/08/dilma-rousseff-e-o-porto-de-mariel-iv-uma-ameaca-belica/

Capitol Hill Cubans –http://www.capitolhillcubans.com/2014/03/why-odebrechts-port-was-chosen-for.html

Reaçonariahttp://reaconaria.org/colunas/colunadoleitor/porto-cubano-financiado-por-dilma-e-usado-pra-contrabando-de-armas-para-coreia-do-norte/

Mídia Sem Máscara (Compilação de atas do Foro de São Paulo) –http://www.midiasemmascara.org/attachments/007_atas_foro_sao_paulo.pdf

Veja – http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/fotos-mostram-vida-mansa-de-terroristas-das-farc-em-cuba

Diário do Grande ABC – http://www.dgabc.com.br/Noticia/359151/cuba-pode-ter-tentado-introduzir-drogas-nos-eua

Estadão – http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,dilma-inaugura-em-cuba-porto-financiado-pelo-bndes,1123400,0.htm

Ucho Info – http://ucho.info/governo-da-incompetente-dilma-rousseff-investe-em-cuba-e-abandona-a-infraestrutura-nacional

Ucho Info –http://ucho.info/panama-intercepta-navio-norte-coreano-com-armamento-em-meio-a-carga-de-acucar

Estadão –  http://m.estadao.com.br/noticias/internacional,russia-quer-instalar-bases-militares-em-cuba-e-na-venezuela-diz-ministro,1134910,0.htm

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Metodologia do Idiota Útil (7) – Capitalismo de Estado

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Um dos maiores espantalhos utilizado pelos idiotas úteis é a falácia do “Capitalismo de Estado”. Essa falácia consiste em dizer que onde houver socialismo/comunismo, na verdade, houve “Capitalismo de Estado” e não esses primeiros.

É parte da estratégia de negar a existência de experiências socialistas/comunistas no mundo. Para tanto, juntam o odiado capitalismo ao amado Estado para criar um bicho de sete cabeças e nenhum cérebro. A ideia é legitimar outra falácia, de que o capitalismo distorce o Estado e não ao contrário, colocando a culpa pelo corporativismo no capitalismo.

União Soviética? China Maoísta? Camboja? Laos? Zimbábue? Cuba? Todos dominados pelo “Capitalismo de Estado”, um termo tão absurdo que só a incoerência de colocar um sistema que só existe em junção à liberdade econômica como se fosse de responsabilidade do maior monopólio existente, já é suficiente para refutar a afirmação dos idiotas úteis.

O Estado intervém na economia e sufoca a liberdade econômica, logo, não é possível a existência de um “Capitalismo de Estado”. O correto é dizer “Estado Corporativista”, ou seja, aquele onde o Estado protege determinadas empresas da concorrência através de regulamentações, burocracia fiscal complexa e tributos que só essas conseguirão arcar, criando reservas de mercado que serão exploradas pelo oligopólio criado.

Isso ocorre no setor de telecomunicações claramente, no qual a Anatel tem uma função bem mais reguladora do que fiscalizadora, sufocando potenciais concorrentes e garantindo que só as determinadas empresas consigam prestar o serviço. Qual o resultado? Uma das conexões de internet mais caras do mundo e com menor cobertura.

Devido à falta de concorrência garantida pela reserva de mercado, as empresas do setor não se vêem obrigadas a investir em qualidade e preços menores de produtos e serviços, pois estão garantidas e protegidas pelo Estado. Ou consumimos delas, ou ficamos sem. Sãs as duas opções que temos.

Voltando! Nos países citados houve/há a estatização dos meios de produção e programa forçados de coletivização e industrialização. Enquanto os idiotas úteis se apegam falsamente a epistemologia e o empirismo; que não servem para provar porcaria alguma, eles se esquecem de que ambos são refutados automaticamente ao expormos a práxis desses regimes; que é/foi inegavelmente socialista/comunista.

Se você não tem como negar a práxis sem mentir, então, não há nada que a epistemologia e o empirismo possam fazer para forçar a falsa impressão de que você está certo. Se o capitalismo não existe sem liberdade econômica ampla ou total, logo, não é possível dizer que ele é cria do Estado, pois este é responsável pela supressão da liberdade.

Na cabeça dos idiotas úteis é simples: deu certo, então o socialismo tem algum ou todo o mérito, mas se deu errado é porque não houve socialismo. E eles realmente acreditam nisso, portanto, para eles, não há desonestidade intelectual nenhuma nesse pensamento, mas há nos argumentos daqueles que refutam essa falácia.

Houve diversas tentativas de se implantar o socialismo/comunismo e todas falharam grosseiramente, não porque não houve socialismo/comunismo, mas justamente pelo contrário, houve só que não funcionou, pois não é funcional. Admitir isso é doloroso demais para os idiotas úteis e por isso eles preferem repetir um mantra falacioso milhares de vezes, pois mais que enganar aos outros, possuem a necessidade suprema de enganarem a si próprios constantemente e manterem a fantasia criada e alimentada em suas mentes, de que são os seres mais virtuosos, sábios e caridosos existentes; e que por isso precisam impor a todos os demais sua virtuosidade, sabedoria e caridade, pois os outros são seres inferiores que necessitam de sua ajuda.

Na verdade, não passam de narcisistas compulsivos, carentes e desesperados pelo reconhecimento e elogios dos demais por aquilo que não são. Nesse aspecto o auto-engano ajuda a manter inflado o ego e o intelecto desprovido de capacidade lógica, racional e argumentativa.

Por Roberto Lacerda Barricelli

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Igualdade Social – Impossível, perigosa e maléfica

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Muito se fala em igualdade social, mas raras são as vezes em que o olha pousa sobre às consequências nefastas de perseguir tal meta. Igualdade virou um sonho dos mais lindos na retórica excitada das esquerdas, contudo, sua aplicação resultou nos piores pesadelos vividos pela humanidade, pois enquanto muito eram iguais, tantos outros eram mais iguais que os demais.

A brutalidade desencadeada pela perseguição à igualdade sob a égide da “justiça social” é tamanha que levou (e ainda leva) civilizações ao colapso. Extermina as relações sociais baseadas nos “bons valores” e nutre inveja e ódio de uma maioria, travestida de diversas minorias, contra àqueles que são considerados os culpados por todas as mazelas sociais; os bodes expiatórios confortavelmente criados para destituir os indivíduos da culpa pelas consequências dos próprios atos, nomeados conforme o período histórico: nobres, clero, senhor feudal, burguês, capitalista e, mais recente, a classe média.

A classe média possui tudo aquilo que desperta os piores sentimentos na esquerda: trabalho, crescimento financeiro e pessoal através do próprio esforço, mérito, mobilidade social que permite ao indivíduo ascender de classe sem a intervenção do Estado babá, etc. É a encarnação de tudo que a esquerda carnívora pretende “combater”, devorar, aniquilar…

Quando se busca igualdade e “justiça social” coloca-se um falso interesse coletivo acima dos interesses individuais. Em outras palavras, procura-se aniquilar a essência do indivíduo; a busca pela satisfação de suas necessidades individuais, em nome do coletivo, deslocando-o de sua condição de indivíduo para a de “massa”.

Deixamos de pensar por nós e passamos a pensar como massa. Não interessam mais nossas vontades, desejos, anseios, interesses e necessidades, só as da massa. Anula-se a pessoa em nome do “bem maior” de “todos”. Um sonho bonito de se vender, mas impossível de se cumprir.

Todas as experiências de anular o indivíduo e gerar a igualdade na luta pela “justiça social” acabaram em abominações e terror. Os grandes exemplos continuam os mesmos: União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a China Maoísta.

Só entre 1933 e 1934 foram levados à morte 14,5 milhões de ucranianos, sendo a maioria destes através da fome propositalmente instaurada. Outros dois milhões (aproximadamente) foram executados por “crimes” como roubar uma batata, ou poucos grãos para subsistência. O caso ficou conhecido como o Holodomor Ucraniano e foi causado pelo regime comunista de Joseph Stalin na União Soviética.

Os ucranianos tinham uma forte identidade nacional e resistiam às coletivizações forçadas, com a desculpa da obtenção da “igualdade” e fim da “exploração” do proletariado. Contudo, nada causou maior exploração desses indivíduos do que o próprio regime que deles exigiu que fossem produzidos muito mais alimentos do que a capacidade que possuíam para tal (após a transformação das propriedades privadas agrícolas em fazendas estatais gigantescas), para abastecimento das principais cidades e centros urbanos da URSS. Stalin deseja quebrar a identidade nacional e destroçar a “humanidade” dos ucranianos para que fossem mais um povo oprimido e submisso.

Não foi considerada a impossibilidade do cálculo econômico em uma economia planificada, ou seja, a impossibilidade de se estabelecer uma relação entre oferta e demanda para alocar corretamente os recursos. Resumindo, não é possível ao Estado calcular quanto realmente deve ser produzido e de que maneira deve ser distribuído para que atenda à demanda existente, sendo esta também não é possível ao Estado calcular já que a ideia era de atender a “todos” como uma demanda coletiva e uniforme (inviável). Sem a possibilidade de precisar a demanda, a produção e a logística de distribuição para comercialização, não foi possível gerir eficientemente os recursos disponíveis, resultando em escassez para a esmagadora maioria, enquanto havia abundância para uma minoria pertencente ao “governo”. Como o Estado não é guiado pelo sistema de preços e pelo mecanismo de lucros e prejuízos este não conseguirá tomar uma decisão racionalmente, logo, produtos e serviços deixam de ser ofertados em locais onde há maior demanda por eles.

A oferta de produtos e serviços “gratuitos” (pagos pelos “contribuintes”) gera uma demanda infinita, sendo a oferta limitada o que se obtém é a escassez. Além disso, se não são os consumidores através da oferta e demanda que definem os preços, não há como saber o quanto é necessário investir, distribuir e comercializar (ou entregar “gratuitamente”) para atender a todos da melhor maneira possível, satisfazendo as necessidade existentes.

O Estado pensa: “devo enviar mais farinha para A ou Para B”, mas não consegue tomar a decisão racionalmente, pois não sabe qual a demanda nessas regiões pelo produto.Por exemplo, ao enviar para a região B por haver mais pessoas o Estado terá que se perguntar “quanto devo enviar para que não falte farinha? Contudo, não saberá responder, pela impossibilidade de se medir a demanda a alocar corretamente os recursos. Se a região tiver demanda menor por farinha do que o Estado chutou que teria, então haverá excesso, enquanto se a demanda for maior, haverá escassez, o que ocorreu em todas as tentativas de se aplicar o comunismo/socialismo. Ironicamente a máxima comunista/socialista de que “para que um receba mais, outro obrigatoriamente terá que receber menos” (como se a economia fosse um jogo de soma zero) é possível de ocorrer, porém somente no próprio sistema comunista/socialista.

Outro detalhe interessante é que como não há concorrência o Estado não precisa se preocupar em investir na qualidade de produtos e serviços, pois é o único fornecedor/prestador, logo, além da escassez há também a baixa qualidade dos mesmos. Além de haver menos do que o necessário, ou mais, porém pessimamente alocado, os produtos e serviços disponíveis são ruins. Coloque essa realidade para a área de saúde e/ou alimentação e terá desnutrição, fome e mortes que poderiam ser evitadas se a saúde fosse melhor. Coloque na educação e terá um povo alienado, manipulável e ignorante.

Essas distorções criam os conflitos de classes, pois uns (do Estado e elites por ele criadas e mantidas) terão tudo enquanto os demais (o povo) não terão nada. Mias uma vez, ironicamente, o que os esquerdistas dizem se próprio do capitalismo só ocorre no sistema comunista/socialista.

Voltando à URSS! A pobreza foi socializada à população, enquanto surgiu uma elite estatal poderosa e abastada, mais exploradora e com recursos bem maiores que os bodes expiatórios (burgueses, ou Kulaks no caso dos “grandes” fazendeiros, sendo que qualquer um que tivesse 1 metro de terra para cultivo começou a ser considerado um Kulak).

Na China Maoísta ocorreu quase o mesmo, porém, a coletivização e tentativa de desenvolver forçadamente a indústria, só entre 1958 e 1962, mataram 45 milhões de chineses, de acordo com documentos do próprio Partido Comunista Chinês (PCC), através de um “plano” conhecido como “O Grande Salto em Frente”, cujo slogan era “superar a Inglaterra em 15 anos”, pois esta era a maior potência industrial na época. No entanto, o ditador chinês Mao Tsé-tung não considerou a realidade que o desenvolvimento econômico não é controlável ao bel prazer do Estado, ou seja, não é possível efetuar o cálculo econômico na economia planificada, tão pouco jogar de um lado para outro e manipulá-la como bem entender.

Também não considerou o caminho trilhado pela Inglaterra até se tornar a maior potência industrial daquela época. Em seu devaneio narcisista acho que realmente era capaz de forçar a China a virar uma Inglaterra mais rica e desenvolvida com um plano de 15 anos que durou apenas quatro anos e resultou na miséria do povo e institucionalização da fome. Os alimentos, inclusive, foram utilizados como arma do Estado para exterminar todos aos quais considerassem inimigos da “causa”.

Como havia lhes dito, não só não houve igualdade como uns tornaram-se mais iguais que outros. Saiu-se da desigualdade relativa par a miséria absoluta. Sim, pois a desigualdade não é por si ruim. Se eu ganho R$1 mil ao mês e meu vizinho ganha R$1.001, logo, há R$1 de desigualdade entre nós, contudo, não será a desigualdade que me causará qualquer mal. Se eu ganhar R$100 mil e meu vizinho R$725 a desigualdade é muito maior, mas tudo dependerá de como cada um de nós fará a gestão desse dinheiro. Ora, eu posso ganhar R$100 mil e torrar R$120 mil, ficando em pouco tempo na miséria, enquanto ele pode arrumar um meio de gerir melhor os R$725 que ganha, investindo parte deles em qualificação profissional, por exemplo, ou poderá não investir nada, só gerir eficientemente para própria subsistência e aproveitar planos de carreira, cursos gratuitos, entre outros, como meio de melhorar a qualidade de sua mão de obra, valorizando-a e obtendo maior renda no longo prazo.

Portanto, é importante salientar que enquanto a desigualdade é relativa e não causa danos, a maneira como gerimos nossos recursos (profissionais, financeiros, materiais, etc) podem nos levar à miséria, sendo esta absoluta e causadora das mazelas sociais como a fome, falta de acesso à itens básicos de higiene e limpeza, precarização das moradias, etc.

Mas em uma sociedade livre, sem a perseguição da “igualdade” e da “justiça social”, onde os indivíduos podem empreender e buscar a ascensão profissional, pessoal, social e financeira através do próprio esforço, mérito e trabalho duro, há a possibilidade da mobilidade social entre as classes, ou seja, um pobre pode se tornar um rico, ou no mínimo da classe média, melhorando sua vida e de sua família, assim como um rico ou indivíduo de classe média pode gerir mal os próprios recursos e chegar à miséria. Tudo dependerá apenas do próprio indivíduo, sendo este responsável pelas consequências de suas escolhas e ações.

Já tentativa de se criar uma sociedade “socialmente justa”, “livre” e “igualitária”, surgiu uma elite estatal abastada, enquanto o povo sofreu na miséria, sem a possibilidade da mobilidade social (a não ser que entre para o partido e obtenha posição de respeito, o que é para pouquíssimos). Esta é uma sociedade estamental, onde os miseráveis são mantidos nessa condição, enquanto os governantes enriquecem ilicitamente, sem a possibilidade de mudança desse cenário. Por fim, na busca incessante e burra pela “igualdade”, houve a maior desigualdade da história, a miséria absoluta, a perda da identidade e liberdade individual e o colapso social, com milhões de vidas desperdiçadas em nome de uma utopia diabólica que no papel e discursos inflamados de seus adoradores traveste-se de oitava maravilha do mundo, mas na prática é o pior pesadelo que os seres humanos já tiveram e o maior terror que já vivenciaram.

A única igualdade benéfica que deve existir e ser preservada é a igualdade de todos os indivíduos perante a “Lei” (que deve ser justa e igual para todos). Esta é justamente a igualdade atacada pela esquerda que deseja sempre que sua mascote preferida: a(s) minoria(s) oprimida(s) sejam mais igual que os demais. Nesse cenário, ser igual perante a Lei, sendo está injusta e desigual, acaba sendo maléfico para o indivíduo.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Livro – A Grande Fome de Mao (Dikötter, Frank. Dom Quixote, 564 páginas. Ano: 2010)

Mídia Sem Máscara – http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/china/12781-a-grande-fome-de-mao.html

Jornal Data Base – journaldatabase.org/articles/grande_salto_para_frente_grande_fome.html

Instituto Ludwig von Mises Brasil – http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1046

Alameda Digital – http://www.alamedadigital.com.pt/n10/sombras_historia.php

Deutsche Welle (DW) – http://www.dw.de/encontro-entre-governo-e-oposi%C3%A7%C3%A3o-termina-sem-acordo-na-ucr%C3%A2nia/a-17296447

Instituto Ludwig von Mises Brasil – http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1754

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A Grande Fome na China Comunista (1958-1962)

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Da série: “Horrores do Comunismo”

Sob o domínio da figura tacanha e egocêntrica de Mao Tsé-tung, seu “Líder Supremo”, a China passou pelo período mais obscuro do século XX e do qual se tem registro até a atualidade.

Mao (cujo nome serve como uma luva) estava impaciente pela demora no processo de industrialização da China e revoltado com a resistência dos camponeses à coletivização do campo, dos meios de produção, de sua mão de obra e suas propriedades. “Como ousam se recusar a entregar tudo pelo qual trabalharam a vida toda ao Estado? Como ousam se recusar a trabalhos forçados e tentar proteger suas propriedades privadas? Que absurdo!” Provavelmente seja este o pensamento de Mao.

Então, em 1958, Mao Tsé-tung iniciou seu plano de coletivização forçada ao qual chamou de “O Grande Salto em Frente”, mas que se mostrou o “Grande Salto para a Fome”. Assim como Stalin causou o Holodomor na Ucrânia entre 1933-1934 com seu plano de coletivização, o mesmo ocorreu com a China entre 1958-1962 com a coletivização forçada de Mao. Os governos comunistas parecem ter um padrão histórico e hediondo de comportamento, mas falarei disso em outro artigo.

O Professor Frank Dikötter, da Universidade de Hong Kong, obteve acesso a documentos do Partido Comunista Chinês, até então secretos, os quais revelaram os horrores do período do “Grande Salto em Frente”. Foram quatro anos sombrios, de calamidade e desespero.

Segundo o Livro publicado pelo professor Dikötter (A Grande Fome de Mao) as estatísticas compiladas pelo Gabinete de Segurança Pública na época (1958-62) apontam para 45 milhões de mortes prematuras. A maioria das mortes causadas pela fome que se instalou com as políticas impraticáveis de Mao que atendiam à sua personalidade narcisista, não ao povo da China.

Falo em “personalidade narcisista” sem titubear, pois não foi apenas a impaciência de Mao (então há 10 anos no poder) com a marcha lenta do desenvolvimento econômico e a resistência à coletivização que o levaram a lança o “Grande Salto em Frente”, mas, principalmente, seu desejo de se tornar o Grande Líder do Campo Socialista. Seu desejo em ser maior que os demais levaram 45 milhões de pessoas à morte em apenas quatro anos.

O slogan do plano de Mao era: superar a Inglaterra em 15 anos. A Inglaterra era a maior potência industrial da época. Realmente a China de hoje ultrapassou os ingleses e faz frente aos Estados Unidos, porém, sem que qualquer mérito possa ser atribuído a Mao, pelo contrário, políticas mais “liberais” como a criação de zonas especiais e maior abertura econômica, atraindo multinacionais com mão de obra barata (devido a imensa oferta de mão de obra acima da demanda) e incentivos fiscais. Se no campo social a China de hoje continua com seu comunismo repressivo, no campo econômico a liberalização está em gradual expansão, mantendo nas mãos do Estado “apenas” setores considerados estratégicos para a economia do país (mas principalmente para a manutenção do Partido Comunista no poder e a expansão da riqueza de seus pares), o que não é ideal (pois a iniciativa privada pode sempre fazer melhor com menos custo, gerando mais empregos de melhor qualidade e renda maior), mas já é um avanço importante.

Voltando a Mao. O então Líder Supremo da China utilizou o que ele achava ser sua principal “arma” na perseguição ao desenvolvimento econômico e que permitisse ultrapassar a União Soviética e a Inglaterra: a mão de obra de milhões de trabalhadores, homens e mulheres (adultos) e crianças. Para tanto, coletivizou tudo que estava ao seu alcance e amontoou os camponeses em enormes comunas, que surgiram no lugar das propriedades privadas dos agricultores (fossem grandes ou micro).

Mas o grande problema não foi a falta de comida, mas o confisco dos alimentos pelo Estado para destiná-los à exportação e a utilização da comida como política de extermínio dos opositores e “inimigos” (reais e irreais), de repressão ao povo e eliminação dos considerados mais fracos e menos produtivos. Por exemplo, indivíduos conservadores e de direita foram deliberadamente levados à fome para que morressem, através do não repasse de alimentos, ou repasse de comida podre e em quantidade abaixo do mínimo. O mesmo foi feito aos que dormiam no serviço, os doentes, debilitados, deficientes e muito idosos. Todos propositalmente levados ao limite da fome para que morressem.

No período houve ao menos 3 milhões de execuções, por todo tipo de banalidade. No livro do professor Dikötter, há o relato de um pai que foi obrigado a enterrar vivo o próprio filho como punição por este ter roubado um punhado de grãos de uma das cantinas públicas existentes nas gigantescas comunas, onde a comida era distribuída “a colheradas”. Assim como durante o Holodomor causado por Stalin na Ucrânia, pessoas foram executadas por roubarem alimentos como uma batata, ou uma maça, durante os quatro anos do “Grande Salto em Frente”. Outro padrão histórico de comportamento dos ditadores comunistas.

Logo que o fracasso se mostrasse iminente, Mao criaria todo tipo de bodes expiatórios nos quais colocar a culpa (como hoje faz Cuba, Venezuela e Coreia do Norte, outro padrão). Claro, a culpa não poderia ser de suas políticas desprovidas do mínimo de ciência econômica, pois Mao com certeza era capaz de controlar a economia e jogá-la de um lado ao outro de acordo com suas vontades, independente dos fatores econômicos que geram escassez, como sucateamento dos serviços, demanda maior que a oferta e balança comercial muito desfavorável (como a causada pela exportação de alimentos em grande escala, causando o desabastecimento interno) e o cálculo dos preços, impossível no comunismo (e no socialismo). O Grande Líder se mostra um Grande Idiota.

No desespero de impedir a descoberta da verdade, muitas fotos e documentos foram destruídos pelos comunistas maoístas quando a Ditadura Comunista (desculpe o pleonasmo) de Mao entraria em crise durante seus 10 últimos anos, de 1966 até 1976 (quando morre o ditador), devido a insatisfação de diversos membros quanto aos nefastos resultados das políticas utópicas de Mao e seu novo plano de “Revolução Cultural”.

Porém, além de diversos documentos, o professor Dikötter encontrou nas mãos de um pesquisador chinês uma foto de um caso de canibalismo desencadeado pela fome (outros documentos, descobertos por ele, mostram que casos assim ocorrerão em todo o país) onde um rapaz está parado em frente uma “bacia” com uma criança (seu irmão) desmembrada. Casos extremos como comer lama e fezes também estão registrados. Os chineses foram levados ao fim da moralidade humana.

Mao ficou no poder entre 1949 e 1976 (27 anos) e em apenas quatro anos obteve um saldo impressionante de 45 milhões de mortos, qual será o número total (certo ou aproximado), somados esses 4 anos aos demais 23, da Ditadura Comunista? Responderei a isso em breve, em artigo futuro desta mesma série.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Livro – A Grande Fome de Mao (Dikötter, Frank. Dom Quixote, 564 páginas. Ano: 2010)

Mídia Sem Máscara – http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/china/12781-a-grande-fome-de-mao.html

Jornal Data Base – journaldatabase.org/articles/grande_salto_para_frente_grande_fome.html

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Partido Comunista Chinês tenta “esquecer” o 120º aniversário de Mao Tsé-tung

Mao

Hoje, 26 de dezembro de 2013, é o 120º aniversário de um dos maiores assassinos da história, “pai” do comunismo chinês, Mao Tsé-tung, responsável pela morte de milhões de cidadãos durante sua ditadura (1949-1976). Sabendo do quão controversa é a imagem do “Grande Líder”, o Partido Comunista Chinês se esforça para controlar as comemorações dos próprios pares, temendo as críticas de membros, apontando desvios da própria ideologia comunista.

O PCC também não pretende dar mais força à mídia internacional crítica à Mao, nem aos poucos cidadãos com coragem que se opõe à nefasta figura de Mao.

Na tentativa de aliviar a tensão, o PCC realizou uma pesquisa sobre Mao na qual 85% dos chineses disseram que os acertos foram superiores aos erros. A pesquisa foi realizada com 1.045 pessoas, por telefone. Uma tentativa patética de elevar a defasada figura de Mao. Vamos aos fatos:

1 – A pesquisa foi realizada por telefone por pessoas ligadas ao PCC com 1045 cidadãos. Sabendo que há estrita censura e perseguição a opositores na China, qual a probabilidade de um chinês responder à pesquisa como acha que o PCC deseja que ele responda?

2 – Quem são essas pessoas? Não há permissão para outra versão que não a do PCC e podem ser todos partidários, o que inclusive ajudaria o partido a encontrar “críticos” no próprio quintal e “catalogá-los”.

3 – O país tem mais de 1 bilhão de pessoas e a pesquisa foi realizada com apenas 1.045. Apenas 0,0001% da população respondeu à pesquisa. O quão assertiva ela é?

4 – O quão confiável é uma pesquisa sobre um ditador, feita pelo partido criado por este que está no poder e instalou a repressão e censura sobre os cidadãos? 

5 – Se a pesquisa fosse tão “confiável” não haveria motivo para se preocupar em “dar força” aos “pouquíssimos” cidadãos críticos ao “Grande Líder”.

6 – Se o comunismo de Mao fosse tão bom, porque o PCC quer impedir que a ala mais à esquerda do partido ganhe força?

A ala citada no item 6 critica os desvios das políticas econômicas do PCC nos últimos 20 anos que se desviaram da ideologia comunista, políticas estas que estão revertendo o mal causado por Mao e permitem o crescimento acentuado da China. O principal “argumento” é a crescente diferença entre ricos e “pobres”. Porém, os “pobres” estão aos poucos ascendendo economicamente na China e em breve devemos ver o surgimento de algo impossível em “economias comunistas”, a classe média.

Os comunistas odeiam a classe média, pois esta personifica a possibilidade de crescer economicamente através do próprio esforço e mérito, ao invés de benefícios concedidos pelo Estado. Significa também o fim de diversos “mascotes” aos quais chamavam de “minorias”, sendo a minoria justamente os “mais pobres”, no caso chinês.

Enquanto a ala mais comunista do PCC se preocupa com a desigualdade relativa (que nada mais é que a diferença econômica entre as pessoas) os mesmos fecham os olhos para o verdadeiro problema, a miséria absoluta, causada na China pelo comunismo de Mao, que levou milhões de pessoas à morte por fome. Enquanto a desigualdade é relativa e causa no máximo a inveja dos idiotas úteis, a miséria absoluta mata.

Outro ponto interessante, se Mao fosse uma figura quase unânime e adorada, qual seria o motivo então para o governo gastar 12 milhões de euros com uma estátua de outro e Jade e mais US$300 milhões com propaganda oficial enaltecendo Mao (em tocar nos erros) e demonizando seus críticos (seus criticar os argumentos) através da mídia oficial (toda pertencente ao PCC)?

Ainda mais contraditório é o próprio presidente da China, Xi Jinping, que hora elogia Mao, hora lembra a todos que ele “não foi um santo”. O próprio Xi Jinping sofreu na pele com a Ditadura Comunista (olha o pleonasmo) de Mao, pois seu pai foi preso durante a “Revolução Cultural” e ele foi enviado para viver com camponeses.

Dizem que a grande conquista de Mao foi retirar a China do feudalismo, mas o que ignoram é que todas as nações que passaram pelo sistema feudal viram sua falência e tiveram que se readequar. Houve guerras? Sim. Houve conflitos diversos? Sim. Mas foram parte do processo histórico do fim do feudalismo e surgimento de outras classes, como (principalmente) a Burguesia, que é demonizada pelos comunistas, que ignoram sua importância para o desenvolvimento econômico e industrial das maiores potências do mundo. Mao tentou pular essa etapa histórica e o resultado de um tentativa de desenvolvimento econômico e industrial forçado foi a morte de milhões de chineses.

Se hoje a China é uma potência econômica e industrial, isso se deve a maior abertura aos donos de capital (os tais burgueses), a atração de multinacionais com mão de obra barata (devido a oferta dessa mão de obra ser superior a demanda) e minimamente qualificada (hoje mais qualificada devido aos investimentos desses donos de capital que geraram tal necessidade). O governo mantém em suas mãos “apenas” os setores que entende como essenciais para a manutenção de si próprio e do PCC no poder, algo que não é o melhor, mas já consiste em um grande avanço. Importante frisar que mesmo essas “estatais” possuem “donos” ligados ao PCC e que visam o lucro, agindo como empresários dentro do mercado, o que os distancia da ineficiente administração estatal. A tendência futura é a “privatização” no longo prazo dessas empresas a tais (ou outros) membros do PCC, mas demorará pelo menos 15 anos até que ocorra e caso a China continue trilhando um caminho econômico contrário ao de Mao.

O que ainda falta é a abertura social, ou seja, a devolução das liberdades individuais e o fim da censura, que hoje são utilizadas como instrumento de alienação popular e manutenção do PCC no poder. Mais aí é outra história e bem mais complicada.

O que importa hoje é frisar que Mao é uma figura tão nefasta e defasada, que o próprio partido que fundou, em 1921, busca atualmente o equilíbrio entre se afastar da imagem do ex-Ditador, mas mantê-la como a de um “Grande Líder” apesar de determinados erros, que tentam minimizar focando em falsos acertos, no imaginário popular.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Terra Notícias – Ásia – http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/china-celebra-com-contencao-120-aniversario-de-nascimento-de-mao,d6e83efaeaa23410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

A Bola (Portugal) – http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=449403

RR (Renascença) – Jornal de Portugal – http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=26&did=133782

Yahoo Notícias – http://br.noticias.yahoo.com/l%C3%ADderes-chineses-visitam-mausol%C3%A9u-mao-120-anivers%C3%A1rio-nascimento-115152808.html

DNA Índia – http://www.dnaindia.com/world/report-mao-zedong-made-mistakes-chinese-president-xi-jinping-says-1940965

Terra Notícias – Ásia – http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/meritos-de-mao-o-colocam-acima-de-seus-erros-segundo-pesquisa-oficial,59c9ea9f84523410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

Jornal – O Estado de São Paulo (Estadão) – http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,por-que-a-china-ignora-sua-maior-crise-de-fome-,984011,0.htm

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Metodologia do Idiota Útil – O Culto aos falsos “ídolos” (4)

MaoeStalin

O idiota útil possui tantos ídolos e os adora com tanta “vontade” que não consegue compreender que os opositores sejam adeptos de ideias e não cultuem “ícones” da “direita”.

Outro fato importante é que o idiota útil cultua com amor tamanho os ídolos dele como: Che Guevara, Fidel Castro, Mao, Hugo Chávez e Stalin, que quando são expostos fatos sobre tais ídolos que não lhe agrada, o idiota útil imediatamente pensa que são mentiras da “direita golpista”. Ele realmente acha isso, pois você pode mostrar um vídeo onde o “ídolo” dele assume tudo que é exposto e mesmo assim o idiota útil não acreditará, chegando a lhe acusar de editar o vídeo para incriminar “os santos”.

Antes ele estivesse sendo desonesto, não é o caso. O idiota útil possui uma necessidade profunda de manter intocadas as imagens de seus ídolos, sendo qualquer fato que as manche, imediatamente atacado, sem argumentos, claro, mas com discursos emocionais, como crianças ingênuas que defendem a existência do Papai Noel, pois não conseguem suportar a ideia de sua inexistência e a desilusão causada por esta.

Logo, como o idiota útil tem “certeza” de que todos estão mentindo sobre seus ídolos, basta estar em um debate e aqueles que ele acha serem seus ídolos serão atacados, com mentiras escandalosas. O idiota útil pensa “já que ele está mentindo sobre o meu ídolo, mentirei sobre o dele”. Porém, como aquilo que é exposto sobre o ídolo dele não são mentiras, mas o que ele fala sobre “ícones” da oposição são mentiras, o idiota útil fatalmente não consegue sustentar o que diz, enquanto o “opositor” que se utiliza de fatos e da razão cita dados, mostra fontes e consegue expor com as mentiras contadas e as verdades “escondidas”.

Além disso, como os opositores (normalmente liberais, conservadores, ancaps, minarcos, entre outros de “direita”) costumam serem adeptos das ideias e não cultuar “ídolos”, causado uma confusão muito grande na cabeça do idiota útil, que não compreende como é possível estudar e concordar com a tese (ou parte dela) de determinados economistas, filósofos, sociólogos, políticos, pesquisadores, jornalistas, escritores, etc, sem ser um fã(nático) e idolatrá-los.

Como os ataques não surtem efeitos e as mentiras são expostas, não sobra nada ao idiota útil a não ser defender os próprios ídolos com frases de efeito, sem nenhuma base argumentativa. Como, por exemplo: “Che foi um pacifista e humanitário”, ou “Mao transformou a China na potência que é hoje”, ou até “Marx queria defender os interesses dos proletários”. Basta dizer a ele: “Ah é? Então prove. Apresente-me fatos que corroborem sua afirmação”. Ou virão com falácias, factóides ou mitos, todos de fácil refutação.

Quem embaralhar de vez a cabeça do idiota útil? Se em qualquer momento ele fizer (em um momento raro de iluminação) uma crítica correta a algum dos tais “ícones”, concorde com ele e argumente em cima da crítica, mostrando pontos positivos e negativos desse “ícone”, por fim, deixando claro no que você concorda e discorda.

Pronto, a mente do idiota útil explodirá, pois toda a certeza que possuía de que tudo que você falava sobre os ídolos dele eram mentiras está baseada na ideia errada de que o “opositor” idolatra X, Y e Z. Ora, se o “direitista” é capaz de admitir um erro em algum ícone e debater seriamente sobre o assunto, então, como o idiota útil pode afirmar que tudo que é dito por esse sobre seus ídolos são falácias? Como ele pode ter certeza? Simples, estudando e buscando as fontes citadas. Ele encontrará as verdades e então terá que tomar uma decisão: acreditar nelas, por haver variedade de fontes e fatos históricos, ou, continuar negando-as e enganando a si mesmo. Caso ele escolha a segunda opção, a própria confiança em si e no que defende estará abalada para sempre e seus argumentos se tornarão cada vez mais falaciosos e desprovidos de honestidade intelectual, levando-o a incapacidade de debater e ao descrédito perante os demais.

E se ele simplesmente não buscar informação, nem estudar? Bem, a maioria deles faz isso, porém, dificilmente ele tornará a tacar um “ícone” da “direita” em debates com você, inclusive evitando-os, pela incapacidade de debater ideias que sempre o deixará em desvantagem.

Os idiotas úteis não desistem de espalhar falácias e exaltar falsos ídolos, mas pode ser combatidos com argumentos sólidos baseados em fatos e na razão. Demorará muito tempo até que possuam menos “mídia”, mas vale a pena investir nessa ideia.

Por Roberto Lacerda Barricelli

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