O Capitalismo salvando vidas – Parte 1: Walmart

walmartsutentavelEste é o primeiro artigo da série: “O Capitalismo salvando vidas” e nele falarei sobre uma das maiores empresas do mundo, o Walmart, que passou de vilão trabalhista à herói social e o maior exemplo de sustentabilidade ambiental e empresarial.

Em 1962 Sam Walton fundou o Walmart em Rogers, Arkansas (EUA). Com uma política que visava exclusivamente o consumidor e os lucros o Walmart cresceu exponencialmente, mas na mesma proporção surgiram e cresceram os problemas com seus funcionários, fornecedores e comunidades onde instalavam-se as lojas.

As políticas trabalhistas consistiam em salários ínfimos, corte de benefícios e proibição dos funcionários à sindicalizarem-se, somado isso à política de compras cuja fórmula era pressionar ao máximo os fornecedores por preços quase de custo, o Walmart sacrificou sua imagem e ganhou reputação de empresa sem consciência empresarial e social, exploradora da “massa trabalhadora” e ambientalmente irresponsável.

A consequência são os mais de 75 processos (isso em 2010) por suas práticas trabalhistas, processo de discriminação contra mais de 1,6 milhão de suas funcionárias, recusas para licenças ambientais para instalação de lojas no Estados Unidos em mais de 200 comunidades, decisões judiciais em estados do mesmo país obrigando a empresa a investir ao menos 8% de sua folha de pagamento para o seguro de saúde de seus funcionários e problemas com fornecedores, chegando a ver um destes envolvido em escândalo de exploração do trabalho infantil em 2009 (cuja culpa recaiu sobre “os anos de exploração do Walmart” por preços quase impossíveis).

Mas tudo isso começou a mudar através de uma tragédia que alguns lembrarão: o Furacão Katrina, em 2005. O CEO do Walmart à época, Lee Scott, enxergou uma oportunidade para iniciar uma mudança na reputação do Walmart, que se juntou à outras empresas com imenso poder logístico para fornecer comida, água e medicamentos aos sobreviventes em New Orleans (EUA) muito antes do próprio Governo tomar alguma atitude, ou sequer discutir o assunto. Essa ação sem dúvidas salvou milhares de pessoas e marcou o início de um guinada na imagem do Walmart.

A partir de então a empresa adotou a sustentabilidade como parte essencial dos negócios e um de seus principais slogans diz que: “a sustentabilidade é a maior oportunidade para a próxima geração”.

Entre suas principais ações estão:

– Envio de um questionário para mais de 100 mil fornecedores responderem sobre sustentabilidade em 2009.

– Patrocínio de um consórcio com universidades, outros varejistas, fornecedores, representantes de ONGs e o Governo do Estados Unidos para criar uma base mundial de dados sobre o ciclo de vida de diversos produtos.

– Criou a Rede de Valores Sustentáveis para a análise e desenvolvimento de soluções para integração da sustentabilidade nos negócios diários em diversos setores (energia, construção verde, resíduos, madeira e papel, logística, embalagem, pesa, agricultura, etc).

– Definiu por metas: 1- Adoção de energias renováveis para lojas e frota; 2- Redução de resíduos buscando o “resíduo zero”; 3- Redução de embalagens com incentivos aos consumidores e campanhas para fornecimento, doação e venda de sacolas reutilizáveis.

– Adotou as palavras: Reduzir, Reciclar e Reutilizar como essenciais para os negócios.

– Aumenta continuamente a oferta de produtos sustentáveis.

– Oferecimento de Bolsas de Estudos para formandos do ensino médio.

– Maior estabilidade no trabalho (durante a crise econômica o Walmart foi e é uma das raras empresas que expandiu o quadro de funcionários ao invés de realizar demissões).

No Brasil o Walmart divulga suas ações sustentáveis através do site: http://www.walmartbrasil.com.br/sustentabilidade/. Nele você encontra todo o programa de sustentabilidade da empresa e até cursos online gratuitos em parceira com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O Wamart ainda não é o paraíso para os trabalhadores, mas se pensarmos que em 2004 os processos trabalhistas e o por discriminação poderiam custar mais de US$640 milhões só nos Estados Unidos e que no Brasil em 2011 o valor de processos trabalhistas estava estimado em R$69 milhões fica clara a evolução nesse quesito.

Alguns podem alegar que a discrepância de valores se dá pela diferença na Justiça Trabalhista entre os dois países; tal afirmação se mostra errada ao compararmos as Legislações Trabalhistas dos dois países, confirmando que a brasileira é muito mais complexa, maior e difícil de se adaptar e levarmos em consideração que a empresa está no Brasil há menos de 20 anos e no Estados Unidos desde sua fundação em 1962. Esses 20 anos podem parecer muito, mas o Brasil é o pais que mais edita normas e leis tributárias e trabalhistas e que possui mais sindicatos no mundo, o que dificulta ainda mais.

Outro pode chamar o Walmart de corrupto, mas ignorarão o fato de que a empresa investiu nos anos 2000  mais de R$99 milhões em um programa interno anticorrupção e continua investindo.

O fato é que o Walmart evolui muito como empresa em todas as áreas: fiscal, sustentabilidade empresarial, social e ambiental, trabalhista e respeito ao consumidor. Não é perfeita, como ninguém é (seja pessoa ou empresa), mas é responsável por salvar diversas vidas com ações humanitárias como no caso Katrina e um exemplo de empresa sustentável que respeita o meio ambiente e pensa nos problemas sociais, buscando ajudar a minimizá-los, tudo em nome da boa imagem e da proteção às próprias operações e lucros. Os capitalistas beneficiando a sociedade como consequência da própria atividade capitalista, sendo tais benefícios maiores que quaisquer “danos” (estes são ínfimos e desconsideráveis na comparação).

Como disse o megaempresário mexicano Carlos Slim: “Não há melhor investimento do que promover o desenvolvimento latino americano. Os americanos deveriam perceber esse fato não por serem bons samaritanos, mas por razões de negócios”. O Walmart entendeu bem o recado.

Por Roberto Lacerda Barricelli

Fontes:

Imagem – www.cidademarketing.com.br

http://www.sustentabilidaderesultados.com.br/walmart-de-vilao-a-heroi-da-sustentabilidade/

http://www.ehow.com.br/quais-beneficios-walmart-fatos_6824/

http://www.walmartbrasil.com.br/sustentabilidade/

http://www.contracs.org.br/noticias/9415/acoes-trabalhistas-no-brasil-prejudicam-balanco-do-walmart

http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Slim

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https://clubedeautores.com.br/book/150972–ESTATISMO_PTRALHA__O_ESTADO_INTERVENCIONISTA_BRASILEIRO

Nele eu também desenvolvo o pensamento de que as empresas promoverão o desenvolvimento social, econômico e ambientalmente sustentável através da própria atividade do capitalismo dentro do Livre Mercado, não por serem boazinhas, mas como consequências de tais atividades e por ser bom para os negócios.

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2 Comentários

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2 Respostas para “O Capitalismo salvando vidas – Parte 1: Walmart

  1. Texto primoroso e verdadeiro. Aqui no Canada o Walmart e muito respeitado por todos e principalmentte por seus funcionarios.

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