Política do salário mínimo prejudica os mais pobres

salariominimo

Quero antecipar que este não é um artigo emocional, para agradar ninguém, tão pouco para aliciar os mais pobres a alguma “causa”. Nele exponho uma realidade lógica e racional.

A política do salário mínimo prejudica os mais pobres e menos qualificados, pois impede que estes aceitem empregos com salários menores, mas que lhe proporcionaria a entrada no mercado de trabalho e a obtenção de experiência profissional, logo, valorizando sua mão de obra e possibilitando o crescimento profissional.

O Estado ao definir um salário mínimo obriga os empresários a pagarem ao menos o valor X (R$678,00) ao funcionário independente do valor real de sua mão de obra, logo, tais empresários contratarão apenas aqueles funcionários que forem “merecedores” de tal remuneração “mínima”. Esse processo óbvio e natural de mercado excluirá os menos qualificados e experientes.

Os jovens são os mais prejudicados e sabendo disso o governo criou o tal do “Jovem Aprendiz” para possibilitar ao jovem a obtenção de experiência através de um emprego com remuneração inferior, porém “compatível”. Contudo, ocorre que esse jovem também possui baixa qualificação e a categoria criada possui uma remuneração mínima, o que novamente exclui os mais pobres e menos qualificados/experientes.

Para “consertar” isso criaram o ProJovem, que proporcionaria a qualificação necessária para valorizar a mão de obra de jovens até 29 anos, principalmente aqueles aptos ao Jovem Aprendiz. Porém, os cursos são de baixa qualidade e pouco procurados pelo mercado de trabalho.

A realidade e a seguinte. A política do salário mínimo inibe a contratação de pessoas menos qualificadas e/ou menos experientes, pois contratá-las geraria prejuízo ao empresário, que seria obrigado a pagar mais do que vale a mão de obra.

A abolição imediata do salário mínimo possibilitará que os excluídos se insiram no mercado de trabalho, inicialmente ganhando menos que os R$678,00 estabelecidos atualmente, mas essa inserção possibilitará a obtenção de experiência e a capacidade de investir (mesmo que pouco) na própria qualificação, ou no mínino investir tempo em estudar por conta, buscando a valorização.

Após adquirir experiência e iniciar a qualificação, o indivíduo outrora excluído poderá valer-se da valorização de sua mão de obra e conseguir um emprego que pague melhor, que levará a obtenção de mais experiência, aumento da capacidade de investir na própria qualificação e mais valorização de sua mão de obra. É um ciclo virtuoso.

O salário mínimo não ajuda os pobres, aumentando-lhes os ganhos, pois para compensar os investimentos o empresário terá que obter determinados resultados e a exigência será maior. Além disso, aumenta o desemprego entre os mais jovens, os mais pobres, menos qualificados e menos experientes.

Um ambiente que permita a ascensão social e econômica através do próprio trabalho é o mais justo e menos “desigual”, sendo possível apenas em um Livre Mercado, ou seja, sem intervenção estatal, principalmente nas relações empregatícias.

Manter a existência do salário mínimo, com aumentos anuais para piorar, ajudará a marginalizar ainda mais o cidadão que quer e precisa trabalhar, mas possui pouca qualificação e experiência. Esse indivíduo busca uma oportunidade de mostrar sua capacidade e ascender profissionalmente, sendo essa oportunidade tolhida pelo Estado, com suas leis intervencionistas sufocantes e falsas boas intenções.

A melhor forma de beneficiar o mais pobre é deixar que o mercado lhe proporcione meios de através do próprio esforço ascender profissionalmente e socialmente, para que as próximas gerações sejam mais bem preparadas por esses trabalhadores com maior poder aquisitivo para investir na educação e qualificação de seus filhos.

Sempre haverá desigualdade, pois nenhum ser humano é igual ao outro, mas é possível diminuir consideravelmente a miséria através da concessão ao indivíduo de sua própria liberdade, seja para empreender, criar, associar-se, etc.

Enquanto o Estado babá determinar quanto devemos ganhar, ou quanto as empresas devem pagar a seus funcionários, acabando com a liberdade nas relações empregatícias, a marginalização do miserável não cessara e os jovens terão a cada dia mais dificuldade para construir um mundo próspero no amanhã.

Fora, que enquanto o Estado aumenta o salário mínimo, a inflação repõe tal aumento, que no fim, não saiu de um empate. Isso deixa os mais pobres, menos qualificados e experientes, que estão desempregados, tendo que pagar mais por produtos e serviços, sendo que a dificuldade para obter um emprego aumentou e seus rendimentos continuam perto de R$0,00.

Por Roberto Lacerda Barricelli

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48 Comentários

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48 Respostas para “Política do salário mínimo prejudica os mais pobres

  1. Marcelo

    Seria interessante você levantar índices que apontem em que patamar estamos nos índices de desemprego. Uma análise mais detida irá revelar que os índices são extremamente baixos. Quer prova disso? É só sair às ruas e realizar uma pesquisa que isso se comprova. Pouquíssimas pessoas não conseguem emprego devido à sua baixa qualificação. E aquelas que não conseguem, existe SIM políticas de incentivo por parte do governo (sem partidarismo). Sem entrar no mérito da eficácia ou não destas políticas, vamos nos deter aos números… Os mesmos nos mostram que caminhamos rumo ao pleno emprego. Ao menos na região onde resido, várias empresas se desdobram a cada dia à procura de novas pessoas para ocupar seus postos de trabalho, muitas sequer exigem uma qualificação tão específica, algo que elas próprias fornecem ao empregado na sua entrada na empresa.
    Todos sabemos o quão perverso é um mercado atuando por si mesmo. E aqui já entramos em uma discussão de ideologia de pensamento econômico, mas acredito que nem o puro intervencionismo nem o puro liberalismo são a solução para os nossos problemas.
    De qualquer maneira a extinção do salário mínimo está longe de ser a solução dos problemas impostos pelo próprio mercado de trabalho.

    • Marcelo.

      Boa tarde,

      O Estado perverte o mercado, basta olhar quais são os países com mais liberdade econômica e perceber que possuem as melhores condições de trabalho, menores índices de desemprego e maiores salários.

      Além disso, estágio e traines são programas criados pelo mercado nos anos 70 e regulamentado pelo Estado nos anos 90, desde então as vagas diminuíram e os candidatos são avaliados por procedimentos iguais aos dos funcionários experientes e em cargos maiores, devido ao aumento do custo gerado por essas regulamentações. O programa de incentivo do Governo é o Jovem Aprendiz e sofre do mesmo mal.

      O índice geral de desemprego no país está em 5%, sendo que individualmente é maior entre jovens, menos experientes e menos qualificados, sendo que muitos desses não entraram no índice por estarem na “informalidade” e serem considerados ilegais.

      Os profissionais liberais e autônomos estão em maior número que os funcionários CLT e possuem maiores ganhos, através dos quais com um mínimo de orgaização financeira podem contratar serviços privados de melhor qualidade e mais baratos para suprir necessidades como saúde, educação, previdência, poupança (lugar de FGTS) entre outros.

      Meu último artigo responde muitas dessas questões: https://robertolbarricelli1.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=538&action=edit&message=6&postpost=v2

      Abraços!

      Roberto

      • Marcelo

        Este debate sobre o Estado perverter ou não os mercados é muito ideológico. Eu mesmo ainda não consigo me definir, apenas ponderar aquilo que de mais importante tiro de cada doutrina.
        Concordo com o que você disse de grande parte destes números se concentrarem na camada jovem. Mas convenhamos, o acesso à educação, informação, etc. atualmente nos dá a possibilidade para afirmar aquilo que você mesmo citou: “Sempre haverá desigualdade, pois nenhum ser humano é igual ao outro…” Talvez aí resida parte da explicação destes 5%, ou então dos jovens que se encontram mesmo fora destes indicadores.
        Porém, a inclusão desta parcela não se dará, em minha opinião, excluindo-se o salário mínimo.
        A própria intervenção do Estado (neste momento pontual) reduzindo a carga tributária da linha branca, a exemplo, gerou incentivos via consumo, renda e certamente na demanda por mão-de-obra das empresas, o que de certa forma contribui cada vez mais para redução dos índices de desemprego, tanto formais quanto na informalidade. Talvez em outros momentos o Estado seja perverso em sua intervenção (o que não acredito que é no caso do salário mínimo).
        Em uma análise do panorama internacional, o qual você citou, não saberia informar quais são os índices, tampouco a qualidade da empregabilidade que existe nestes mercados, fato é que externamente vivemos um constante cenário de crise, que não nos afeta (ao menos tão intensamente quanto a outros países).
        Debate interessante!
        Abraços

      • Marcelo, não há ideologia alguma, são os números.

        Por exemplo, na Suécia, apesar dos impostos serem maiores, eles recaem em mais de 57% sobre a renda (físicas e jurídicas) e o país está entre os 15 mais livres do mundo, não existindo salário mínimo, a renda per capta é a segunda maior do mundo.

        E essa tendência se repete em todos os países com maior liberdade econômica, como Austrália (que acabou com a política do salário mínimo e viu a renda per capta aumentar), Noruega (que não é socialista) está entre os 30 mais livres e tem uma das maiores rendas per captas do mundo também.

        Suíça tem a maior renda per capta mundial e é o terceiro país com maior liberdade econômica e sem salário mínimo e foi um processo de anos, mas que deu certo.

        E assim por diante, você pode conferir essas dados no site da Heritage.org e do Estadão Dados: Ranking Mundial do Índice de Desenvolvimento Humano 2013.

        Esses países passaram tranquilamente pela crise, que nos afeta sim e mais que a eles, devido a perda de mercados externos importantes como a Rússia e o Estados Unidos. Ocorre que as pessoas que perdem seus empregos por causa dessa diminuição na demanda internacional devido a crise, são depois contabilizados como “profissionais liberais” e/ou “autônomos”, pois o índice de desemprego real no Brasil é muito mascarado, excluindo os “informais” considerados ilegais e incluindo pessoas que mal tem o que comer e, por exemplo, recolhem latinhas na rua, como “profissionais liberais” e/ou “autônomos”.

        A redução tributária em todos os setores sempre acarretará aumento de demanda e produtos e serviços mais baratos, mas aliado a desregulamentação incentiva também a concorrência e portanto a melhoria na qualidade dos mesmos.

        Não confunda jamais questões ideológicas com práticas. A economia jamais pode ser tratada ideologicamente, pois isso é irresponsável. Para tanto, sempre cito as fontes e utilizo dados e situações práticas, ou seja, uma análise econômica e comparativa.

        Justamente a pouca qualificação desses jovens por causa da má qualidade da educação básica pública aliado a existência de um salário mínimo cujo valor excedo o que vale a mão de obra destes e a carga tributária sobre o regime CLT, implicam na exclusão desses jovens do mercado de trabalho, pois poderiam aceitar trabalhar por menos e após adquirirem experiência e qualificação através desta e de treinamento na própria empresa, teriam oportunidades melhores no mercado de trabalho, que lhes agregariam ainda mais valor e assim por diante. É assim nos países citados e pode ser assim no Brasil, pois não é uma questão ideológica, tão menos cultural, mas econômica.

        Abraços!

  2. Ricardo Cataldi

    A questão do salário mínimo gera muita polêmica por alguns motivos. Primeiro, quem precisa do salário mínimo como uma vantagem para a concorrência no mercado de trabalho são aqueles que têm baixo acúmulo de capital humano (não dá pra pensar que um cara com diploma de PhD em física quântica vá precisar deste tipo de política).

    Entra-se na discussão: o salário mínimo gera algum desemprego, principalmente na faixa de indivíduos com menor produtividade marginal, por que naturalmente diminui a demanda por aquele tipo de trabalho (vão me dizer que todo aquele negócio do Stiglitz e do Hicks de complementariedade e substitubilidade de bens é bobagem?).

    Mas, se você não coloca salário mínimo, talvez (não sei se é possível, se é provável ou se é quase certamente) o rendimento do indivíduo não seja o suficiente para que ele tenha acesso ao mercado de alimentos de forma que o consumo calórico necessário para ele continuar vivendo seja efetivado (ou seja, ele pode morrer de inanição).

    Outro ponto é que isso depende da existência de mercados de trabalho “substitutos”, no sentido de que o capital humano acumulado seja suficiente para ser empregado com igual ou aproximada produtividade nos dois, permitindo uma concorrência pela mão-de-obra.

    Nesse caso, não é necessária a existência de um salário mínimo, mas sim a existência de mercados de trabalho substitutos para estes caras (não é difícil pensar que, quanto maior a especialização, menor a substitubilidade entre mercados).

    Por fim, tem a questão do acesso ao mercado de acúmulo de capital humano (educação). Se o cara tem baixa produtividade marginal (e, por consequência, baixo salário) o conjunto de bens acessíveis dele é muito limitado, e provavelmente ele não consegue nem acesso ao mercado de educação nem acesso ao mercado de inovação (aumentando os custos de procura por emprego), pelo menos não em alta qualidade.

    Este aqui gera um problema em duas dimensões: a inexistência de mercados acessíveis (pela existência de monopólios e oligopólios, estatais ou não, nestes mercados) e a incapacidade (dinâmica) de aumento de renda destes com baixa produtividade, combatido com uma política de salário (ou renda) mínima.

    Uma coisa que eu notei é que você foca muito nos indivíduos que possuem uma perspectiva de melhora e foca pouco naqueles indivíduos que, dinamicamente, não tem. É o mesmo que exigir que um indivíduo de 35+ anos se qualifique para virar aprendiz. É fato que a capacidade cognitiva, no que tange ao aprendizado, sofre uma queda abrupta após os 35 anos, o que criaria problemas de inclusão destes indivíduos.

    Outra, não dá pra esquecer que o acesso a um maior conjunto de bens depende fundamentalmente da renda e, se a renda for baixa, os mercados de educação podem ficar indisponíveis para o indivíduo. E você não é do tipo que parece concordar com a intervenção (principalmente via monopólio) do estado em mercados tão fundamentais como o de educação, né?

    • Prezado Ricardo. Todo ser humano tem a capacidade de aprender, alguns mais e outros menos. Meu foco é no indivíduo, seja ele intelectual, ou ignorante.

      Um indivíduo com 35 anos que não consegue entrada no mercado de trabalho por causa de sua baixa qualificação, sem a política de salário mínimo, pode aceitar trabalhar por menos e adquirir experiência suficiente para valorizar sua mão de obra e ganhar mais.

      Ele pode também partir para o mercado “informal”, porém, devido ao intervencionismo que vivemos, ele será marginalizado, pois o “informal” é considerado “ilegal” e não um mercado de “profissionais liberais” ou “autônomos”.

      Logo, na realidade atual, ele possui as seguintes opções:

      1- não ter renda alguma e morrer de fome

      2 – Continuar procurando por um subemprego que pague um salário mínimo e ter problemas de nutrição caso essa seja sua única fonte de renda, sem perspectiva alguma de crescimento no longo prazo.

      3 – Partir para o mercado informal e correr o risco de ser suprimido e/ou agredido pelo Estado através de Leis opressoras e do monopólio da força (polícia).

      Em um Livre Mercado, onde não há política de salário mínimo, esse mesmo indivíduo pode aceitar trabalhar por menos e adquirir experiência, ou (complementarmente a esse trabalho ou não) ser um profissional liberal/autônomo, pois não há regulamentações opressoras que o transformem em ilegal. Nos dois casos ele tem oportunidades para melhorar de vida, pois se o salário não for suficiente para prover seu sustento (lembrando que no Livre Mercado os produtos e serviços são mais baratos devido a ausência de carga tributária e custos burocráticos) ele pode ter mais de um emprego, ou fazer “bicos” (freelancer) para completar a renda, sem que seja considerado ilegal.

      Essa é basicamente a diferença entre um mercado intervencionista e com políticas como o salário mínimo e um Livre Mercado onde as relações trabalhistas são livres.

      Outro ponto importante, no Livre Mercado a educação (que é um serviço e não um bem) é mais barata e de melhor qualidade (privada). Porém, como vivemos no intervencionismo há muitos anos, obviamente, haverá uma transição para o Livre Mercado, a qual eu tenho exposto desde o começo deste Blog falando dos diversos mercados existentes e primordiais, como Educação, Saúde, Alimentação e Segurança.

      O indivíduo que hoje tem 35 anos e está em tal situação, com cortes na burocracia e nos impostos e com a flexibilização das relações trabalhistas verá a formação de ambiente com mais oportunidades para ele, sendo que aquele que tiver 35 anos daqui 10 anos (por exemplo) terá um ambiente ainda mais favorável e assim por diante.

      Não adianta prensar na economia através do que temos hoje. Precisamos pensar como amenizar a situação atual e caminhar rumo ao Livre Mercado visando o longo prazo e isso passa, também, pelo fim da política do salário mínimo, sendo que este não é a prioridade e precisa ocorrer junto com outras reformas como: diminuição drástica da carga tributária, flexibilização das relações trabalhistas, isenção de impostos para setores estratégicos (saúde, educação, abastecimento de água e eletricidade), privatização da previdência com transferência de recursos dos futuros aposentados no médio prazo de dos atuais aposentados no longo prazo, privatização de serviços públicos ineficazes e instituição do sistema de voucher como um meio para chegar a privatização total e acabar com a demanda da população por serviços públicos devido o aumento da renda, entre outros.

      Para saber mais leia o Blog a partir do começo.

      Abraços

      Roberto Lacerda Barricelli

      • Ricardo Cataldi

        Perae… Você já leu a definição do Debreu (manja, o cara que bolou os teoremas do bem estar junto com o Arrow) de “bem”? Serviço é um bem na definição de Debreu, e toda essa discussão que você fez sobre livre mercado é baseada na definição do que é um bem em economia e como os indivíduos escolhem (definição esta que, diga-se de passagem, é aquela do Debreu).

        Existe um mercado pra cada um dos tipos de serviço, assim como existe uma estrutura de preferências entre um serviço qualquer e o resto do conjunto de bens (que incluem serviços)… É importante ter em mente isso quando estamos tratando de ciência econômica, por que aqui tudo que é objeto de troca em mercado é um bem.

        Vou abstrair a parte que você disse sobre um sistema em livre mercado, por que isso é em teoria e tem uma grande parte desta análise que não considera comportamento estratégico e anomalias comportamentais intertemporais e sob risco / incerteza (Nash, Loewenstein e Kahneman). As críticas na questão comportamental, dinâmica, estratégia e sob risco são muito bem fundamentadas e mais estudos são necessários para poder afirmar, com robustez, o que você disse (ainda que eu também seja adepto do livre mercado).

        Tem uma coisa que parece que você não entendeu, e por isso aconselho fortemente o estudo da complementariedade e substitubilidade do Hicks (efeito renda e efeito substituição) e do Stiglitz (elasticidade de substituição). Quando eu falei sobre complementariedade e substitubilidade, me referia à facilidade que se tem em substituir ou complementar um insumo com outro. Se tomarmos o resultado clássico de que PmgL = salário, e se o PmgL = f(z_{i}), onde z_{i} são os outros insumos, então estamos dizendo que o salário do cara depende da quantidade dos outros insumos e da tecnologia empregada na produção.

        Pois bem, se o cara for complementar aos outros insumos, ele aumenta a produtividade de todos e a sua própria, aumentando seu salário. Caso contrário, ele pode ser substituído ou substituir aquele que for relativamente (considera-se o custo de oportunidade) mais barato – ou seja, se ele pode ser facilmente substituído por uma máquina, e a máquina for mais barata do que ele, então ele vai ser substituído por uma máquina.

        A questão aqui também é dinâmica; a decisão de investimento em capital humano é uma decisão intertemporal e envolve a acumulação de recursos e a existência do indivíduo no tempo. Se for no caso da inanição, não existe nem a possibilidade do cara investir em educação, já que ele não estará vivo em t+1. Se não, pode inexistir um mercado pra isso e, portanto, é mais fácil ser um problema de imperfeição institucional que, neste caso, geralmente é gerada a partir da intervenção do estado e que apenas a diminuição da intervenção do estado pode corrigir.

      • Ricardo, a intervenção do Estado gera os males que servem de desculpa para políticas paternalistas e assistencialistas. A política do salário mínimo só existe devido ao intervencionismo, mesmo a substitubilidade em um Livre Mercado, não causa efeitos nefastos como os que vemos atualmente.

        Se uma máquina trouxer melhoria nos processos e economia à uma empresa (Indústria mais provável) o empresário a colocará no lugar do trabalhador, mas isso não significa empregos perdidos, mas outros que serão mantidos pela melhoria obtida. O crescimento da empresa devido a melhoria gera empregos.

        Mesmo que a indústria trocasse todos por máquinas, não há como ocorrer o mesmo com os setores de comércio e serviços, mesmo por que nesse tipo de sociedade ou todos possuem máquinas e ‘empresas”, ou não há trabalhadores com renda para consumir e todas as empresa falirão.

        Se diminuirmos a intervenção do Estado até que seja possível eliminá-la e implantarmos reformas principalmente nos setores de Educação e Saúde públicas (no Blog tenho artigos explicando essas reformas), então, poderemos incentivar o Livre Mercado, desregulamentando a economia e desonerando o máximo possível.

        Após isso, poderemos flexibilizar as relações trabalhistas e acabar com políticas como do salário mínimo, com o assistencialismo e paternalismo.

        Tudo a seu tempo, não adianta pensar no que temos HOJE como se fossemos implantar o Livre Mercado do dia para a noite.

        Não estou dizendo para acabar HOJE com o salário mínimo, mas expondo os malefícios do mesmo, que são maiores que os benefícios e expondo também que o problema que levou a sua criação advém do intervencionismo.

        Primeiro precisamos enxugar a carga tributária sobre as relações trabalhistas e permitir contratos próprios entre empregados e empregadores, para depois de implantadas as demais reformas, acabarmos com o salário mínimo. Mas nesse intervalo, precisamos com urgente desregulamentar a economia, para que os trabalhadores considerados “informais” (ilegais) possam desenvolver suas atividades em paz, com segurança e contribuírem com o desenvolvimento social e econômico. Além de obterem meios de investir na própria educação, ou, ao menos, na de seus filhos, netos, sobrinhos, etc.

        Abraços

        Roberto

      • Ah, e a substituição de um indivíduo menos qualificado por outro mais qualificado, ou para aumentar a produção, beneficia os próprios trabalhadores, através do crescimento da empresa, geração de empregos e renda e a criação de postos específicos nos quais os mais qualificados podem ser aproveitados, abrindo espaço para contratação de menos qualificados para os postos desfalcados.

        Se não houver que aproveitar, pessoas que estão no mercado desempregadas terão a oportunidade, se vierem de outras empresas, abre-se vaga(s) nessas outras empresas e assim por diante.

        A substituição hoje envia o menos qualificado ou com menor produção ao desemprego e a intervenção estatal dificulta a recolocação deste no mercado, jogando a maioria ao mercado informal (ilegal).

        Não ocorre nos países próximos ao Livre Mercado (ou ocorre em escala insignificante).

        Nada disso anula o que eu disse sobre a prioridade ser desregulamentação e diminuição da carga tributária ao máximo possível, para depois acabarmos com determinadas políticas, como do salário mínimo.

      • E agradeço a indicação da leitura, conheço o assunto através de grupos de estudos e debates, mas estudarei mais através dos autores indicados.

        Abraços

  3. MAURICIO ANDRADE WEISS

    Esse ranking de liberdade é uma das coisas mais manipuladoras que existe. Diversos componentes do ranking estão relacionados já as qualidades institucionais do país. Um país desenvolvido sempre estará bem no ranking. Já países pobres e sem participação ativa do Estado na economia, com liberdade comercial e financeira não estão.

    Depois que o país, como a Suécia, protegeu fortemente seu mercado, conseguiu atingir níveis sociais excelentes, é fácil abrir sua economia, desnecessário salário mínimo. Mas mesmo assim mantém um Estado grande e participativo.

    Taxa de desemprego no BR está muito melhor que diversos países europeus e os EUA. O aumento do salário mínimo no BR aumentou sim o poder de compra de quem o recebe e foi um dos importantes fatores para reduzir as desigualdades de renda no país.

    • Honestidade intelectual é o mínimo que se precisa ter. O Ranking leva em consideração a Liberdade Econômica apenas e não índices de desenvolvimento. Isso consta na própria página da Fundação Heritage.

      A Suécia protegeu fortemente o mercado? Será que é por isso que ela cortou 57% dos impostos nos últimos cinco anos e acabou com a maioria dos subsídios no mesmo período? Será que por isso ela abriu o mercado para empresas estrangeiras desde o começo dos anos 90?

      Realmente, os países sem participação ativa do Estado estão mal colocados, pois isso chama intervencionismo e assalta a liberdade econômica. Quem sabe se olhar para esses mesmos países e perceber que foi esse intervencionismo e Ditaduras socialistas, como do Zimbábue, que deixou esses países na miséria, você pare com essas falácias, que são as verdadeiras manipuladoras.

      Distorcer a realidade e contar falácias não fará os fatos deixarem de ser fatos.

      O salário mínimo marginalizou as pessoas cuja mão de obra não vale os R$678,00 desde a base, prejudicando os mais pobres que vão para a informalidade e até para o crime. O poder aquisitivo do brasileiro aumentou graças a geração de emprego e renda e as inovações geradas pelo próprio mercado.

      • MAURICIO ANDRADE WEISS

        Saber interpretar um texto é fundamental. Onde que falei em índices de desenvolvimento, falei em qualidades institucionais, algo que ocorre apenas em países já desenvolvidos.

        São exemplos, baixa taxa de inflação sem intervenção microeconômica: essa já é uma característica de um país desenvolvido, porque já passou pelos processos de desenvolvimento que geram desequilíbrios distributivos.

        Garantias de propriedade intelectual, maior eficiência burocrática, menor corrupção, tudo isso será melhor em países desenvolvidos.

        Como falei, quando a renda já é alta, há baixo desemprego, país avançado tecnologicamente e de alta produtividade, não há necessidade de políticas salariais.

        A Suécia, antes de tomar todas essas medidas, já era um país desenvolvido. Para chegar a esse padrão ela protegeu fortemente seu mercado. Depois de atingir uma maior competitividade é que se abriu. Assim como fizeram a Alemanha, Japão, EUA, Coréia do Sul, China está fazendo etc. Neste ponto passa a ser desejável a maior abertura, porque se está na liderança.

        Que balela as inovações geradas pelo próprio mercado que gerou emprego e aumento da renda. Empresário brasileiro não é inovador. Inovação no BR tem que ser feita pelo Estado. Observe como a geração de emprego foi catastrófica nos anos FHC.

        Ditadura não é sinônimo de intervenção do Estado prol desenvolvimento, Pode ser liberal ou não em termos econômicos.

        Quem distorce a realidade são os liberais com seus engôdos. Para tornar um país em desenvolvimento não se deve copiar o que fazem atualmente os países desenvolvidos, mas sim como fizeram para chegar lá. Uma leitura de Chang é altamente recomendável.

      • Para chegar lá, os países desenvolvidos utilizaram políticas liberais, muitos após passarem por uma destruição econômica causada pelo socialismo, como a Suécia fez a partir dos anos 90. As políticas de distribuição de renda atuais foram criadas por Milton Friedmann e economistas da Escola de Chicago, todos Liberais.

        Os índices institucionais são os utilizados para medir o índice de desenvolvimento humano, então não adianta chamar por outro nome para distrair e enganar os leitores deste Blog. Desonestidade intelectual aqui será sempre expostas. 99% dos empregos no país são gerados pelas MPEs e isso é fato comprovado, em nada teve a ver com o Estado. O brasileiros inovam menos que nos demais países, mas inovam mais que o Estado, sendo esse menor índice de inovação de responsabilidade do excesso de burocracia estatal com suas permissões e regulamentações para tudo queiramos fazer.

        O Estado brasileiro não criou inovação alguma, toda tecnologia estatal é importada de empresas privadas estrangeiras, ou fabricadas por empresas privadas brasileiras com insumos estrangeiros. Olhe o “Pré-Sal”, as Chinesas Estatais entrarão só com dinheiro, a tecnologia de perfuração será da empresa privada Francesa.

        O setor privado de serviços no brasil é um dos mais inovadores do mundo, tanto é que nossas agências de comunicação e publicidade estão entre as melhores do mundo, assim como a prestação de diversos serviços de consultoria e análise.

        Você utiliza apenas “argumentos” ideológicos emocionais sem qualquer base teórica séria, nem dados. Enquanto apresento os dados baseados em análises fornecidas pelos próprios governos, pesquisas e estudos nacionais e internacionais.

        A China começou a abrir fortemente o mercado por causa da miséria e quase quebra da economia pós comunismo maoista. Hong Kong pertencia à Inglaterra e manteve o sistema liberal capitalista, sendo hoje o país mais livre do mundo que registra o maior crescimento nos índices de qualidade de vida, renda per capta, desenvolvimento, estabilidade econômica, expectativa de vida e educação, perdendo em saúde apenas para a Suíça e Singapura, outros dois países liberais, sendo que o primeiro já tinha tal tradição.

        Os países comunistas/socialistas entraram em colapso junto com a União Soviética e só melhoraram aqueles que abriram a economia e implantaram reformas liberais, os dados pós 1991 mostram isso claramente. A Coreia do Norte é um país com forte protecionismo e 60% das crianças são desnutridas, enquanto 7 milhões da população de 24 milhões passa fome a tal ponto que pediram ajuda à Coreia do Sul que mandou Us$1 bi em alimentos em 2013.

    • E mais um “detalhe” os índices de desemprego no Brasil não levam em consideração os “informais” por considerá-los ilegais, sendo que não entram na conta do emprego, nem do desemprego.

      Ah, os trabalhadores CLT são minoria e os “profissionais liberais” e “autônomos” maioria. Algo que só ocorre nos países que instituíram salário mínimo, pois nos que não tem tal política, a maioria dos trabalhadores são formais (com contrato entre as partes, posto que CLT só há no Brasil).

      • MAURICIO ANDRADE WEISS

        Veja que o crescimento em carteira assinada cresceu 56% entre 2003 e 2012. Período que coincide com aumentos salariais. Concomitantemente, a taxa de desemprego saiu de 12,4% para 5,2%.

        Olha a Suécia depois dos impostos que você falou

        2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
        4 4.9 5.6 5.8 5.6 6.1 6.2 8.3 8.3 7,5

        Dois exemplos que refutam seu argumento. Um país elevou o salário mínimo e reduziu o desemprego, outro, cortou 57% os impostos e aumentou o desemprego.

      • A Suécia já tinha desemprego nesse nível e ao cortar impostos cortou também auxílio desemprego de muitas pessoas que passaram a fazer parte do índice de desemprego. Então, antes de falar besteira, estude.

        Além disso, os registros aumentaram por causa do crescimento econômico apesar das políticas estatais sufocantes sobre o mercado e não por causa delas, estude causalidade antes de falar sobre ela. E mesmo assim, o nível de registros continua inferior ao de profissionais liberais e autônomos e como te disse antes os “informais” não são computados nem como empregados nem como desempregados.

        Assim como o Jovem Aprendiz entra como “empregado”, mas os demais jovens de mesma faixa etária sem emprego não são computados como desempregados. O índice de desemprego no Brasil possui uma fórmula distorcida. Detalhe, todos os beneficiários do Bolsa Família são computados como “empregados”, por esse ser um “critério” do programa, mas entre 20% e 30% deles estão desempregados.

    • gabriel

      Dando continuidade ao esforço de desfazer o mito de que a Escandinávia é o “socialismo que deu certo”, segue mais um artigo apresentando dados que refutam tal tese:

      O mito sueco

      “O melhor lugar para achar uma mão que ajude é no final do seu braço.” (Provérbio Sueco)

      Muitos são os que utilizam o relativo sucesso escandinavo para defender o modelo do Estado de bem-estar social. Essas pessoas argumentam que elevados impostos e um extenso “welfare state” são benéficos para a economia e a população, ignorando a relação causal entre as coisas. Na verdade, os países com pesado “welfare state” ficaram ricos a despeito desse modelo, não por causa dele.

      Se replicarmos tal modelo na África miserável de hoje, teremos apenas mais miséria. O economista Stefan Karlsson, que trabalha na Suécia, escreveu para o Mises.org um artigo chamado “The Sweden Myth”, visando a derrubar certas falácias sobre o modelo escandinavo. Veremos expor em tradução livre os principais pontos do autor.

      Até a segunda metade do século XIX, a Suécia era bem pobre. Mas reformas de livre mercado adotadas nos anos 1860 permitiram que o país se beneficiasse da crescente revolução industrial. A economia rapidamente se industrializou durante os séculos XIX e XX, vendo aumentar bastante o número de empreendedores e inventores.

      Surgiram empresas como a Volvo, Saab e Ericsson. Além disso, um fator que muito contribuiu para a prosperidade sueca foi o seu afastamento de ambas as guerras mundiais, que destroçaram a Europa. Desde 1809, a Suécia não participa de guerra alguma. Juntando tudo isso, a Suécia teve o maior crescimento de renda per capita do mundo entre 1870 e 1950, tornando-se uma das nações mais ricas do globo.

      Porém, as sementes de grandes problemas já haviam sido plantadas em 1932, quando os social-democratas subiram ao poder por conta da Grande Depressão. A expansão do governo na economia foi assustadora, mas vindo de uma base bem pequena. Os gastos estatais eram inferiores a 10% do PIB. Mesmo nos anos 1950, a Suécia ainda tinha uma das economias mais livres do mundo, e os gastos estatais eram menores que o dos americanos.

      Mas entre 1950 e 1975, os gastos subiram de 20% para 50% do PIB. As mudanças tornaram o país menos competitivo em termos globais, e a moeda, o krona, acabou sendo desvalorizada. A inflação começou uma escalada contínua. A insatisfação era grande, e uma coalizão de centro-direita chegou ao poder em 1976, quebrando 44 anos de gestão ininterrupta dos social-democratas.

      Entretanto, os partidos de centro-direita não estavam dispostos a levar adiante reformas liberais mais radicais. Quando privilégios são concedidos, dificilmente um governante enfrenta sua retirada impopular. A inflação continuava incomodando e a moeda foi novamente desvalorizada.

      Em 1986, o mais pragmático Ingvar Carlsson tornou-se Primeiro Ministro, e implementou várias reformas de livre mercado. Aboliu os controles de moeda e reduziu impostos. Como quase todo remédio, o impacto imediato foi amargo. No começo dos anos 1990, a economia estava em queda, enfrentando certos ajustes necessários por anos de irresponsabilidade do governo.

      A crise do petróleo causada pela invasão ao Iraque agravou a situação. Somando tudo, a economia sueca estava em recessão no começo da década de 1990, com o emprego caindo mais de 10% e o déficit fiscal subindo para mais de 10% do PIB. Em termos de renda, a Suécia ficou perto da vigésima posição no mundo, uma queda que jamais foi recuperada.

      Novas reformas foram adotadas, privatizações foram feitas e vários setores foram desregulamentados. O déficit fiscal foi eliminado. Essas reformas liberais permitiram uma certa recuperação da economia sueca. O Banco Central sueco, Riksbank, adotou uma meta inflacionária de 2% ao ano. Ainda assim, a renda per capita da Suécia, perto de US$ 30 mil [hoje é US$ 40 mil], está bem aquém da americana, perto de US$ 40 mil [hoje é US$ 50 mil].

      A renda de Cingapura, que não contava com o acúmulo de riqueza da Suécia nem com seus recursos naturais, já colou na sueca [hoje, já ultrapassou a americana e está em US$ 60 mil], graças ao modelo de ampla liberdade econômica.

      Até mesmo em uma nação que já era rica e com apenas 9 milhões de habitantes, o peso do “welfare state” tem sido duro de carregar. Os incentivos – e indivíduos reagem a incentivos – não encontram-se no lugar adequado. Quando o “papai” Estado oferece tudo “grátis”, há menos incentivos para o trabalho e o sustento por conta própria. A epígrafe no começo do artigo mostra que nem sempre os suecos ignoraram esta obviedade.

      Usar a Suécia como ícone de sucesso do modelo de “welfare state” é, como vimos, uma falácia. Na verdade, a Suécia enriqueceu por conta do liberalismo, e o inchaço estatal plantou as sementes do relativo fracasso. Reformas liberais têm sido implementadas para reduzir o estrago causado pelo tamanho do Estado. A Suécia desfruta de boa qualidade de vida a despeito do “welfare state”, não por causa dele.

      E o mais lamentável de tudo é que, pela ótica brasileira, a Suécia seria considerada “ultraliberal”. O índice de liberdade econômica do Heritage coloca a Suécia em 19º lugar no ranking [hoje 18º], enquanto o Brasil está em 81º lugar [hoje caiu para 100º]. Para o Brasil chegar ao modelo sueco, teria de adotar inúmeras reformas liberais.

      Infelizmente, aqui muitos ainda consideram até mesmo o PSDB como um partido liberal. Ou seja, não só não foi o “welfare state” que gerou o relativo sucesso sueco, como estamos muito longe até mesmo desse modelo, tachado injustamente por aqui de “neoliberal”.

  4. Róber Iturriet Avila

    2003-13 o mínimo creceu em termos reais e o desemprego despencou. E o salário real também subiu.

    • Os índices de desemprego gerais não mostram que para a parcela da população “menos qualificada”, principalmente jovens com pouca ou nenhuma experiência, o desemprego aumentou proporcionalmente ao aumento do salário mínimo. E é justamente para estes que eu afirmo ser a política de salário mínimo danosa, sendo que o Estado a legitima utilizando os mesmos como referência, dizendo que quer protege-los. Os mais qualificados e/ou experientes não faz diferença o salário mínimo positivamente, inclusive, muitos acabam se vendo forçados a aceitar o salário mínimo que está abaixo do que vale sua mão de obra por que as empresas se vale dessa lei para não pagar mais que isso a estas pessoas. Basta olha para as empresas de terceirização de serviços.

      • MAURICIO ANDRADE WEISS

        Me mostra esses dados então.

      • Fico eu agora no aguardo dos seus dados. Já que até agora você ofereceu apenas dados que não refutam nenhum dos que eu apresentei. Como que 56% de aumento do emprego formal, que não refuta o fato de aumento de 22% do desemprego entre os mais jovens, menos experientes e menos qualificados, nem que o trabalho de profissionais liberais e autônomos continua percentualmente superior, tão menos que os “informais” (ilegais) são excluídos do índice e nem que as MPEs geraram 99% dos empregos formais no país desde o final dos anos 90 (Estudos do SEBRAE e do próprio Governo já mostraram isso). Porque só eu tenho que apresentar dados (algo que já faço) e a você basta negá-los sem apresentar dados que os refutem? Negar dados apresentados não significa refutá-los, nem os altera.

        Abraços

      • MAURICIO ANDRADE WEISS

        Quanto a informalidade, especialmente entre jovens veja como melhorou. Para você afirmar que piorou a situação dos jovens, tem que fazer uma evolução histórica recente do desemprego entre os jovens. Como eu mostrei na redução do emprego informal que você insiste em não admitir.

        A China não abriu simplesmente seu mercado, as empresas estrangeiras tinham que compartilhar tecnologia e respeitar diversas regulações, como o reinvestimento sobre os lucros. E só começaram a abrir quando já estavam começando a ficar mais competitivos. Foram espertos e se apropriaram da tecnologia em troca do seu mercado. Sempre com gerência do Estado.

        A taxa de desemprego estava em 4%, agora está em 7,2%. Coitado dos velhinhos.

      • Estava em 4%, passou a 8,5% e agora está em 7,2% e caindo. Uma readaptação de mercado que aumentou a renda per capta dos trabalhadores e no longo prazo começou a diminuir novamente o desemprego. Outro dado importante é que a população sueca está envelhecendo e o crescimento populacional caindo, o que influi na retração do mercado. Me disseram, e neste caso já não posso garantir a veracidade (um amigo meu que mora na Suécia) que o Estado sueco está considerando seriamente afrouxar as políticas imigratórias, para repor a mão de obra e “incentivar” o crescimento populacional. Porém, ainda verificarei a informação, pois os suecos são bem resistentes à miscigenação.

      • O que você chama de “informal” o governo chama de “profissionais liberais e autônomos” o que eu chamo de “informal” são os trabalhadores na “ilegalidade” e deixei isso bem claro no artigo e nos comentários. E o problema quanto a diminuição do mercado de profissionais liberais e autônomos é a classificação utilizada pelo governo para defini-los, por exemplo, Micro Empreendedores Individuais são obrigados a possuir CCM de autônomos, porém, são computados como trabalhadores formais. Beneficiários do bolsa família não entram nessas estatísticas e entre 20% e 30% destes estão desempregados.

        Há muita distorção nesse índice.

        No “geral” os jovens entraram mais no mercado de trabalho, porém, os jovens com pouco ou nenhuma experiência e os menos qualificados diminuíram a participação. Enquanto os mais qualificados aumentaram a presença, os menos qualificados e de baixa renda e com pouca ou nenhuma experiência diminuíram. Como muitos partiram para a informalidade (e leia-se ilegalidade do ponto de vista estatal) não estão computados no índice também e os que estão, acabam não afetando sequer sensivelmente o resultado, nem para mais, nem para menos.

        E é para esses jovens exclusivamente que afirmo ser a política de salário mínimo danosa no sentido de empregabilidade.

      • MAURICIO ANDRADE WEISS

        Recebi um e-mail com resposta mas não aparece na página…

      • Obrigado por relatar. Deve ser problema de configuração aqui.

      • Preciso agora levar meu filho ao médico e volto só amanhã ao painel da hospedagem. Se quiser continuar o debate, eu lhe enviei um e-mail para você gravar o meu e-mail e continuarmos por lá, inclusive de outros assuntos que você ache pertinente. É extremamente desgastante debater pelo painel da hospedagem do WordPress. Posso publicar os debates no Blog futuramente se você autorizar, daria uma “série/programa” bem interessante.

        Abraços!

      • MAURICIO ANDRADE WEISS

        OK, também preciso fazer minhas coisas. Só me mostre a evolução desse dado de 2003 pra ca.

        Abraços

      • Ok. Providenciarei isso.

        Abraços

      • Róber Iturriet Avila

        mostro os dados que conheço que sao os da RMPA. a taxa de desemprego caiu para jovens e para adultos. página 9. http://www.fee.tche.br/sitefee/download/informeped/ped2209.pdf

        antecipo que sao generalizáveis. pois os dados da RMPA andam pari passu aos do Brasil

      • Como já informei anteriormente em diversos comentários. Os dados gerais não mostram os jovens de baixa renda e sem qualificação e a taxa de desemprego no Brasil exclui em seu método os trabalhadores “ilegais” e beneficiários do Bolsa Família, que não entram nem como desempregados, nem como empregados. Coincidentemente nesses dois grupos estão a maioria dos jovens de baixa renda e sem qualificação e/ou experiência, os afetados pela política do salário mínimo.

        O que posso antecipar é que entre essa parcela da população o desemprego aumentou, porém, como teoricamente para todos os demais (cuja mão de obra vale igual ou mais que o salário mínimo) o desemprego baixou, como a maioria das pessoas na faixa de aumento de desemprego “coincidentemente” não são contadas no método, os índices gerais apontam para um recuo no desemprego.

        Além disso, meu artigo de hoje explica os efeitos das politícas intervencionistas atuais no longo prazo, como ocorreu com Suécia e Dinamarca no final dos anos 80 e começo dos 90 após décadas de políticas intervencionistas.

  5. MAURICIO ANDRADE WEISS

    Como sempre, explicações ad hoc. Veja como seu argumento não se sustenta. Liberalizou o mercado na Suécia, aumentou o desemprego, olha os dados!!!

    Salário mínimo aumentou, elevou a geração de emprego FORMAL em 56%, reduziu o desemprego e a taxa de desemprego informal. Aí você me diz que foi graças ao mercado e o Estado só atrapalhou. Quando se observa no FHC o salário mínimo aumentou menos e emprego formal pouco cresceu.

    Não há qualquer sustentação empírica para seus argumentos, apenas explicações apaixonadas pelo liberalismo.

    • De novo, você finge que não leu e ainda distorce o que foi escrito. Liberalizou o mercado, cortou benefícios para desempregados que não eram considerados desempregados e passaram a ser. Só isso, você pode continuar fingindo que não leu, mas o fato não mudará.

      Todos os meus argumentos são baseados nos dados econômicos existentes e não em ideologia e é muita desonestidade sua afirmar o contrário,sendo que em todos os meus artigos, os quais com certeza você não leu, eu cito todas as fontes. Você pode clicar nelas ou insistir em ignorar a existência das mesmas, mas isso lhe transforma em um indivíduo movida a ideologia e nada mais.

      Você não estudou causalidade mesmo. Isso fica claro, quando você insiste que a geração de emprego formal ocorrida pelo crescimento econômico das MPEs apesar do Estado tem a ver com o intervencionismo, quando é fato comprovado que as MPEs geraram 99% dos novos empregos no país desde o final dos anos 90.

      Com FHC em proporção o salário mínimo aumentou mais, pois ele o pegou a R$84 e deixou a R$364, então tenha a honestidade de citar os fatos e não falácias.

      O que elevou a geração de emprego formal (que continua percentualmente abaixo dos profissionais liberais e autônomos) foram as Micro e Pequenas Empresas responsáveis por 99% dessa geração e não políticas estatais. Tanto é que as carga tributária e os gastos públicos cresceram percentualmente acima do PIB, assim como foram editadas mais de 4 mil novas normas técnicas (regulamentação) ao dia desde 1990 e apesar disso tudo, que sufoca o mercado, este conseguiu gerar empregos.

      A geração de empregos direta pelo Estado é uma fração entre o 1% restantes após retirarmos a geração das MPEs e o aumento do intervencionismo ocorreu em mesmo período do aumento da informalidade.

      Você menciona o crescimento de 56% dos empregos formais, mas “esquece” de mencionar que os informais continuam em maior número e também cresceram (não houve diminuição, apenas entrada de mais pessoas no mercado e divisão destas entre formais e “informais”).

      Todos os meus argumentos possuem sustentação em dados, estudos, pesquisas, estatísticas, fatos e não em pura ideologia e distorções da realidade como os seus.

      • MAURICIO ANDRADE WEISS

        Veja bem, você diz que houve liberalização e o desemprego aumentou pq pessoas passaram a procurar emprego. Se elas continuam desempregadas, qual foi a vantagem? Eu pedi para você me mostrar uma relação entre redução ou fim do salário mínimo. Me manda um link então, não fica dizendo que tem dados.

        Realmente você não entende que o Estado não atua sobre o emprego apenas pelo emprego direto. Uma pena esse desconhecimento completo de política econômica.

        Você realmente desconhece os dados:

        “De 2001 a 2011, a proporção de pessoas de 16 anos ou mais de idade ocupadas em trabalhos formais registrou um aumento de 10,7 pontos percentuais. Esse aumento se concentrou na segunda metade do período considerado (2006 a 2011) com 8,6 pontos percentuais. No caso das mulheres, o avanço foi ainda maior: 9,9 pontos percentuais.”

        “Entretanto, é importante ressaltar que nos últimos anos foram os jovens de 16 a 24 anos de idade que mais aumentaram o grau de formalização no mercado de trabalho, com redução de 12,7 pontos percentuais na taxa de informalidade no período de 2006 a 2011”

        Fonte: Sintese_de_Indicadores_Sociais_2012 – IBGE

        Ou seja, exatamente o contrário do que você afirmou.

      • Você lê o que você quer e não o que está escrito. O desemprego aumentou no primeiro momento entre os mais velhos devido a substituição da mão de obra e readaptação do mercado, após isso, começou a cair novamente e a renda aumentou na suécia (per capta anual média bruta) de US$28 mil para US$42 mil. Vemos a mesma tendência na Noruega, que foi de US$30 mil para US$48 mil. O desemprego, após a readaptação do mercado, começou a cair. O benefício está em aumento da renda per capta e estabilização do índice desemprego e diminuição constante no longo prazo.

        Os jovens menos qualificados e com pouca ou nenhum experiência e de baixa renda tiveram aumento de 22% do desemprego, de 38% para 60%, e muitos estão excluídos do índice por causa da ida à informalidade (considerados ilegais), esses 60% são apenas os incluídos dentro do perfil mencionado, que são justamente aqueles que o Estado diz proteger ao criar e aumentar o salário mínimo.

        Outros trabalhadores cuja mão de obra vale mais de R$678,00 recebem apenas isso legitimado pelo Estado. A taxa de informalidade medida se refere aos “profissionais liberais e autônomos” (considerados legais pelo Estado) que percentualmente continuam em maioria frente os formais, com acentuação dessa condição no meio rural, apesar de ter aumentado a formalidade, mas não o suficiente. Também são considerados formais os Micro Empreendedores Individuais, que na verdade são autônomos e/ou profissionais liberais.

        O pessoal do Bolsa Família não consta como desempregados, apesar de entre 20% e 30% deles estarem nessa situação segundo o próprio MDS, isso elevaria os 5% de desemprego em aproximadamente 2%, próximo ao índice sueco que está caindo e onde a renda per capta é maior sem a existência de salário mínimo, outro fato que já mostrar como o aumento da renda é maior em países sem essa política do salário mínimo.

        Você pode continuar fingindo que o artigo diz algo diferente do que está escrito, mas não mudará o que está escrito, nem os fatos que o sustentam.

        Abraços

      • MAURICIO ANDRADE WEISS

        Você não pode fazer uma relação direta entre redução dos direitos do trabalho como causa do crescimento econômico. Veja, que apesar do crescimento a taxa de desemprego aumentou.

        Peço de novo, me fale qual é a evolução histórica da taxa de desemprego.
        Não adianta ficar falando que o emprego informal ainda é maior. O importante é entender a evolução dos indicadores. Eu mostrei que houve redução do desemprego informal, especialmente na faixa de idade que você argumente, criação do emprego formal e redução da taxa de desemprego nos anos recentes.

        Abraços

      • Posso fazer essa relação, pois essa diminuição também diminui os custos das empresas e afeta diretamente a geração de empregos, isso você aprende em economia básica.

        Novamente, você se refere à uma faixa e eu a outra, você generaliza “jovens” e não se atenta ao que eu escrevo. Me referi diversas vezes à classe que deveria ser privilegiada pelo salário mínimo, mas que é prejudicada no quesito empregabilidade, que são os jovens menos qualificados, com pouca ou nenhuma experiência e de baixa renda especificamente.

        Entre eles o desemprego aumentou de 38% para 60% segundo o próprio Mapa da Desigualdade do MDS.

  6. MAURICIO ANDRADE WEISS

    “Os índices institucionais são os utilizados para medir o índice de desenvolvimento humano” ein?

    “Para chegar lá, os países desenvolvidos utilizaram políticas liberais, muitos após passarem por uma destruição econômica causada pelo socialismo, como a Suécia fez a partir dos anos 90.” Sério mesmo, você precisa estudar um pouco de história antes de falar isso.

    “O brasileiros inovam menos que nos demais países, mas inovam mais que o Estado,” Por favor, leia qualquer estudo sobre inovação no país, não passe vergonha no seu blog.

    ” Desonestidade intelectual aqui será sempre expostas. 99% dos empregos no país são gerados pelas MPEs e isso é fato comprovado, em nada teve a ver com o Estado.” Sério? Política macro, de rendas, creditícia, não impacta nada na economia? rsrs

    “Olhe o “Pré-Sal”, as Chinesas Estatais entrarão só com dinheiro, a tecnologia de perfuração será da empresa privada Francesa.” Ótimo exemplo, empresa que mais investe em inovação no país, líder mundial em tecnologia de águas profundas. Por favor, não minta para seus leitores. Ter a participação da total não quer dizer que a tecnologia será toda dela.

    De serviços OK.

    China abriu seu mercado depois de passar a ser competitiva. Hong Kong e Cingapura são duas ilhas, extremamente bem localizadas, com diversas especificidades, que são beneficiadas pelo livre comércio. Não dá para querer comparar com um grande país.

    Alguém falou em ser comunista? Essa é uma outra questão.

    Eu lhe trouxe simples dados que refutam seu argumento. Você não me trouxe nenhum dado que mostrou redução do salário mínimo e redução da taxa de desemprego.

    • Eu te ofereci todos os dados existentes, você os ignora e continua insistindo em falácias, inclusive que são refutadas pela própria história.

      A China abriu o mercado ao criar as zonas administrativas especiais nos anos 90 e 2000, pois a economia estava arrasada e não competitiva. Essa é a realidade histórica, que você esconde.

      Você continua com a falácia do desemprego e finge que não viu escrito no artigo que a diminuição desse ocorre nas faixas mais pobres e menos qualificada da população. Por exemplo, dos 5% de desempregados no país, 60% são jovens cuja mão de obra não vale os R$678,00 devido a baixa qualificação e pouca ou nenhuma experiência. Em 2013 essa parcela menos qualificada e experiente compunha 38% do índice, logo, houve nela aumento de 22% do desemprego, enquanto entre as pessoas cuja mão de obra vale mais de R$678,00 o emprego aumento, mas passaram a receber menos do que vale sua mão de obra devido a política do salário mínimo que legitima tal prática.

      Enquanto isso nos países como a Suécia o desemprego aumentou entre os mais velhos e diminui justamente para os menos qualificados e experientes no começo, devido a readequação do mercado com o fim da política do sala´rio mínimo, que proporcionou as empresas contratar mão de obra mais barata para adquirir experiência e desenvolverem a mesma função que outro que ganhava mais até do que valia sua mão de obra desenvolvia. Tanto é que o nível de desemprego começou a recuar e passou dos 7,5% para 7,2% e já havia começado a recuar antes.

      Quer mais dados ainda? Ou vai ignorar esses também? Que tal entrar nos sites do IBGE, do IBPT e dos Ministérios da Economia e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ah, no site do SEBRAE há diversos estudos que comprovam os dados apresentados. E há também a Fundação Heritage e o Index.org que comprovam os dados da Suécia e demais países citados.

      Continuará distorcendo os fatos para tentar convencer a si mesmo do que “acreditas”?

      Abraços

      Roberto

  7. juliowandekoken

    Excelente texto. Na verdade é bem óbvio, quando aumenta-se o preço de um determinado produto (nesse caso, o trabalho) para um valor acima do valor de mercado, logo a demanda por esse produto irá cair… lógica simples, mas muitos não conseguem entender isso… na verdade o governo prefere estipular um salário mínimo (agradando os sindicatos, que vendem-se por um aumento nominal, sem entender que a inflação produzida pelo governo para equilibrar o índice de desemprego abaixa o valor de compra do dinheiro, logo não muda nada haha) e inflacionar a economia, fazendo a moeda perder o valor, do que não estipular um salário mínimo e deixar o mercado fazer o seu trabalho, o que iria equilibrar a oferta e a demanda…

    • MAURICIO ANDRADE WEISS

      Não iria mais comentar, mas não resisto. Quando não se regulamentava o mercado de trabalho, criancinha de 6 anos trabalhava 12 horas por dia sem direito a férias. Perdeu um braço? Problema seu. Te pago 50 reais, ta bom, não tenho alternativa mesmo.

      • Você está preso ao século XIX e comecinho do XX. Hoje explorar predatoriamente o trabalho infantil (independente de ser legal ou não) é ruim para a imagem da empresa e afeta os lucros, inclusive no Brasil.

        Impedir o indivíduo de trabalhar não criar melhores oportunidades e pelo visto você não viu o garoto grego de 13 anos que o Google contratou. Ele trabalhará com o que gosta e ganhando muito bem, o que melhorará a qualidade de vida dele e de toda a família. E ele não é exclusivo, assim como o Facebook não é o único a fazer isso.

        No Brasil o Google seria multado, o garoto levado pelo Conselho Tutelar e os pais presos.

        Só quem explora predatoriamente o trabalho infantil são pessoas que com ou sem regulamentação não dão a mínima. Quando eu tinha 12 anos trabalhava com a minha mãe em um quiosque no shopping aos finais de semana e foi assim até meus 16, sabe o que aconteceu? Evolui como pessoa, continuei estudando normalmente e ajudei minha família com essa renda extra e não havia conselho tutelar naquela época.

        Isso que você está dizendo não é regulamentar as relações trabalhistas, chama-se Estatuto da Criança e do Adolescente. Péssimo exemplo e em nada tem a ver com o tema “Salário Mínimo”.

        Não precisa ter uma regulamentação dizendo que o empregador é obrigado a fornecer os equipamentos X, Y e Z com o diâmetro H e bla bla bla, em um mercado desregulamentado ele já fará isso pois é ruim para a empresa um funcionário se acidentar, faltar, ou ficar doente, devido a perda de produtividade e é ruim para a imagem da empresa ser conhecida como “desrespeitadora dos trabalhadores”. Os tempos são outros e é contraproducente ficar batendo na tecla de 60 anos atrás, quando o Getúlio criou a primeira legislação trabalhista de fato.

        E é péssimo para o empregador que o funcionário sofra acidentes, fique doente, trabalhe em um ambiente ruim, pois isso afeta o lucro. E atualmente a maioria dos empresários já possui essa mentalidade no Brasil e faz até mais do que “pedem” os sindicatos, principalmente as MPE’s que empregam mais de 90% dos funcionários CLT no país e podem até fechar as portas se o lucro for sensivelmente afetado por perda de produtividade. Inclusive essa realidade é retratada pelo SEBRAE há mais de 5 anos, no mínimo.

      • MAURICIO ANDRADE WEISS

        Não vou me alongar mais na discussão, meus argumentos já estão expostos. Mas na seguinte passagem “deixar o mercado fazer o seu trabalho”. Se deixar tudo para o mercado fazer acontece isso. As condições mudaram não porque os empregadores resolveram ser bonzinhos, as regulamentações que mudaram, obviamente que fui para exemplos extremos.

      • Como disse Adam Smith (Liberal) “Nenhum empresário é bonzinho, mas visando um interesse egoísta (o lucro) ele é capaz de promover os interesses da sociedade melhor que o Estado”.

        E como você pode notar em todos os meus comentários, em momento algum eu disse que os empresários são bonzinhos, ao contrário, foquei no Lucro o tempo todo, mostrando como a busca por ele pode beneficiar a todos.

        As regulamentações não mudaram nada, foram os trabalhadores que exigiram tratamento diferente e conquistaram Leis Trabalhistas, que não tem nada a ver com Regulamentações.

        Regulamentar significa burocratizar os processos através de diversas regras (não Leis) que são criadas por órgãos regulamentadores do próprio Estado e/ou associações como a ABNT com suas “normas técnicas” que muitas vezes são utilizas por esses órgãos e terminam de ferrar com tudo.

        Já cansei de ver (no ramo de chapa de aço, por exemplo) regulamentações tão específicas que obrigam as empresas a comprar os EPI’s X e Y com as dimensões H e G e a espessura W….. No fim isso cria uma reserva de mercado, onde só determinadas empresas terão os equipamentos com tais características e poderão cobrar o que quiserem e ter a qualidade “satisfatória”, pois mina a concorrência. Do outro lado há empresas com EPI’s que não atendem a tais especificações, mas são produzidos com materiais e tecnologias muito superiores, porém tem uma importante fatia do mercado nas mão de poucos e na qual não conseguem entrar. Resumindo, perde o empregador que poderia comprar um equipamento mais barato e muito melhor e perde o trabalhador que poderia usufruir de equipamentos mais seguros.

        Salário Mínimo é uma política regulamentária e não uma Lei Trabalhista. É uma regulamentação disfarçada de “direito”. Por isso prefiro o modelo Suíço, sem regulamentações, com taxa de desemprego bem menor que a do Brasil (3%), a segunda maior renda per capta do mundo, entre os 15 primeiros países em IDH e uma economia bem mais dinâmica que sequer soube o que foi a crise de 2008.

        Seus exemplos extremos remetem ao séculos XIX, pois na era do populista Getúlio (1930-1945 / 1950-1954) foram criadas diversas Leis Trabalhistas por exigências dos trabalhadores e a cultura empresarial de hoje é anos luz diferente daquela de 80 anos atrás. Os empresários e empreendedores aprenderam que funcionários saudáveis e motivados trabalham melhor e aumentam os lucros, tanto, que esses abusos são exceções e não regras, sendo maiores apenas em cidades com monopólios financiados pelo Estado (principalmente setor agrícola) e/ou miseráveis.

  8. juliowandekoken

    ” Mas na seguinte passagem ‘deixar o mercado fazer o seu trabalho’. Se deixar tudo para o mercado fazer acontece isso. As condições mudaram não porque os empregadores resolveram ser bonzinhos, as regulamentações que mudaram, obviamente que fui para exemplos extremos.”

    A lei da oferta e demanda sempre vai imperar… as condições de trabalho não mudaram porque os empregadores resolveram ser bonzinhos, mas sim porque o padrão de vida foi se elevando devido a maior circulação de capital na localidade. Como o Roberto já respondeu acima, o seu exemplo da criancinha que perde o braço é totalmente infundado. Você acha que é ruim, por exemplo, uma grande empresa contratar mão de obra barata em algum país “sub-desenvolvido”? porque você acha que essas empresas conseguem ter suas demandas por mão de obra viabilizadas a preços baixos nessas localidades? simplesmente porque existe a oferta de mão de obra… a empresa não está explorando, está simplesmente suprindo a demanda por determinada oferta do mercado… E outra, acredito que a liberdade de todo indivíduo de negociar as condições de trabalho, assim como o salário, é fundamental. Deixar para o Estado ditar as condições é ter o indivíduo como um ser inapto para fazer escolher e reivindicar as condições e o valor do próprio trabalho, ou seja, diminuir o indivíduo a um completo demente quem não consegue nem atribuir um valor ao próprio trabalho.

  9. gabriel

    O mito sueco

    “O melhor lugar para achar uma mão que ajude é no final do seu braço.” (Provérbio Sueco)

    Muitos são os que utilizam o relativo sucesso escandinavo para defender o modelo do Estado de bem-estar social. Essas pessoas argumentam que elevados impostos e um extenso “welfare state” são benéficos para a economia e a população, ignorando a relação causal entre as coisas. Na verdade, os países com pesado “welfare state” ficaram ricos a despeito desse modelo, não por causa dele.

    Se replicarmos tal modelo na África miserável de hoje, teremos apenas mais miséria. O economista Stefan Karlsson, que trabalha na Suécia, escreveu para o Mises.org um artigo chamado “The Sweden Myth”, visando a derrubar certas falácias sobre o modelo escandinavo. Veremos expor em tradução livre os principais pontos do autor.

    Até a segunda metade do século XIX, a Suécia era bem pobre. Mas reformas de livre mercado adotadas nos anos 1860 permitiram que o país se beneficiasse da crescente revolução industrial. A economia rapidamente se industrializou durante os séculos XIX e XX, vendo aumentar bastante o número de empreendedores e inventores.

    Surgiram empresas como a Volvo, Saab e Ericsson. Além disso, um fator que muito contribuiu para a prosperidade sueca foi o seu afastamento de ambas as guerras mundiais, que destroçaram a Europa. Desde 1809, a Suécia não participa de guerra alguma. Juntando tudo isso, a Suécia teve o maior crescimento de renda per capita do mundo entre 1870 e 1950, tornando-se uma das nações mais ricas do globo.

    Porém, as sementes de grandes problemas já haviam sido plantadas em 1932, quando os social-democratas subiram ao poder por conta da Grande Depressão. A expansão do governo na economia foi assustadora, mas vindo de uma base bem pequena. Os gastos estatais eram inferiores a 10% do PIB. Mesmo nos anos 1950, a Suécia ainda tinha uma das economias mais livres do mundo, e os gastos estatais eram menores que o dos americanos.

    Mas entre 1950 e 1975, os gastos subiram de 20% para 50% do PIB. As mudanças tornaram o país menos competitivo em termos globais, e a moeda, o krona, acabou sendo desvalorizada. A inflação começou uma escalada contínua. A insatisfação era grande, e uma coalizão de centro-direita chegou ao poder em 1976, quebrando 44 anos de gestão ininterrupta dos social-democratas.

    Entretanto, os partidos de centro-direita não estavam dispostos a levar adiante reformas liberais mais radicais. Quando privilégios são concedidos, dificilmente um governante enfrenta sua retirada impopular. A inflação continuava incomodando e a moeda foi novamente desvalorizada.

    Em 1986, o mais pragmático Ingvar Carlsson tornou-se Primeiro Ministro, e implementou várias reformas de livre mercado. Aboliu os controles de moeda e reduziu impostos. Como quase todo remédio, o impacto imediato foi amargo. No começo dos anos 1990, a economia estava em queda, enfrentando certos ajustes necessários por anos de irresponsabilidade do governo.

    A crise do petróleo causada pela invasão ao Iraque agravou a situação. Somando tudo, a economia sueca estava em recessão no começo da década de 1990, com o emprego caindo mais de 10% e o déficit fiscal subindo para mais de 10% do PIB. Em termos de renda, a Suécia ficou perto da vigésima posição no mundo, uma queda que jamais foi recuperada.

    Novas reformas foram adotadas, privatizações foram feitas e vários setores foram desregulamentados. O déficit fiscal foi eliminado. Essas reformas liberais permitiram uma certa recuperação da economia sueca. O Banco Central sueco, Riksbank, adotou uma meta inflacionária de 2% ao ano. Ainda assim, a renda per capita da Suécia, perto de US$ 30 mil [hoje é US$ 40 mil], está bem aquém da americana, perto de US$ 40 mil [hoje é US$ 50 mil].

    A renda de Cingapura, que não contava com o acúmulo de riqueza da Suécia nem com seus recursos naturais, já colou na sueca [hoje, já ultrapassou a americana e está em US$ 60 mil], graças ao modelo de ampla liberdade econômica.

    Até mesmo em uma nação que já era rica e com apenas 9 milhões de habitantes, o peso do “welfare state” tem sido duro de carregar. Os incentivos – e indivíduos reagem a incentivos – não encontram-se no lugar adequado. Quando o “papai” Estado oferece tudo “grátis”, há menos incentivos para o trabalho e o sustento por conta própria. A epígrafe no começo do artigo mostra que nem sempre os suecos ignoraram esta obviedade.

    Usar a Suécia como ícone de sucesso do modelo de “welfare state” é, como vimos, uma falácia. Na verdade, a Suécia enriqueceu por conta do liberalismo, e o inchaço estatal plantou as sementes do relativo fracasso. Reformas liberais têm sido implementadas para reduzir o estrago causado pelo tamanho do Estado. A Suécia desfruta de boa qualidade de vida a despeito do “welfare state”, não por causa dele.

    E o mais lamentável de tudo é que, pela ótica brasileira, a Suécia seria considerada “ultraliberal”. O índice de liberdade econômica do Heritage coloca a Suécia em 19º lugar no ranking [hoje 18º], enquanto o Brasil está em 81º lugar [hoje caiu para 100º]. Para o Brasil chegar ao modelo sueco, teria de adotar inúmeras reformas liberais.

    Infelizmente, aqui muitos ainda consideram até mesmo o PSDB como um partido liberal. Ou seja, não só não foi o “welfare state” que gerou o relativo sucesso sueco, como estamos muito longe até mesmo desse modelo, tachado injustamente por aqui de “neoliberal”.

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