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Porto de Mariel e o retorno da Mãe Rússia

Roberto Lacerda Barricelli*

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Quem acompanha meu trabalho desde 2013 talvez tenha lido minha série sobre o Porto de Mariel (clique aqui se não leu). Bem, eu avisei que quando o empreendimento estivesse pronto, devido se tratar de um porto embargado, sem acesso ao principal mercado mundial (Estados Unidos) devido à lei Helms-Burton que pune com 180 dias proibição de atracar nos Estados Unidos, as embarcações que tenham anteriormente atracado em Cuba.

Também avisei que mesmo a capacidade para navios muito maiores existir, tal embargo, o fato de haver mais de 65 portos na região da América Central, caribe e Golfo do México, em pleno funcionamento e com regras adequadas, e não haver nenhuma segurança jurídica em Cuba, posto que, em 1996, havia uma ZPE em Mariel e esta foi desativada do dia para a noite por Fidel Castro, que acusou todos os empreendedores de contrabandistas a serviço do “imperialismo americano”, deixando 120 fundos de investimentos e mais de 200 empreendedores literalmente a ver navios, as únicas empresas que se instalariam lá seriam aquelas bancadas pelo dinheiro dos pagadores de impostos brasileiros (e de outros países), pois prejuízos são socializados, o comércio de drogas das FARC e as indústrias bélicas de China e principalmente da Rússia.

Também avisei que utilizariam o local para trocar armas pro drogas que abasteceriam o mercado consumidor das América, principalmente Estados Unidos, Brasil e México, e o Chinês, além do contrabando de armas para a Coreia do Norte e países aliados aos ideais comunistas, o que relatório da ONU já comprovou em ambos os casos, além do fato de uma semana antes do meu primeiro artigo da série terem aprendido uma carga de armas no canal do Panamá, financiada por Venezuela e protegida por soldados cubanos, disfarçada como carga de açúcar. Isso sem contar que há cabeças das FARC vivendo bem perto do Porto e ZPE de Mariel.

Bem, na época me disseram o seguinte: “as acusações que você faz são muito graves”. Mantenho o que eu disse a época: “não são acusações, mas uma análise dos fatos que leva a prováveis consequências”. Como tudo que eu disse tem ocorrido, agora é foi a vez de Vladimir Putin visitar Cuba e conversar sobre alianças estratégicas, tais como as “fechadas” com nossa presidente, Dilma Vana Rousseff, que abrangem: comércio, tecnologia e defesa. Não me espantará se o comércio e a tal tecnologia estiverem sob a “defesa”, ou seja, ligados a indústria bélica russa que se instalaria em Mariel, onde, por acaso, foi reativada uma base militar russa, da época da crise dos mísseis,

A Rússia também reativou uma base militar no Equador e deve instalar em breve uma na Venezuela. Pergunto: que acordo de “defesa”, feito entre países que apoiam o desarmamento civil, pode beneficiar os cidadãos?  Se você ler meu artigo sobre porte de armas (clique aqui) e verificar as fontes, verá que a Rússia é um dos países mais desarmados do mundo, enquanto possui taxa de homicídios bem acima dos mais armados.

Por que instalar e/ou reativar bases militares no coração da América Latina, justamente em um momento de expansão dos governos bolivarianos? Estaremos presenciando o retorno da Mãe Rússia? A Copa do Mundo de Futebol FIFA 2018 ocorrerá na Rússia justamente no momento que tal país mais quer internacionalizar sua influência, será mera coincidência?

O que é certo é que a Rússia cansou de exercer uma influência local e agora parte com tudo para uma influência global, que em muitos pontos lembra a expansão imperialista soviética e volta seus olhos justamente (como naquela época) para a América Latina, bem cara dos “ianques”. Mas desta vez encontram um ambiente com franca expansão de projetos de governos totalitários bolivarianos e um frouxo na Casa Branca.

*Jornalista, Assessor de Imprensa do Instituto Liberal e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça. Colunista do Clube Farroupilha, do Clube Miss Rand, do Epoch Times e do Liber Blog

 

Fontes:

Alerta Total – http://www.libertar.in/2014/02/alerta-total-russia-quer-instalar-bases.html

Neste Blog: 

1 – https://robertolbarricelli1.wordpress.com/?s=Porto+de+Mariel

2 – https://robertolbarricelli1.wordpress.com/2013/10/09/porte-legal-de-armas-de-fogo-diminui-a-violencia/

Relatório da ONU – http://www.un.org/ga/search/view_doc.asp?symbol=S/2014/147

ONU – http://www.un.org/

Diário do Grande ABC – http://www.dgabc.com.br/Noticia/359151/cuba-pode-ter-tentado-introduzir-drogas-nos-eua

Ucho Info –http://ucho.info/panama-intercepta-navio-norte-coreano-com-armamento-em-meio-a-carga-de-acucar

Estadão –  http://m.estadao.com.br/noticias/internacional,russia-quer-instalar-bases-militares-em-cuba-e-na-venezuela-diz-ministro,1134910,0.htm

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O presidente Imaturo – Parte 5

NicolasMaduro3

Por dispersão, ou por ter prestado atenção até demais, devido a minha preocupação com o avanço do socialismo bolivariano na América Latina, me “escapou” (na verdade tinha visto por cima, mas esqueci de pesquisar), uma das ações mais bizarras de Nicolás Maduro, a instituição de um teto máximo para aluguéis de imóveis comerciais.

Ocorre, que no final de novembro deste ano, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou o teto máximo de 250 bolívares por metro quadrado para o aluguel de imóveis comerciais, independente de localização, estado de conservação, etc. Essa medida visa baratear o aluguel para que comerciantes possam repassar essa diminuição de custo aos seus produtos.

Bonito, não? Porém, inaplicável. O resultado não será o “previsto” por Maduro, por questões econômicas simples. Vamos a elas:

1 – O controle de preços fomenta a criação/expansão/surgimento/fortalecimento do mercado negro, ou seja, donos de imóveis que alugarão “por fora”, ou farão todo tipo de “mutreta” como não incluir determinados custos no aluguel, cobrando-os fora deste e aumentando os custos do locatário, que precisará repassar aos produtos e serviços ofertados.

2 – Como quem pratica preços superiores terá que abaixar o aluguel, essa obrigação diminuirá o custo de quem já possui imóvel alugado para fins comerciais, no curto prazo, mas desestimulará a manutenção feita pelos donos e a renovação de contratos. Ou seja, também no curto prazo aumenta o custo do locatário devido à necessidade de fazer a manutenção do imóvel e deixá-lo “apresentável” aos seus clientes, como no longo prazo ele terá que procurar outro imóvel para alugar, ou fechar seu negócio (que resulta na perda de empregos).

3 – O decreto desestimula a locação de imóveis para o comércio, logo, locadores diversos devem oferecer os imóveis para fins residenciais a preços maiores. Isso encarece o custo por moradia e diminui a opção de imóveis para o comércio, prejudicando a geração de empregos.

4 – Devido à diminuição da oferta de imóveis comerciais em áreas “mais nobres”, os donos de imóveis em áreas “menos ou não nobres” encarecerão seus aluguéis até o teto máximo estipulado. Por exemplo, quem antes cobrava 50 bolívares o metro quadrado, passará a cobra 250 bolívares. Como a localização é inferior, ou o interessado não locará mais, ou buscará um imóvel no mercado negro, fazendo contratos para pagamentos “por fora” em áreas melhores, porém mais caros que antes devido ao risco, o que encarecerá os produtos e serviços, ou simplesmente não terá mais comércio “físico” e partirá ele próprio para o mercado negro ou “informal”, diminuindo a oferta de emprego e sucateando produtos e serviços.

5 – Quem aceitar pagar mais caro por imóveis comerciais em áreas “piores” terá que cortar custos, como colocar familiares (filhos, maridos, esposas, pais, mães) para trabalhar e evitar o custo de um ou mais funcionários. Também terá que vender produtos inferiores a preços menores que os superiores, mas acima do que realmente valem, para evitar a falência do negócio, devido ao poder aquisitivo menor do moradores dessas regiões.

6 – Haverão contratos de gaveta, com aluguéis mais caros que os atuais para compensar o risco, aumentando o custo de comerciantes, que repassarão aos produtos e serviços (já citei, mas não custa reforçar).

7 – A maior oferta de imóveis residenciais não diminuirá o custo destes, pelo contrário, haverão imóveis residenciais a preços de comerciais de antes do decreto (que costumam ser mais caros). Além do aumento do custo de vida, os imóveis que não conseguirem locatários devido ao alto custo deixarão de ser alugados e não haverá estímulos para que sejam mantidos em boas condições. Quando deteriorarem, talvez os donos aluguem por menos, mas quem aceitar terá um custo a mais pela necessidade de manutenção, ou aceitará morar em um imóvel em estado ruim de conservação, o que pode afetar inclusiva a saúde dessas pessoas.

Enfim, o controle de preços pelo Estado resulta em sucateamento e encarecimento de produtos e serviços. A próxima etapa será criar um teto máximo para o aluguel residencial, abaixo do teto do comercial, para tentar corrigir um problema criado pela medida anterior, o encarecimento do custo de moradia. Porém, isso estimulará ainda mais o mercado negro, aumentado os mesmos custos, ou no mínimo desestimulará ainda mais locadores a fazerem a manutenção de seus imóveis e/ou alugá-los, afetando a renovação de contrato e oferta de imóveis e encarecendo imóveis residenciais em áreas inferiores (mesmos resultados do teto máximo para imóveis comerciais).

Resultado, a oferta será menor do que a demanda, gerando escassez e custos maiores, algo ao qual o venezuelano está “se acostumando” a vivenciar. O Estado cria o problema através de intervencionismo e tenta resolvê-lo com mais intervencionismo, piorando o anterior e criando mais problemas, que serão utilizados para “justificar” mais intervencionismo, enquanto a culpa é colocada em bodes expiatórios como “o imperialismo”, “a oposição” e “a ambição de empresários capitalistas, neoliberais e malvadões”.

O cálculo de preços no socialismo já se provou impossível e o intervencionismo estatal gerador de resultados nefastos (principalmente para os mais pobres), mas estas são lições que o povo venezuelano aprenderá sentindo os efeitos das ações/decretos de Maduro, que ou é ignorante econômico, ou está muito mal intencionado, visando um projeto de poder absolutista, ao invés de um projeto de nação livre e com foco no contínuo e estável desenvolvimento social e econômico.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Blog do Rodrigo Constantino na Veja – http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/tags/maduro/

Estadão – http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,venezuela-maduro-estipula-teto-para-preco-de-alugueis,1102335,0.htm

Veja Economia – http://veja.abril.com.br/noticia/economia/maduro-aperta-cerco-ao-comercio-e-congela-precos-de-alugueis

Folha de São Paulo – http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/11/1378830-maduro-impoe-teto-para-aluguel-comercial.shtml

O Povo – www.opovo.com.br/app/opovo/mundo/2013/11/30/noticiasjornalmundo,3170336/nicolas-maduro-fixa-teto-para-alugueis-de-imoveis.shtml

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O presidente Imaturo – Parte 3

Maduro3

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, recebeu “super poderes” do congresso para governar por decreto. Deram super poderes a um super maluco. Será que entre seus poderes está o de falar com os mortos e por isso ele vê Hugo Chávez em todos os lugares? Mas esses super poderes só foram entregue agora, que estranho, não?

A verdade é que o projeto de poder de Maduro necessita que este imponha sua vontade a qualquer custo e seja capaz de censurar os opositores, para tal, além de sempre mudar o foco dos problemas e transferir a culpa do seu governo pela crise econômica e social ao twitter, sabotagens da burguesia parasitária e o imperialismo “estadunidense”, agora Maduro poderá sufocar de vez seus “inimigos”.

O presidente pretende limitar os lucros dos empresários para garantir preços baixos ao povo venezuelano, mas não se atenta ao fato que limitar os lucros obrigará os mesmos empresários a cortar custos, principalmente quanto à qualidade de produtos e serviços. O povo terá acesso a bens sucateados.

Poderá também censurar os “mentirosos jornais da burguesia parasitária”. Como não é surpresa que um governante autoritário e cego tenha acessos de raiva quando é exposta a verdade, Nicolás Maduro demoniza os jornais que não agem de acordo com a sua cartilha. Divulgar a verdade virará crime na Venezuela, que já se encontra em tomada de liberdades individuais, principalmente a de expressão, há muito tempo.

Basta saberem que Maduro ordenou a prisão de dois jornalistas e um fotógrafo do jornal oposicionista “Diário 2001”, que ficaram detidos por algumas horas, por cobrirem um evento do Natal antecipado por decreto, organizado pelo governo, em Caracas.

Também podemos verificar que os veículos de comunicação independentes foram fechados em 14 anos de Chávez no poder. Não satisfeito, Maduro criou veículos estatais para terem o monopólio das “informações oficiais” alegando que os veículos privados não cumprem o “dever” de noticiar as maravilhosas conquistas do governo e, portanto, não podem noticiar nada em relação ao mesmo. Em poucas palavras, afirmou que os jornais devem ser veículos de propaganda positiva do governo e não noticiadores da verdade.  Isso tudo ocorre em setembro de 2013.

Além disso, Maduro criou o “Noticiário da Verdade” (versão da verdade do governo e dele próprio) como se nada que seja diferente do que for informado nesse noticiário (de transmissão obrigatória pelas emissoras, adeus liberdade de imprensa) por outros veículos seja verdade. Assim ele pode noticiar que Hugo Chávez aparece em forma de passarinho pelas manhãs e que o Twitter é um vilão imperialista perigoso e inimigo do Estado Venezuelano.

Para piorar, ontem (14/11/2013), Maduro pediu que os venezuelanos não lessem determinados jornais, ou seja, aqueles que não acariciam seu governo independente das arbitrariedades e ações nefastas. Claro que esse pedido ocorreu em um discurso emocional e desprovido de razão, para vender melhor a ideia aos “pobres eleitores”. Tanto, que Maduro criticou o clero no país e convocou as imagens de Jesus Cristo, o Papa e São Francisco de Assis.

Não sem antes tornar a acusar um suposta “guerra econômica da burguesia contra a Venezuela” pela crise causada por anos de políticas socialistas bolivarianas mal sucedidas, que sufocaram o mercado nacional e afastou os investidores internacionais, deixando a balança comercial desfavorável, diminuindo o acesso da população a produtos e serviços (principalmente de primeira necessidade), forçando as empresas a diminuírem sua produção, distribuição e estoques para se protegerem do excesso de oferta fora da realidade financeira da maioria da demanda, ou seja, tiveram que diminuir a produção e aumentar os preços para equilibrar as finanças devido a supressão da demanda.

O resultado é a escassez desses produtos e serviços e uma distorção econômica rara, pois há demanda suficiente, mas o mercado sufocado pelo Estado não possui condições de ofertar seus produtos e serviços dentro das possibilidades econômicas da maioria dessa demanda. Esses fatores somados geraram a hiperinflação que vive a Venezuela.

O Estado causa os problemas e qual a solução proposta por Maduro? Poder especiais para aumentar o controle do Estado.

Não satisfeito com as estatizações de empresas por acusação de “guerra econômica através de especulação”. Essas empresas, agora estatais, aumentam pouco a produção e sucateiam os produtos para que seja possível vender aos venezuelanos por preços ínfimos. O medo dessas estatizações afastam ainda mais os investidores internacionais, com exceção de governos simpáticos a Maduro, como brasileiro, que doam o nosso dinheiro para socorrer o falido governo venezuelano e sustentar o projeto de poder de Maduro.

O presidente venezuelano continuará a por a própria culpa em bodes expiatórios como o imperialismo, sabotagens da oposição, “burguesia parasitária” (a mesma que gera empregos e riqueza) e no twitter. Daqui a pouco sobrará até para personagens de desenhos e gibis… Opa, ele já fez isso, ao colocar a culpa da violência na Venezuela em cima do homem-aranha.

Agora teremos o Super Imaturo, embananado, destruindo o país e colocando a culpa nos vilões imaginários de sua realidade alternativa.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

– Jornal de Notícias de Portugal (JN Portugal – 14/11/2013) –  http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3534162&page=-1

– G1 Mundo – http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/11/maduro-convoca-boicote-contra-jornais-burgueses-na-venezuela.html

– Veja (Internacional – América Latina – 18/09/2013) – http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/maduro-culpa-o-homem-aranha-por-criminalidade-na-venezuela

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O presidente Imaturo – Parte 2

maduro1

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou seis medidas nefastas para enfrentar a crise econômica. De novo na linha; “Políticas socialistas bolivarianas criaram problemas? Vamos resolver com mais políticas socialistas bolivarianas”.

As seis medidas são:

– Controle de preços e do câmbio

– “Liberação de recursos para o setor produtivo”

– Criação de uma corporação para o transporte de produtos

– Operações cívico-militares para fiscalizar a especulação financeira

– Programas para promover a poupança

O controle de preços e do câmbio trabalhará com “preços justos e máximos” dentro dos conceitos do governo socialista bolivariano, ou seja, o comércio não terá mais liberdade para realizar o próprio cálculo financeiro e terão que se adaptar a esses preços. Logo, para garantir a sobrevivência haverá duas possibilidades: vender produtos e prestar serviços bem baratos e de qualidade inferior, ou diminuir a variedade de produtos e serviços, mantendo apenas aqueles que possam comercializar dentro do que manda o governo, gerando mais escassez e inflação.

Nesse ponto podem questionar: “Mas essa política não incentiva as empresas a investirem em preços menores e qualidade para ganhar os clientes e ficarem dentro dos preços máximos?” Não! Pois os custos com as novas regulamentações e com os impostos, a escassez e a medida 2 impedem que isso ocorra. Só o que promove preços baixos e qualidade de produtos e serviços é a livre concorrência, inexistente na Venezuela.

A “liberação de recursos para o setor produtivo” ocorrerá apenas para empresas que invistam na produção e no mercado nacionais, ou seja, uma boa dose de protecionismo garantindo a subsistência dessas empresas, o que diminui ainda mais a necessidade de competição e incentiva o sucateamento de produtos e serviços e preços maiores (ou máximos, nesse caso), bem acima do que poderiam ser.

As empresas que atuam com produtos de primeira necessidade (principalmente alimentos) também receberão “ajuda” (leia-se subsídios protecionistas) do governo de Maduro, através do Fundo de Compensação e Estabilização para a proteção de preços. Tudo isso pago com dinheiro sugado da PDVSA (que se continuar assim tomará o posto de empresa mais endividada do mundo da Petrobras, cujo governo brasileiro fez o mesmo uso) e dos contribuintes (que acabam pagando duas vezes).

O controle do câmbio será de responsabilidade do Centro Nacional de Comércio Exterior. Certo! Vamos controlar o câmbio que está galopante por causa do Estado através de mais Estado controlando o câmbio.

A criação da empresa estatal de transportes teve início com o pedido de cinco mil caminhões ao Brasil e à China. Mais uma empresa para ser aparelhada por um Estado que é mau prestador de serviços. Pergunto, haverá pagamento pelos caminhões brasileiros, ou nós pagaremos essa conta à Venezuela? Bastava que Madura deixasse o mercado de transportes livre para atuar e a concorrência obrigaria as empresas (existentes e que surgiriam) a ter qualidade e agilidade na prestação de serviços, bons equipamentos (e não sucateados) e preços baixos. Empresas que não atendessem a esses requisitos seriam engolidas pela concorrência e faliriam, como ocorre em todos os setores dentro de um Livre Mercado. Mas o presidente venezuelano prefere montar uma estatal inferior e custosa que será mantida com dinheiro de outras estatais e dos contribuintes. Não há almoço grátis, se é grátis para X é porque Y está pagando.

Operações cívico-militares para inspecionar os preços, ou seja, o mesmo que os fiscais que temos aqui no Brasil, com diferença que não são militarizados. E qual o resultado aqui? Incentivo a corrupção. Criar fiscais, sendo que nem todos serão militares, não garante o sistema de preços, apenas cria mais um custo aos comerciantes: corromper os fiscais. Tal custo será repassado ao consumidor. Agentes governamentais com o poder de fechar o seu negócio caso encontrem alguma “irregularidade” abre espaço a uma nova rede de corrupção, como vemos em diversos países pelo mundo, desenvolvidos, subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Portanto, esse poder deve ser colocado nas mãos invisíveis do livre mercado, que agem com muito mais sabedoria e proporcionam um ambiente favorável a empresários e consumidores, através da concorrência que (repito) aumenta a qualidade e diminui os preços.

Por fim, alguém pode dizer: “Mas você não tem como questionar que promover a poupança é algo bom!”. Engana-se! Promover e incentivar a poupança são situações diferentes. Promover a poupança significará (nas palavras do próprio Maduro) “estimular o regresso de capital e divisas à Venezuela”. É o Estado controlando para onde você manda seu dinheiro e onde o poupa.

Incentivar a poupança significa criar um ambiente economicamente favorável que permite ao indivíduo poupar. Isso é possível através da implantação do Livre Mercado, pois quanto mais liberdade econômica, maior o poder aquisitivo do consumidor, pois a mão de obra passa a necessitar de mais qualificação e ser disputadas pelos diversos concorrentes, valorizando-se e proporcionando experiência profissional a quem possui pouca ou nenhuma. Aliando isso aos preços menores e decorrente aumento de salários e benefícios, há mais oportunidades para o consumo e a poupança.

As seis medidas de Nicolás Maduro levam a Venezuela à beira do abismo socialista e aprofundará ainda mais a crise instaurada justamente por políticas semelhantes anterior a essas. Mas Maduro continua no seu mundinho particular, onde todos são felizes, gratos, abastados e Hugo Chávez surge na forma de um passarinho à sua janela para lhe agradecer pelos sensacionais serviços prestados a causa bolivariana.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Terra Economia – http://economia.terra.com.br/maduro-anuncia-6-medidas-para-enfrentar-crise-economica-na-venezuela,65c6b6ff0a622410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

Agência Brasil (EBC) – http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-11-06/maduro-anuncia-medidas-para-enfrentar-crise-economica-na-venezuela

DINERO – http://www.dinero.com/internacional/venezuela/articulo/el-presidente-nicolas-maduro-anuncio-paquete-medidas-economicas/187567

  • As análises sobre as medidas citadas são de responsabilidade do autor do texto.

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A realidade brasileira

corrupto

Ocorre que o bolivarianismo, corporativismo, socialismo, trabalhismo, nacional-socialismo, positivismo, incluindo o “republicanismo” e mesmo as ditaduras, incluindo a dos militares alagoanos e o mais longo período em estado de sítio, a do ditador Getúlio Vargas e a dos militares, assim como a do proletariado que alguns desejam nos impor, ou uma mistura deles como temos no Brasil, é oportuna para o tipo de político que temos, salvo raras exceções. A realidade é que todas estas formas, exceto o liberalismo e quando muito o liberalismo-social ou o liberalismo-conservador não exigem o excesso de intervencionismo, o qual faz aumentar o tamanho do Estado e assim poder acomodar a sociedade do privilégio.

Muito embora os atuais políticos queiram nos fazer acreditar, invocando tais ideologias ou formas de se fazer política, no Brasil nunca tivemos luta de classes de verdade ou uma luta étnica; a tensão social sempre foi entre o Estado, ou seus donos, e a Sociedade, especialmente os brasileiros desprovidos de privilégio.

A nossa Constituição é o melhor exemplo dessa sociedade de privilégios, cheia de direitos, mas vazia em obrigações, exceto as dos contribuintes.

E não serão com poucos privilégios; como a questão de cotas nas universidades, empresas ou nas tribunas que iremos fazer a diferença.

Não descarto que a questão das cotas tenha um impacto positivo, seguramente, mas também tem um impacto negativo muito grande, é e está sendo mais um motivo para nos desviarmos do compromisso com a educação fundamental, para que ela seja o grande diferencial na vida de todos os brasileiros.

Lula e sua terceirizada, Dilma, souberam e sabem explorar isso muito bem, tanto que o principal aliado político foi o dono do Brasil, o Sr. José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, e foi no (des)governo dele que esta questão da sociedade do privilégio ficou muito bem caracterizada, isso até a esquerda começar a se articular com sua base afilhada, isso mesmo, afilhada, e com o Foro San Pablo.

Os primeiros anos depois do regime militar, onde se tinha austeridade, mas infelizmente uma gestão top-down e excessivamente intervencionista, produziram a hiperinflação porque a dinâmica política foi a de “incorporar” todo mundo que aparecesse, todos os que quisessem poderiam ter sua Emenda no Orçamento, sua “Conquista” consagrada na Constituição, seu programinha de apoio no contexto da “Política Industrial”, todo o país passou a ser “estratégico” e, por força do Princípio da Isonomia, todos passaram a merecer o direito a algum pequeno Cartório pelo menos igual ao do vizinho. Todos se tornaram Credores do Estado, e, portanto, cobradores implacáveis da Dívida Social.

Assim temos hoje o que move a nossa política, o clientelismo político, com seu capitalismo de comparsas, longe da liberdade de mercado, e com seu socialismo movido pela oclocracia, sem compromisso com bens e serviços públicos.

O cobertor é curto demais. 

Ocorre, porém, que o cobertor é curto demais, assim temos o endividamento crescente penalizando as futuras gerações, a excessiva carga tributária que escraviza o contribuinte e alimenta parasitas; o imposto inflacionário que alimenta grandes grupos com suas desonerações seletivas, mas que financiam campanhas e o que é pior, a venda do Brasil através de commodities, de produtos sem valor agregado, desconsiderando que são eles que de fato geram emprego, riqueza e renda e evitam a concentração econômica, mas que não se sustenta, pois desconsideram a ética capitalista, fundamental para uma nação se desenvolver.
Dilma e Lula, com sua base afilhada, não se dão conta que o Estado não é criador de riqueza, apenas um veículo de transferência, o modelo rapidamente está se revelando novamente impraticável. O nobre propósito de “incluir os excluídos”, uma massa que a todo instante aumenta no Brasil, com justificativas das mais variáveis, incluindo também os que querem andar de graça nos ônibus municipais, está se corrompendo pelo fato de que uma sociedade que se viu livre do imposto inflacionário, o mais cruel dos impostos, que penaliza os mais pobres e miseráveis, esta perdendo a sua principal conquista, a da previsibilidade econômica.

Infelizmente se faz necessário que todo brasileiro entenda a importância do uso dos indicadores de liberdade, para que ele então possa entender uma relação simples, a da causa e do efeito, e entenda que os demais indicadores econômicos e sociais são efeito e que a educação fundamental e o uso dos indicadores de liberdade encontram-se nas causas para o desenvolvimento de uma nação.

“Mas doutor, uma esmola, pra um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão…” (“Vozes da seca”, de Luiz Gonzaga do Nascimento – Gonzagão – e José de Souza Dantas Filho – http://www.luizluagonzaga.com.br/)

É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Para cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de alguém. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a”. (Pastor Adrian Pierce Rogers 12 de setembro de 1931 – 15 de novembro de 2005

Por Gerhard Erich Boehme

Imagem de responsabilidade do Blog.

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