Holodomor – O Holocausto Ucraniano “esquecido”

Holodomor

Da nova série: “Horrores do Comunismo”

Quando um idiota útil pregar “as maravilhas do comunismo” o questione sobre o Holodomor. Ou ele se calará pelo medo de falar sobre um assunto que destrói todas as convicções que possui, ou negará o ocorrido, tentando desesperadamente e de todas as formas desacreditar a verdade. De qualquer maneira, acabou o debate e ele terá se exposto ao ridículo.

O Holodomor também é conhecido como holocausto ucraniano. Em 1929, sob o comando de Joseph Stalin, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) iniciou uma campanha de coletivização forçada sobre as propriedades rurais, principalmente na Ucrânia, cujo sentimento nacional era considerado um perigo real aos interesses comunistas.

Primeiro todos os Kulaks (fazendeiros donos de quantidade expressiva de terras) foram declarados sabotadores e inimigos da União Soviética. Após isso, o Governo iniciou sua campanha para colocar os camponeses contra esses.

Imagina a “surpresa” de Stalin ao descobrir que os camponeses eram ainda mais contra a política soviética do que os próprios Kulaks? Não pensou duas vezes e prendeu, deportou, assassinou, enfim, exterminou os Kulaks existentes, para depois utilizar o termo para qualquer camponês que cometesse o terrível crime de possuir duas vacas, plantar e colher para si, colher batatas, etc.

A coletivização forçada pretendia suprir o que o governo soviético considerava necessário em cereais para abastecer as cidades, sendo iniciada em 1929. Porém, tomou dimensões nefastas e foi utilizada como tática de extermínio. Essa ordem gerou o desestímulo à produção, pois “porque produzirei que nem um maluco, se no final tudo ficará ao Estado e passarei fome?”. Então, Stalin classificou a todos como “Kulaks sabotadores” e utilizou este discurso para legitimar de vez a coletivização forçada.

Em 1932, com a coletivização forçada já praticamente concluída e todos aqueles a quem se poderia chamar de Kulaks (pela definição criada por Stalin) mortos, presos ou em fazendas coletivas para trabalhos forçados, Stalin ordenou uma caça aos intelectuais e personalidades culturais da Ucrânia, pois via nestes a possibilidade de tornarem-se líderes naturais de uma possível resistência ao regime comunista. Após alcançar tal meta, voltou-se aos camponeses, que devido ao seu nacionalismo e tradições, deveriam ter a mente, o corpo e o espírito dilacerados.

Stalin começou propositalmente estipulando a produção de uma quantidade mínima X para abastecer as cidades, porém, a quantidade estipulada era muito acima da real capacidade de produção. Nessa época as propriedades privadas já tinham sido transformadas em enormes fazendas estatais coletivas.

Com 20 milhões de propriedades rurais privadas agora transformadas em 240 mil fazendas estatais, com os “falsos Kulaks” obrigados a trabalhar nestas e a determinação de uma produção mínima, porém maior que a capacidade de produzir, Stalin levou os ucranianos ao limite da fome e miséria humanas.

Ora, se não produziam sequer o que estava definido como necessário para o abastecimento das cidades, logo, não lhes sobrava nada para comer. A fome foi instituída pela União Soviética ao povo da Ucrânia, resultando no terrível Holodomor, em 1932-1933. Nesse curto período de tempo, devido a fome, morreram aproximadamente 6 milhões de ucranianos. Mas a situação piora e é de embrulhar o estômago.

Como obviamente a produção ficara abaixo da meta estipulada, Stalin deu ordens para seus ativistas confiscarem dos camponeses todo o cereal que estes tivessem, com a desculpa de que precisavam ficar dentro de tal meta pelo bem da URSS e de seu “povo”. Estes ativistas invadiam as casas dos ucranianos à procura de comida que estes escondiam para a própria sobrevivência. Colher o fruto do seu próprio trabalho virara crime hediondo, com penas de 10 anos, ou até de morte.

Em 1933, com a Ucrânia à beira do extermínio em massa de seu povo pela fome, Stalin aumentou a meta de produção e coleta de cereais. Foi o golpe final de Stalin sobre os ucranianos. A partir desse momento, corpos eram encontrados por todos os lugares e a loucura estava espalhada. Há documentados casos de canibalismo; imagine que crianças, idosos e outras pessoas desapareciam “misteriosamente”, mas na verdade foram assassinados e devorados por parentes (até Mães e Pais) e vizinhos, ou estranhos. Há relatos de pessoas devoradas vivas.

Claro que, ao longo dos anos, tentaram desacreditar os fatos, porém, documentos foram encontrados e sobreviventes contaram pelo que passaram. Até ativistas da URSS confessaram os crimes hediondos contra a humanidade. Recomendo a leitura do livro The Harvest of Sorrow (A colheita do sofrimento), de Robert Conquest, onde visualizarão os horrores do Holodomor através dos relatos e documentos mencionados.

Voltando, os ativistas diziam a si próprios que o que faziam era necessário pelo bem do comunismo e da União Soviética, sendo legitimável o assassinato de milhões de pessoas. Se, além da fome, considerarmos outros incidentes com camponeses, provocados pela política nefasta de Joseph Stalin, no período de 1930 até 1937, o número de mortos/assassinados sobe para 14,5 milhões.

Stalin acreditava firmemente que se tudo não fosse do Estado, a URSS entraria em colapso e a produção de cereais seria insuficiente para suprir as necessidades do povo. Bem, ele estava tão errado, que em 1985, com Mikhail Gorbachev no poder, nos 2% de terra privada que restara eram produzidos 30% do total de cereais. Iniciativa privada provando novamente ser melhor e mais eficaz que a socialização.

Atualmente a Ucrânia passa por fortes protestos pelo congelamento da assinatura de um acordo com a União Europeia e possibilidade de assinatura de um acordo com a Rússia, aproximação essa que nem há anos luz de distância querem os ucranianos, tamanho o trauma sofrido nas mãos do Kremlin.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Instituto Ludwig von Mises Brasil – http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1046

Alameda Digital – http://www.alamedadigital.com.pt/n10/sombras_historia.php

Deutsche Welle (DW) – http://www.dw.de/encontro-entre-governo-e-oposi%C3%A7%C3%A3o-termina-sem-acordo-na-ucr%C3%A2nia/a-17296447

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2 Comentários

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2 Respostas para “Holodomor – O Holocausto Ucraniano “esquecido”

  1. Maxmiliano Von Danesk

    Está incorreto esvaziar o peso que um vocábulo como holocausto traz no seu DNA, já que assassinatos em massa foram cometidos sob a conivência de muitas ideologias políticas, não é exclusividade do comunismo ucraniano, inclusive classificado no texto erroneamente como esquecido.

    O nazismo alemão foi uma ditadura armada com o pior da extrema-direita que, travestida de coletivismo nacional-socialista, dizimou milhões de judeus, negros, homossexuais e quase todo opositor do regime, ambicionando conquistar pela força a Euro e, quiça, o mundo inteiro para si, num império que sonhado para durar mil anos.

    E até mesmo países democratas, como os Estados Unidos, matam em nome de uma suposta liberdade, que no fundo só vale para eles e seus interesses comerciais – nesta semana mesmo, foi noticiado que um drone norteamericado bombardeou uma festa de casamento, pois havia se confundido e tomado os convidados por membros da Al-Qaeda. Qual perdão à tamanha barbeiragem?

    Se o interesse é clarear o passado e iluminar erros, o autor precisa abandonar tendências puramente ideológicas e se dedicar mais ao estudo da história verdadeiramente, de preferência com mais variedade de fontes e pontos de vista.

    Boa sorte!

    • Ou você é desonesto intelectual, ou precisa estudar e se livrar das amarras ideológicas.

      1- Hitler disse: “Sou socialista e aprendi muito com o Marxismo” em seu livro ‘Mein Kampf” (Minha Luta).
      2- O nazismo acabou com os direitos individuais, perseguiu negros, judeus e homossexuais, controlou todo o mercado e coletivizou os meios de produção. exatamente igual fez URSS, Cuba, Coreia do Norte, Laos, China… O Nazismo não é extrema direita, mas de esquerda, basta ter um mínimo de decência ao analisar os fatos e isso surge claro como o dia. Quer fontes? Estão todas listadas neste texto: http://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/category/nazismo/

      3- Interesses comerciais? Conte-me mais sobre a colonização do Iraque após o final da guerra? (Ops, não ocorreu). Conte-me sobre como o Estados Unidos interfere no Afeganistão que não possui petróleo suficiente sequer para a própria subsistência. Ocorreu um erro? Que sejam punidos os responsáveis. Infelizmente erros ocorrem.

      4- Em Cuba, Coreia do Norte e URSS homossexuais são/foram enviados juntos com judeus (nas duas últimas) para campos de trabalho forçado. Che Guevara disse que “o negro indolente gasta seu dinheiro com qualquer futilidade, diferente do branco europeu que possui uma cultura de economia”. Também mandou fuzilar diversos gays e mandar tantos outros para trabalhos forçados, junto com rockeiros (o neto de Che tocava guitarra e teve que fugir de Cuba nos anos 80).

      5- Marx era judeu, mas odiava os judeus (contraditório como tudo em sua vida), algo que ficou claro em seus escritos, como O Capital e no Manifesto Comunista, além de obras lançadas após sua morte. Ajudando a inspirar Hitler (que como já informado assumiu tal inspiração). A disputa de Hitler com os comunistas da URSS era apenas por poder e não ideológica.

      6- Os países mais livres do mundo são capitalistas e não perseguem judeus, gays e negros. Os mais fechados são socialistas ou comunistas e persegue todos esses e mais um pouco. A Coreia do Norte é o país que mais persegue cristãos no mundo, sendo que possuir uma Bíblia é considerado crime punível com a morte.

      Tudo que você apresentou foi um ataque sem qualquer fundamentação factual e lógica ao autor (eu), provavelmente seguindo o conselho de Lênin aos ativistas: “acuse seu oponente do que você é”. Você só conseguiu provar que as doutrinas e regimes provenientes do Marxismo resultaram em horrores. Recomendo que você estude e se livre de seus conceitos puramente ideológicos e desprovidos de honestidade e argumentos baseados em fatos (você se olhou no espelho ao me dizer para fazer isso, certo?).

      Quando tiver a capacidade de debater com argumentos e não falácia e ad hominem, será bem vindo ao Blog, antes disso, não retorne para não passar mais vergonha.

      Muito Boa Sorte. Você precisará!

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