Privatização de restaurantes – Mais uma derrota do socialismo em Cuba

RaulCastro

A ditadura castrista avança com seu programa de privatizações em uma falida Cuba para possibilitar a atividade econômica saudável e expansível. Esse avanço significa uma vergonhosa derrota do socialismo/comunismo (mais uma).

A bola da vez são os restaurantes estatais, sucateados e caros, alguns que atendiam aos turistas mantinham alguma qualidade e também serão privatizados. Há restaurantes privados em Cuba, pequenos estabelecimentos conhecidos como paladares (há aproximadamente dois mil deles na ilha cárcere) que começaram a surgir há alguns anos.

Ao todo, são 20 restaurantes estatais que serão privatizados. O modelo da privatização é o mesmo utilizado para outros setores, como de transportes, mercado alimentício, construção e indústria leve, e consiste em entregar os restaurantes as cooperativas formadas pelos funcionários dos estabelecimentos, que serão responsáveis por tudo que envolve os negócios: estratégia, cardápio, compra de alimentos, preços e divisão dos lucros.

Alguns dirão que Cuba está mantendo em suas mãos apenas os setores estratégicos, na tentativa de defender ao menos um modelo fortemente intervencionista, mas até quando? Ora, antes de privatizar tais setores, Cuba precisa privatizar os menores, isso é óbvio. E nesse aspecto me vem uma constatação importante. O setor de transportes não é um dos mais estratégicos de um país? No caso de Cuba, talvez menos que outros setores, mas não deixa de ser estratégico.

Os funcionários serão responsáveis pelos empreendimentos. Bem, como já eram eles que trabalhavam, não devem ter muita dificuldade para administrar os restaurantes. Quem disse que burocratas são melhores para tomar decisões do que os demais indivíduos? Agora, sujeitos ao sistema de preços e ao mecanismo de lucros e prejuízos, os restaurantes devem ganhar em qualidade e preços acessíveis/baixos de acordo com o público alvo (cubanos ou turistas).

Essa medida segue a linha das reformas liberais em curso na economia cubana desde a transferência do poder de Fidel Castro ao seu irmão, Raul Castro. Por enquanto o que vemos é uma privatização que visa manter as empresas nas mãos dos cubanos, o que não é ruim, desde que tenham forte concorrência interna. Mesmo que as empresas fiquem nas mãos de cooperativas, estas terão que concorrer entre si e em casos como dos taxistas haverá concorrência entre os membros.

É importante salientar que nesse modelo de cooperativas, mesmo que a divisão de lucros seja igualitária, ou seja, todos receberão percentuais iguais do lucro independentemente da função exercida, não há desmotivação, pelo contrário, os indivíduos tendem a se esforçarem mais para que haja mais lucro a ser dividido e seus rendimentos serem maiores, cobrando firmemente daqueles que não estejam também se empenhando, pois não é justo que quem não você se mate de trabalhar para ganhar o mesmo que aqueles que não se empenham.

Como não há um valor definido é possível obter maior renda através de maiores lucros, diferente do sistema onde seu rendimento será fixamente o mesmo de todos os demais independente de sua qualidade e produção, como ocorre no serviço público, onde também não há vantagem alguma em se cobrar do colega para que trabalhe melhor, pois isso não aumenta sua renda, nem a dele.

Se o modelo de cooperativas previsse que não haveria aumento de renda independente do aumento do lucro, que todos ganhariam o mesmo independente de produção e qualidade do serviço, que incentivar uns aos outros a trabalhar melhor não traria nenhum benefício e não houvesse uma solução própria do livre mercado como bonificações, comissões, planos de carreira e benefícios individuais a quem se destacasse, logo, o serviço seria igual ou pior ao estatal devido à falta de motivação para exercê-lo fora do mínimo necessário para não falir.

Neste caso, não há bonificações, comissões, nem planos de carreira e todos provavelmente ganharão percentualmente a mesma fatia do lucro, no entanto, quanto mais e melhor produzirem, maiores serão suas rendas, o que garante o incentivo necessário para que prestem bons serviços e ofereçam bons produtos.

“Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta (neste caso o de aumentar a própria renda através do aumento do lucro total) é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade”. Este é o pensamento de Adam Smith (um dos mais importantes pensadores do liberalismo econômico) e serve como uma luva para explicar a motivação dos funcionários/donos das cooperativas.

Os restaurantes privatizados terão que competir com os dois mil paladares existentes e precisarão oferecer qualidade e preço compatíveis, ou baixos, pois do contrário haverá prejuízo que será de responsabilidade de seus donos. Quem deseja perder dinheiro e/ou falir? Exatamente, ninguém!

Para que o modelo funcione é necessário que a Ditadura Castrista deixe o mercado fluir, sem sufocá-lo com regulamentações e tributos excessivos; o que aparentemente não será o caso, proporcionando um ambiente de livre concorrência e incentivo ao empreendedorismo.

Também será interessante a abertura gradual ao mercado externo visando atrair o investimento estrangeiro. Digo gradual, pois os cubanos primeiro precisam aprender a gerirem seus negócios, para gradualmente o investimento estrangeiro gerar mais riquezas, renda e empregos, sem destroçar a iniciativa privada da Ilha; algo que não poderia ser feito mais rapidamente caso Cuba não estivesse há mais de 50 anos sob a “guarda” do socialismo/comunismo, que criou os problemas que agora obrigam Raul Castro a finalmente aderir às reformas liberais e aos poucos reconhecer a superioridade da livre iniciativa e do livre mercado e os nefastos resultados do socialismo/comunismo.

Aguardemos!

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

G1 Mundo – http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/08/cuba-vai-se-desfazer-de-restaurantes-estatais.html

Livro: “A Riqueza das Nações” (Adam Smith)

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