O presidente Imaturo – Parte 2

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou seis medidas nefastas para enfrentar a crise econômica. De novo na linha; “Políticas socialistas bolivarianas criaram problemas? Vamos resolver com mais políticas socialistas bolivarianas”.

As seis medidas são:

– Controle de preços e do câmbio

– “Liberação de recursos para o setor produtivo”

– Criação de uma corporação para o transporte de produtos

– Operações cívico-militares para fiscalizar a especulação financeira

– Programas para promover a poupança

O controle de preços e do câmbio trabalhará com “preços justos e máximos” dentro dos conceitos do governo socialista bolivariano, ou seja, o comércio não terá mais liberdade para realizar o próprio cálculo financeiro e terão que se adaptar a esses preços. Logo, para garantir a sobrevivência haverá duas possibilidades: vender produtos e prestar serviços bem baratos e de qualidade inferior, ou diminuir a variedade de produtos e serviços, mantendo apenas aqueles que possam comercializar dentro do que manda o governo, gerando mais escassez e inflação.

Nesse ponto podem questionar: “Mas essa política não incentiva as empresas a investirem em preços menores e qualidade para ganhar os clientes e ficarem dentro dos preços máximos?” Não! Pois os custos com as novas regulamentações e com os impostos, a escassez e a medida 2 impedem que isso ocorra. Só o que promove preços baixos e qualidade de produtos e serviços é a livre concorrência, inexistente na Venezuela.

A “liberação de recursos para o setor produtivo” ocorrerá apenas para empresas que invistam na produção e no mercado nacionais, ou seja, uma boa dose de protecionismo garantindo a subsistência dessas empresas, o que diminui ainda mais a necessidade de competição e incentiva o sucateamento de produtos e serviços e preços maiores (ou máximos, nesse caso), bem acima do que poderiam ser.

As empresas que atuam com produtos de primeira necessidade (principalmente alimentos) também receberão “ajuda” (leia-se subsídios protecionistas) do governo de Maduro, através do Fundo de Compensação e Estabilização para a proteção de preços. Tudo isso pago com dinheiro sugado da PDVSA (que se continuar assim tomará o posto de empresa mais endividada do mundo da Petrobras, cujo governo brasileiro fez o mesmo uso) e dos contribuintes (que acabam pagando duas vezes).

O controle do câmbio será de responsabilidade do Centro Nacional de Comércio Exterior. Certo! Vamos controlar o câmbio que está galopante por causa do Estado através de mais Estado controlando o câmbio.

A criação da empresa estatal de transportes teve início com o pedido de cinco mil caminhões ao Brasil e à China. Mais uma empresa para ser aparelhada por um Estado que é mau prestador de serviços. Pergunto, haverá pagamento pelos caminhões brasileiros, ou nós pagaremos essa conta à Venezuela? Bastava que Madura deixasse o mercado de transportes livre para atuar e a concorrência obrigaria as empresas (existentes e que surgiriam) a ter qualidade e agilidade na prestação de serviços, bons equipamentos (e não sucateados) e preços baixos. Empresas que não atendessem a esses requisitos seriam engolidas pela concorrência e faliriam, como ocorre em todos os setores dentro de um Livre Mercado. Mas o presidente venezuelano prefere montar uma estatal inferior e custosa que será mantida com dinheiro de outras estatais e dos contribuintes. Não há almoço grátis, se é grátis para X é porque Y está pagando.

Operações cívico-militares para inspecionar os preços, ou seja, o mesmo que os fiscais que temos aqui no Brasil, com diferença que não são militarizados. E qual o resultado aqui? Incentivo a corrupção. Criar fiscais, sendo que nem todos serão militares, não garante o sistema de preços, apenas cria mais um custo aos comerciantes: corromper os fiscais. Tal custo será repassado ao consumidor. Agentes governamentais com o poder de fechar o seu negócio caso encontrem alguma “irregularidade” abre espaço a uma nova rede de corrupção, como vemos em diversos países pelo mundo, desenvolvidos, subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Portanto, esse poder deve ser colocado nas mãos invisíveis do livre mercado, que agem com muito mais sabedoria e proporcionam um ambiente favorável a empresários e consumidores, através da concorrência que (repito) aumenta a qualidade e diminui os preços.

Por fim, alguém pode dizer: “Mas você não tem como questionar que promover a poupança é algo bom!”. Engana-se! Promover e incentivar a poupança são situações diferentes. Promover a poupança significará (nas palavras do próprio Maduro) “estimular o regresso de capital e divisas à Venezuela”. É o Estado controlando para onde você manda seu dinheiro e onde o poupa.

Incentivar a poupança significa criar um ambiente economicamente favorável que permite ao indivíduo poupar. Isso é possível através da implantação do Livre Mercado, pois quanto mais liberdade econômica, maior o poder aquisitivo do consumidor, pois a mão de obra passa a necessitar de mais qualificação e ser disputadas pelos diversos concorrentes, valorizando-se e proporcionando experiência profissional a quem possui pouca ou nenhuma. Aliando isso aos preços menores e decorrente aumento de salários e benefícios, há mais oportunidades para o consumo e a poupança.

As seis medidas de Nicolás Maduro levam a Venezuela à beira do abismo socialista e aprofundará ainda mais a crise instaurada justamente por políticas semelhantes anterior a essas. Mas Maduro continua no seu mundinho particular, onde todos são felizes, gratos, abastados e Hugo Chávez surge na forma de um passarinho à sua janela para lhe agradecer pelos sensacionais serviços prestados a causa bolivariana.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Terra Economia – http://economia.terra.com.br/maduro-anuncia-6-medidas-para-enfrentar-crise-economica-na-venezuela,65c6b6ff0a622410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

Agência Brasil (EBC) – http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-11-06/maduro-anuncia-medidas-para-enfrentar-crise-economica-na-venezuela

DINERO – http://www.dinero.com/internacional/venezuela/articulo/el-presidente-nicolas-maduro-anuncio-paquete-medidas-economicas/187567

  • As análises sobre as medidas citadas são de responsabilidade do autor do texto.
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1 comentário

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Uma resposta para “O presidente Imaturo – Parte 2

  1. Excelente texto! Tanto na física, como nas relações humanas temos as ações e as reações, O que se observa que o Presimente Imaturo desconsidera a história, a começar pela história de seus vizinhos. Antes deveria ler o livro Ação Humana, seguramente entenderia porque não podem dar certo as suas medidas.

    Na América Latina tivemos poucos casos de sucesso entre as medidas top-down. Uma foi o caso brasieliro do Plano Real, que retirou por quase 20 anos o mais cruel dos impostos, o imposto inflacionáiro. Outro caso de sucesso que merece destaque foi o que ocorreu na Argentina durante o governo de Arturo Frondizi Ercoli, com seu Ministro da Economia Álvaro Carlos Alsogaray, que conseguiu em 22 meses reverter uma situação calamitosa legada pelo primeiro governo de Juan Domingo Perón. Acabou com a inflação (os índices de preço permaneceram constantes nos últimos três meses de sua gestão), ao mesmo tempo em que libera a economia concedendo ampla liberdade para que o mercado estabeleça os preços, os salários, a taxa de câmbio, as exportações e as importações. No mesmo período, as reservas argentinas, que haviam sido dilapidadas, atingiram em valores de hoje o equivalente a quase cinco bilhões de dólares. Nesse período registrou-se a maior taxa de investimento em muitas décadas e, no ano de 1960, o peso argentino foi qualificado pelo Comitê Lombard de Londres como “a moeda estrela do ano”.

    “Enquanto a Argentina sonha com um passado que não volta, o Brasil sonha com um futuro que não chega”. (Roberto Macedo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e atual assessor da diretoria da Faculdade de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP)

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